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Nome próprio/ Première Nome próprio/ Première

Assisti a uma sessão do filme Nome Próprio, de Murilo Salles, na companhia de muitos blogueiros. Como a personagem do filme tem um blog, aha, que tal chamar um punhado de blogueiros? Tá na moda chamar um punhado de blogueiros. Fomos muitos para lá, a lista de URLs presentes é longa. Sábado, sessão da meia-noite no Unibanco do Frei Caneca.

Topei. Mesmo que “um pedaço da blogosfera brasileira” seja bom motivo - conheço vários blogueiros interessantes - gostei da idéia da première mais ainda porque estava curiosa sobre o filme. Para falar a verdade, não sabia direito do que se tratava. Tinha algo a ver com o Campus Party, Clarah Averbuch, algo assim bem vago, sendo que eu nem sabia se já tinha lido coisas dela. Ainda não sei.

Gostei:

1- O filme não é uma grande bobagem. Não é previsível. Está longe de ser um Duro de Matar 19. Ponto para ele por arriscar.

2- A Leandra Leal arrasa.

3- Na hora em que um cara que a blogueira bêbada conheceu no bar diz para ela que é de Ribeirão Preto e que não vai acontecer nada, que eles vão ficar ali só de boa, eu ri muito. Parece documentário. O filme tem outros momentos assim, de verossimilhança.

OBS: o post do Zander também menciona o rapaz de Ribeirão Preto.

Não gostei:

1- Tem um quê das pornochanchadas. Tem hora em que lembra umas melecas do fim dos 70, começo dos 80, quando os alunos e professores de cinema da ECA-USP lançavam filmes na Boca do Lixo. Uma coisa mezzo aliche, mezzo mussarela. Encontro entre o cinemão e a falta de cabimento. Muitas vezes ele chega ao bizarro. Eu vi um pedaço de braço no canto esquerdo da tela. Ao meu lado, Renato chiava porque não tinha nada de iluminação, esqueceram de fazer a fotografia, o desenho de luz. Tem esse lado trash.

O Eric Messa, que segura o celular nessa foto, também reclamou da tosqueira e mencionou a mídia espontânea que o filme geraria.

2- Ninguém merece cena de barata e de junkie em momentos sujos. Escatologia sem contexto não dá. Não é assim um “Cheiro do Ralo”, que trata desses assuntos com propriedade, como lembrou Pedro Markun, um dos blogueiros e twitteiros.

OBS: No post “porno-digitada”, Fernando Mafra menciona Bukowski, outro comentário recorrente. “Não é Fante, nem Bukowski”, dizia-se no bar.

O post de hoje de vários dos blogueiros convidados reclama da personagem junkie, dizem que ela é chata. Todos preferem dizer que foi melhor a conversa no bar Exquisito pós-filme, do que o filme em si.

Eu não chego a ser tão drástica. O Exquisito deixou meu casaco de inverno com cheiro de pastel. Detesto isso. Depois, quando um filme não tem correria de carrões eu já acho ótimo, ele já começa a ter crédito comigo. Mas eu acho que se perdeu ali uma oportunidade de falar de algo mais interessante. Menina com dor existencial quer ser escritora, mas toma bolinha, bebe cerveja quente (outra coisa que chocou muito o grupo dos blogueiros) e é meio mala não chega a ser um tema profundo.

3- Pena que a blogueira seja o clichê.

Explico: blogueira em 2001 tem sofrimentos existenciais, bebe cerveja quente e toma bolinha. Fica louca, escreve no blog, expõe a vida na internet, bebe cerveja quente, toma bolinha, escreve no blog. É nessa base. Podia ser uma blogueira menos chata.

Leandra Leal, você arrasa, mesmo como junkie sem nada para fazer da vida. Mas nem você salva o filme desse climão de fim de festa de gente chata.

