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Comida com marketing

Veggie Burger Veggie Burger

Alimentos locais, orgânicos, saudáveis e cheios de marketing.

Megacidades que espalham sua mancha urbana até metade do Estado não permitem queijos e verduras locais. Onde é que você encontra um preço viável de terrenos para plantar a não ser bem longe de um centro urbano?

Você pode até manter uma horta no meio da cidade. Na varanda de seu apartamento, como eu faço há anos. Mas a escala dessa produção não abastece mercados.

Voltei de Nova York com essa pergunta na ponta da língua, depois de muitas refeições lambuzadas em marketing verde: meu amigo, alimento local é o que, no seu entendimento? Cansei de ler nos cardápios que naquele estabelecimento eram vendidos alimentos locais, sustentáveis, orgânicos, amigos do planeta. Dava para perder a fome, de tantas boas intenções embrulhando o vácuo.

Locais? Como assim? Fiquei curiosa quando vi um queijo de ovelha de um “produtor local” em uma feira de sábado que reúne os novaiorquinos gourmets e descolados. Imaginei os bichinhos abrigados em uma laje de Manhattan. Sem chance. Aquele queijinho chacoalhou um bocado na condução para para chegar até minha experiência de compra no comércio sustentável.

De uma amiga que mora por lá, ouvi um ensaio de resposta: local seria algo trazido de até 250 milhas de distância de NYC. Ou seja, que local o quê. A essa distância, até o sotaque é outro, vamos combinar que isso é longe.

Meus sanduíches sustentáveis, orgânicos, meigos e blá-blá-blá continham marketing puro para corações aflitos. Verifiquei que um produto dito local já aumenta a conta da refeição só pelas boas intenções.

Aqui em São Paulo, na feira de orgânicos do Parque da Água Branca, converso com produtores que vêm do interior para vender seus produtos. Estão dentro da definição da amiga, com origem a cerca de 400 km de distância. Às vezes, bem menos. Sem tanta pose, são o que são: bons produtos, um tanto mais caros, que viajam muito para abastecer a megacidade.

Eu tenho medo desse marketing verde que é puro charme, puro apelo da moda circunstancial. Fora isso, esse sanduíche cheio de história aí da foto, quer saber? Era boooom.

Horta do apê

cebolinha cebolinha

Minha horta foi para as cucuias. Árvores e canteiros verdes que ocupavam cada centímetro da varanda do apartamento deram lugar a motocas e brinquedos do Francisco. Assim caminha a humanidade. Fases.

Meu hortelã sobreviveu ao lado de um manjericão torrado por praga. Espera resgate urgente. Mas a vida a passar, sempre a passar, como canta o Zeca (Baleiro).

No blog  Vá de Vintage, um povo muito cooooooool que restaura refrigeradores d’antanho para colocar na sala ou no escritório dos modernos, encontrei uma horta viável e bonita. A horta vertical das garrafas pet, chamada de “fazenda da janela”.

(Pensando bem, achei complexo demais para um país ensolarado como o nosso. Será que precisaríamos de tanto rococó ou só a idéia de pendurar uns vasos próximos à janela bastaria? Timer? Será que eu compraria e instalaria um timer?)

Espie: Window farm

Veja como fazer uma aqui.

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A perspectiva de Ran

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Ran é o personagem sapo do Salvador Messina.

Dá para folhear as tirinhas do Universo Ran no fotoblog do UOL. Embora a ferramenta seja meio tosquinha para navegar, insista. Vale passear pelo acervo.

Ran é filosófico, divertido, faceiro e bem brasileirinho. Oi Salvador, Ran está cada vez mais legal!

Copio, com sua licença, mais uma tirinha, para as amigas e amigos que gostam de falar de comida e comer:

ola senhor tomate  ran

Dia sem carne

papinha papinha

Sem carne às segundas-feiras contra o aquecimento global. A proposta é que as pessoas não comam carne na segunda-feira. O lançamento da campanha será dias 3 e 4 de outubro, no Parque do Ibirapuera.

Quem me avisou foi o Laurent Rains. No fundo da memória remexeu-se uma lembrança de alguma celebridade hollywoodiana gastando suas fichas para convencer as pessoas a aderirem. Não sei quem.

Mudar um hábito é tão difícil. Mudar um hábito alimentar por uma motivação racional é coisa para poucos. Experimente fazer dieta. Experimente ficar proibido de comer chocolate. Vem uma vontade absurda de comer chocolate. Se você adora um bife, experimente parar de comer picanha só porque leu uma reportagem. Vai salivar loucamente quando o bifão passar exalando seus odores sob o seu nariz.

Eu, que tenho aversão a cheiro de carne e acho cheiro de picanha no fogo enjoativo para caramba, achei estranha essa ideia da campanha contra a carne. Será que funciona?

