Clima | anacarmen.com

Arquivo da categoria: clima

Homenagem singela e providência simplória

Buda

Eu caminhava pela rua Lisboa, em São Paulo, nesse fim de semana, quando encontrei um Buda na calçada enfeitado com flores. Homenagem bonita e singela.

Na mesma rua, em um café, espetaram cravos em meia laranja cortada e a deixaram sobre o balcão, um artifício para espantar abelhas que pegam carona nas latinhas de refrigerante dos fregueses. Providência singela, mas não muito eficiente. Cheirosa, ao menos.

Começou a semana e, a três dias da divulgação de um relatório mundial sobre o desastre climático no planeta, a ONU anunciou nesta terça-feira que era hora de convocar uma cúpula de emergência para discutir como restringir os danos do aquecimento global. O encontro deverá ser no Quênia, no segundo semestre. O relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, já se sabe, traz números medonhos: 3 bilhões sofrerão com a escassez de água até o final do século. As crianças verão outro mundo, muito diferente desse aqui.

Lembrei do adolescente totalmente chapado às 9 da manhã da segunda-feira. Para tomar um espresso, que alguém lhe pagou por gentileza ou pena, ele tremia tanto que precisou da ajuda das duas mãos para segurar a xícara.

Ele nem sabe o que o espera daqui a alguns anos e já providenciou uma neblina interna para brindar a semana. Visão turva, providência simplória. Mesmo que a anestesia seja tentadora, como bem sabe a ONU.

Retrospectiva muito pessoal

Aves

Fuga

2006 foi o ano em que as maritacas, os papagaios e passarinhos de variadas espécies procuraram abrigo na casa da família no interior de São Paulo.

Como a cana de açúcar tornou-se monocultura na região, outrora famosa pelo café, sempre me lembro na fuga dos bichos quando se fala no álcool como “combustível verde”. Sem ter o que comer, pois canavial é lugar de cobras, ratos, insetos e olhe lá - eles fogem para as pequenas ilhas onde a natureza ainda aparece.

Será que o álcool como combustível é mesmo uma alternativa ecológica? Sua produção em larga escala perturba profundamente o ecossistema. Seqüestra, com desertos verdes, o futuro de vários animais.

Suor e alegria

2006 foi o ano em que roupas de tecido apropriado para a prática de esportes foram o principal presente do amigo secreto de Natal. Sinal dos tempos - um bom sinal.

Urso polar na Bolsa de Valores

2006 foi o ano em que o aquecimento global saiu das beiradas do noticiário. “Como não perder dinheiro com o derretimento da calota polar” e coisas parecidas apareceram nas editorias de negócios e economia.

We, Me, You Tube

2006 foi o ano do vídeo digital.

Novilíngua

Adicionei amigos.
Perdi minha coleção de emoticons.
Expliquei o que é trackback, RSS e agregador.

ONU discute como reverter o aquecimento global, Al Gore mostra o estrago

No mesmo continente onde as neves do Kilimanjaro correm o risco de serem apenas nome de livro e filme, as Nações Unidas reúnem-se a partir de hoje para discutir o aquecimento global. A reunião realiza-se em Nairóbi, no Quênia, sem contar ainda com a adesão dos Estados Unidos ao protocolo de Kyoto.

É um bom momento para tomar um sorvete e assistir a “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre Al Gore e sua campanha de alerta para as mudanças climáticas. O ex-futuro presidente dos Estados Unidos revela dados significativos: os Estados Unidos são responsáveis por 33% da emissão de gases poluentes na atmosfera. Se os EUA decidissem reduzir a emissão de poluentes, o planeta teria melhores chances. Simples assim.

O desastre começou. Na África, as neves do Kilimanjaro derretem. No meio de “Uma Verdade Inconveniente”, uma animação mostra o sorvete de Lisa Simpson derreter na casquinha antes que ela consiga experimentá-lo. É uma forma engraçadinha de mostrar uma situação crítica.

O documentário sobre Al Gore devia ser obrigatório na aula de geografia. Em vez de gráficos impessoais sobre os efeitos dos gases estufa, é mais convincente ver paredões de 200 metros de altura de gelo derreterem no Ártico. Observar a sinistra espiral dos furacões sobre águas excepcionalmente aquecidas, saber que pela primeira vez registrou-se um furacão no Hemisfério Sul - o Catarina, no litoral do Brasil.

