O buraco na camada de ozônio bateu recordes nesse início de primavera que, por sinal, é o próprio samba do crioulo doido. Passamos de frio intenso para temperaturas desérticas em poucas horas e, como disse uma amiga, qualquer dia vamos trincar como vasos. Segundo o alerta da Organização Meteorológica Mundial, das Nações Unidas, o buraco tem hoje 28 mil km2 e aumentou de forma acelerada no último mês.
Aquecimento global já não é mais assunto de ecologistas militantes, entrou para a rotina de qualquer pessoa. Já ouvi alguém fazer as contas a respeito da compra de um imóvel a beira-mar que, afinal, pode estar submerso daqui a alguns anos. O gelo nos pólos está derretendo. Pela primeira vez no último meio milhão de anos, todo o gelo do Oceano Ártico poderá, em breve, derreter durante o verão, segundo relatório divulgado pela National Science Foundation, agência de financiamento à pesquisa do governo norte-americano.
Já neste ano é possível, pela primeira vez, chegar ao pólo Norte de barco, a partir do arquipélago de Spitzberg, na Noruega, ou do norte da Sibéria. Quem explica isso é Mark Drinkwater, da Agência Espacial Européia. Drinkwater também fez suas contas. Disse que daqui a uns 20 anos, durante o verão, será possível dar a volta no globo em um veleiro pelo Oceano Ártico.
Conta de doido
Contas sobre como nos adaptar e tirar lucro do aquecimento global são ensandecidas. É como se procurarássemos uma trilha sonora para o momento em que a vaca vai para o brejo. Não há leveza possível nesse movimento.
Não se trata de deslocar os resorts de esqui europeus para o Tibete, como se fala nos relatórios da indústria de turismo, já que a neve na Europa tende a desaparecer. Não se trata de responder à terrível dúvida “como faremos para esquiar nas férias?” Trata-se de uma mudança complicadíssima na forma como vivemos e explorarmos os recursos naturais.
Richard Branson, o multimilionário inglês a quem só falta pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, também fez contas. Tomou a iniciativa mais fantástica de toda sua coleção de aventuras, que incluem a criação de uma empresa de turismo espacial e a participação em episódio dos Simpsons.
Branson doou US$ 3 bilhões, lucro gerado pelos negócios de transportes de sua empresa, a multinacional Virgin, para a luta contra o aquecimento global. A Virgin opera linhas aéreas e ferroviárias. O dinheiro será administrado pela Iniciativa Global Clinton (sim, o ex-presidente dos EUA) e será investido na pesquisa de alternativas ao petróleo como combustível. Na conta de Branson, logicamente, entrou o US$ 1 bilhão que suas empresas gastaram nos últimos três anos com a alta do petróleo.
Proteção de tela e planeta
No site da BBC encontra-se uma forma muito simples de participar das pesquisas sobre as mudanças no clima. Trata-se de um experimento da Oxford University que usa a capacidade de processamento de seu computador nas horas em que ele está ocioso. Basta instalar um programa que funciona como protetor de tela. Quando você não estiver usando o computador, ele será usado para processar os dados da pesquisa. Não é preciso fazer mais nada.
São necessários 10 mil voluntários para o experimento. Essa conta ainda não fechou.