Não como carne desde a adolescência porque não gosto. Assim fácil. Sem camadas de ideologia em cima é mais fácil não salivar, mudar o hábito alimentar, comer de forma mais saudável etc.

Goste ou não do bifão, vale a pena uma segunda sem carne. Passe lá no blog Dia sem Carne para saber mais.

Programação

“Na Marquise do Parque haverá um caminho com grandes fichas coloridas, espécie de jogo, onde estarão dispostas informações, receitas e muito mais. As pessoas serão convidadas a percorrer o caminho de tijolos coloridos e entrar em quatro estações temáticas dispostas por este caminho: meio ambiente, ética, saúde e novos sabores.

Haverá exibição de filmes e palestras e apresentação e degustação de comida com a presença de alguns chefs na Escola Municipal de Astrofísica Professor Aristóteles Orsini, também no Ibirapuera.

Serão distribuídos e sorteados brindes como toy arts, receitas, camisetas, aventais e outros.

Oficinas do Gosto, promovidas pelo movimento Slow Food, serão promovidas gratuitamente para crianças, onde será possível desenvolver o olfato e conhecer alguns temperos. Haverá degustações no correr dos dois dias, oficina de compostagem doméstica e prática de yoga.”

Cartilha dos orgânicos

Ilustrada pelo Ziraldo e lançada pelo Ministério da Agricultura, a cartilha Produtos Orgânicos – O Olho Do Consumidor – é tudo de bom:

Sebos do Brasil vendem on-line

pitanga pitanga

Estante Virtual se apresenta como “a maior rede de sebos do Brasil”, que está presente em 5 mil cidades do Brasil.

Eu e Lu Terceiro, mamãe fresquinha, descobrimos esse site quando conversávamos por chat – ela com a Alice no colo, teclando com uma mão só – sobre comida. A gente adora comer e a gente tem intenções de cozinhar bem. A Lu criou até um blog sobre o assunto, Gastronautas Amadores.

Comentei com ela que comecei a cozinhar com ajuda de um livro, Chiang Sing, Yoga da Alimentação. Googlei o título e descobri que hoje ele só está disponível em sebos. Vale cada centavinho dos R$ 13 que custa nos sebos. O meu livro nem capa tem mais, ficou desbeiçado com o uso.

Muitas das receitas são óbvias, do tipo corte o chuchu, refogue com cebolinha, coloque sal e sirva. Fui a primeira numa família de cozinheiras a se aventurar por receitas naturebas e para uma adolescente foi um bom começo. Esse livro antiguinho ensina como preparar arroz integral e, além disso, na época os livros de receita que eu conhecia não ensinavam a refogar chuchu. Nem a preparar müsli.

Será que ele ainda vale quanto pesa? Não voltei a ele nos últimos anos. Lembro de umas bobagens como a paella vegetariana, que se mostrou um fiasco, na prática, arroz com um monte de legumes preparados de uma forma rococó e demorada…

A saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém

Soube pelo Crianças na Cozinha que Sonia Hirsch agora tem um blog, Deixa Sair. Sou fã da Sonia Hirsch, tenho alguns de seus livros e já preparei várias de suas receitas mega-naturebas, como uma tortilla de inhame e cebolinha, por exemplo, que fica muito gostosa. Com ela aprendi a comer umeboshi e a fazer doces sem açúcar algum. Ela é mestra.

O novo blog ainda está assim, digamos, esquentando os tamborins. Parece aquém de sua verve e de seu conhecimento sobre nutrição e alimentação saudável. É como se ela estivesse ocupadona com outros projetos e escrevesse apressadamente, só para variar de tom e de timbre – “mal traçadas linhas”, algo assim, pensamentos, fotos, caderninho de rascunhos. É uma pena para quem tem fome, como eu, de ler Sonia Hirsch, porque o site de sua editora, Corre Cotia, também não ajuda, com seu layout do período Paleozóico (uma única coluna de texto na largura da tela, como nesse trecho de Prato Feito) e com conteúdo disponível a embrulhar a venda de livros, sem arquitetura.

Mas vou parar de mimimi (como diriam os blogueiros do gueto) porque sou fã e estou aqui para elogiar a jornalista e escritora. Ela é autora, por exemplo, de um livro com o título “Manual do Herói”. E fala sério.”A saúde é suberversiva porque não dá lucro a ninguém”, slogan do novo blog da Sonia, é sensacional. Estou aqui para avisar que é bom ficar de olho nessa figurinha.

Bolos, expressão de afeto

bolos bolos

Fiz um bolo de especiarias porque uma amiga vem me visitar. Ganhei o bolo com pasta americana de outra amiga, que veio me visitar e, com extrema gentileza, agradeceu um jantar com essa flozinha e um bolinho, enviados pelas ondas da internet.

Bolos são expressão de afeto, concluo.