“As mudanças no clima rapidamente tornaram-se uma das maiores ameaças que a humanidade jamais enfrentou.” Foi nesse tom que o presidente da conferência da ONU, o ministro queniano do meio ambiente, Kivutha Kibwana, abriu a rodada de negociações. Harlan Watson, representante dos Estados Unidos no evento, disse que Bush não muda uma palha na atual política.

Se Al Gore fosse o presidente dos EUA e tivesse assinado o protocolo de Kyoto

O filme deixa uma pergunta pertinente no ar. O que seria do planeta se Al Gore fosse o presidente, e não Bush? Acho que todo mundo se lembra que Bush foi eleito por pouco, muito pouco, em meio a uma polêmica sobre quem realmente venceu as eleições.

Se Gore fosse o presidente, os EUA teriam assinado o protocolo de Kyoto e essa fatia gorda de responsabilidade pelo estrago – os 33% - desapareceria. Simples assim?

Aquecimento global: quem paga a conta?

O buraco na camada de ozônio bateu recordes nesse início de primavera que, por sinal, é o próprio samba do crioulo doido. Passamos de frio intenso para temperaturas desérticas em poucas horas e, como disse uma amiga, qualquer dia vamos trincar como vasos. Segundo o alerta da Organização Meteorológica Mundial, das Nações Unidas, o buraco tem hoje 28 mil km2 e aumentou de forma acelerada no último mês.

Aquecimento global já não é mais assunto de ecologistas militantes, entrou para a rotina de qualquer pessoa. Já ouvi alguém fazer as contas a respeito da compra de um imóvel a beira-mar que, afinal, pode estar submerso daqui a alguns anos. O gelo nos pólos está derretendo. Pela primeira vez no último meio milhão de anos, todo o gelo do Oceano Ártico poderá, em breve, derreter durante o verão, segundo relatório divulgado pela National Science Foundation, agência de financiamento à pesquisa do governo norte-americano.

Já neste ano é possível, pela primeira vez, chegar ao pólo Norte de barco, a partir do arquipélago de Spitzberg, na Noruega, ou do norte da Sibéria. Quem explica isso é Mark Drinkwater, da Agência Espacial Européia. Drinkwater também fez suas contas. Disse que daqui a uns 20 anos, durante o verão, será possível dar a volta no globo em um veleiro pelo Oceano Ártico.

Conta de doido

Contas sobre como nos adaptar e tirar lucro do aquecimento global são ensandecidas. É como se procurarássemos uma trilha sonora para o momento em que a vaca vai para o brejo. Não há leveza possível nesse movimento.

Não se trata de deslocar os resorts de esqui europeus para o Tibete, como se fala nos relatórios da indústria de turismo, já que a neve na Europa tende a desaparecer. Não se trata de responder à terrível dúvida “como faremos para esquiar nas férias?” Trata-se de uma mudança complicadíssima na forma como vivemos e explorarmos os recursos naturais.

Richard Branson, o multimilionário inglês a quem só falta pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, também fez contas. Tomou a iniciativa mais fantástica de toda sua coleção de aventuras, que incluem a criação de uma empresa de turismo espacial e a participação em episódio dos Simpsons.

Branson doou US$ 3 bilhões, lucro gerado pelos negócios de transportes de sua empresa, a multinacional Virgin, para a luta contra o aquecimento global. A Virgin opera linhas aéreas e ferroviárias. O dinheiro será administrado pela Iniciativa Global Clinton (sim, o ex-presidente dos EUA) e será investido na pesquisa de alternativas ao petróleo como combustível. Na conta de Branson, logicamente, entrou o US$ 1 bilhão que suas empresas gastaram nos últimos três anos com a alta do petróleo.

Proteção de tela e planeta

No site da BBC encontra-se uma forma muito simples de participar das pesquisas sobre as mudanças no clima. Trata-se de um experimento da Oxford University que usa a capacidade de processamento de seu computador nas horas em que ele está ocioso. Basta instalar um programa que funciona como protetor de tela. Quando você não estiver usando o computador, ele será usado para processar os dados da pesquisa. Não é preciso fazer mais nada.

São necessários 10 mil voluntários para o experimento. Essa conta ainda não fechou.