Nos seriados americanos, a moça faz cupcakes quando está carente. Quanto mais carente, mais fornadas desses bolinhos assados em formas de megabrigadeiro e cobertos com essa pasta americana (que na foto é branca), boa para esculturas de bichinhos, florzinhas e doce como o quê. Meu bolinho tem a data do Natal, por exemplo.

Bolinho de chuva é outro que leva uma carga emotiva. Lembra tardes de infância, casa da avó, joelho sujo de terra, tédio de tardes de chuva. É frito, é uma bomba, mas é bom como donuts, sou louca por donuts.

Essa mesinha hoje é para agradecer as gentilezas e as doçuras das amigas e dos amigos em 2008.

Que o próximo ano nos coloque a todos outras mesinhas bem fornidas e felizes!

Julie/Julia ou como comer um blog

Julie/Julia Julie/Julia

Ganhei este livro de aniversário de minha amiga Lu Terceiro e do Daniel Doro. Nesses meus tempos de trocas de fraldas, pouco sono e pouco tempo para lazer adulto, “Julie/Julia”, escrito pela norte-americana Julie Powell, foi meu amigo nos poucos minutos que me sobram antes de cair no sono, passada de cansaço.

Já percebi que um bebê tem ação um pouco anticultural na vida da mamãe que acaba de se tornar mãe. Francisco trouxe um repertório de cantigas de roda e quadrinhas d’antanho muito divertido para minha vida, mas colocou por algum tempo a literatura, os blogs, a culinária, o cinema, a música e quaisquer outros assuntos adultos em segundo, terceiro, quarto e quinto plano. Mandou tudo para plano algum, sendo bem franca. Por isso, o livro de Julie Powell caiu bem nesses tempos de papinhas turbinadas, me conectava com o mundo adulto.

Julie gosta de se apresentar como uma desequilibrada maluca por vodka-tônicas que encasquetou de preparar 524 receitas em 365 dias e narrar suas experiências em um blog.

As receitas vêm de um livro sobre culinária francesa de Julia Child, uma espécie de Dona Benta que tinha um programa de TV nos Estados Unidos popular como o de Ofélia aqui no Brasil.

Julie decidiu cozinhar feito louca depois do trabalho a troco de nada, criou para si um desafio que preenchesse seu vazio existencial. De dia, era secretária de uma repartição pública ligada à reconstrução do Ground Zero, o local onde houve o atentado de 11 de setembro. De noite, encarava coisas fora de moda como extrair o tutano de uma pata de vitelo para fazer uma porcaria chamada Aspic, com ovos incrustrados lá dentro desse mocotó – ciente do despropósito o tempo todo.

O livro de Julia Child ensinou uma geração de donas de casa americanas a cozinhar pratos franceses. Isso na década de 40.
Julie Powell o transformou em uma forma cult de adiar a decisão de ter filhos.

Para mim, Julie/Julia foi uma leitura leve e amanteigada, digamos assim, sobre uma americana porcalhona e perdida na vida que resolveu escrever palavrões em um blog, servir jantares às onze da noite diariamente e canonizar seu marido, tudo simultaneamente.

Fiquei chocada foi com o orgulho que ela sente em contar como não limpava a cozinha, onde nasceram larvas sob o secador de louças. Oh, céus. Lembrei-me do banco traseiro do carro da amiga americana de minha tia, cheio de meias de nylon usadas e embalagens de hamburger to go. Inesquecível a viagem que fiz nesse banco traseiro cheio de lixo. Quando uma americana negligencia a limpeza, ela sabe como ir longe nisso.

Vida de dona de casa é um mistério, me conte como ter tempo para limpar, escovar, cozinhar, brilhar, ler, entreter, receber, meditar e tudo o mais, sem o surgimento de larvas sob o escorredor de pratos.

Do alto da Paulista

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A comedoria do Sesc Paulista tem essa vista absurda. Vai lá, experimente esse tratamento de quente-frio. Primeiro, você sobe no topo do prédio, espia a avenida Paulista do terraço, onde o vento é poderoso e gelado. Depois, entra para experimentar um chá ou café com rosquinhas de fubá que saem quentinhas e são as melhores do mundo. Depois invente algo, o roteiro é mais extenso do que parece, é um prédio inteiro de atividades, alguma coisa você acha para se entreter lá.

Neste fim de semana, por exemplo, a comedoria estava vestida em estilo japonês porque todo o Sesc Paulista comemora os 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Pena que acabou a farra dessa exposição chamada Tokyogaqui, tinha butoh e Japão Pop.

Não sei se a comedoria já mudou de roupa, mas no fim de semana a um canto você encontrava uma máquina de karokê. Se ainda estiver lá, tenha piedade, ensaie antes, a gente agradece. Não repita o que eu presenciei: um pai embevecido encoranjando a filha a desafinar barbaramente uns hinos de louvor ao senhor. O que foi aquilo?

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