Receitas de blogueiros para o filme Estômago

entrada: creme verde entrada: creme verde

O livro de receitas dos blogueiros inspiradas pelo filme Estômago já está disponível para download: baixe aqui.

Na foto, você vê o creme que a Miki inventou inspirada no filme - que eu ainda não consegui ver, pois abril chegou feito um furacão.

Trilha do filme sobre Rolling Stones no YouTube

Rolling Stones e o diretor Martin Scorsese no centro

Todas as músicas de Shine a Light, documentário de Martin Scorsese sobre os Rolling Stones, estão disponíveis para você ouvir agora no YouTube. Muito bom. Estou curiosa para ver o filme, gravado no Beacon Theater de Nova York em 2006. Tem participações de filme de Jack White, da banda White Stripes, de Christina Aguilera e do guitarrista Buddy Guy.

Ouça Shine a Light.

Eu soube via Gui Fellitti Gui Felitti, do Chá Quente.

A busca espiritual em Darjeeling

“Você fala como Marlene Dietrich, suas roupas são sempre feitas por Balmain. Você vive em um apartamento de luxo do boulevard Saint Michel, onde você guarda seus discos dos Rolling Stones. Você vai a festas nas embaixadas, onde conversa em russo e em grego. Você vem da Sorbonne. Mas diga, aonde você vai, adorável, quando está sozinha?”

free music

Como é a busca espiritual?

Ela tem como trilha “Where do you go to (My lovely)”.

A música de Peter Sarstedt foi hit em 1969 (!!!). Pelo menos, é assim no filme Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited), dirigido por Wes Anderson. O aloprado diretor (seu Jorge cantando Bowie em português, lembre-se, foi coisa do cara) desta vez filma entrelinhas. Só filma o que não é dito.

Sendo assim, ao término do filme, tive aquela sensação de… bem… era isso? No dia seguinte, ainda com a cabeça no travesseiro, abri os olhos e passei a gostar mais e mais do filme. É daqueles que precisam assentar, que caem melhor depois que você mastiga e remói as cenas de pastelão. Os dias passam e Darjeeling fica cada vez mais interessante, mais “Darjeeling Unlimited”.

Esse filme com nome de chá e de uma cidade indiana para onde os ingleses fugiam durante os tórridos verões da colônia não tem limites quando se trata de ridicularizar a busca espiritual-pronta-entrega. Vista um sári e um colar de flores, ajoelhe-se diante de um templo nos confins da Índia, dê três pulinhos e alcançarás a purificação. Argh, explica o filme, sem limites quando se trata de pisar em cima da alma dos que ousarem confundir busca espiritual com malas Louis Vuitton. Daí a música que fala de verões e invernos do jet-set.

Genial

Os caras chegam ao templo sagrado de blá-blá-blá e um dos irmãos vira de costas para aquele santificado atalho para o nirvana e só pensa em achar um adaptador para tomadas com os camelôs. Assim é o ser humano. Louco por camelôs.

Hotel Chevalier

Como eu gostei de “Darjeeling Limited”, poderia passar horas a dizer o filme é genial por explicitar apenas o que não é essencial. Tudo o que realmente importa não é dito. Mas vou dizer apenas que é essencial ver Natalie Portman nua em Hotel Chevalier, um curta-metragem que explica tudo sobre o longa porque não explica nada. Essa tal busca espiritual, sabe como é. Não tem nada a ver com serviço de quarto em hotéis com talheres de prata.

Ex-girlfriend: Whatever happens in the end, I don’t wanna lose you as my friend.
Jack: I promise, I will never be your friend. No matter what. Ever.

Tony de Marco sem logo no filme de Wim Wenders

Fotos do Tony de Marco sobre a retirada dos outdoors depois da lei da Cidade Limpa em São Paulo estarão no novo filme de Wim Wenders, fico sabendo pela Ilustrada. Superduper, Tony. No Flickr, ele exibe a série de fotos no set No Logo.

Tony de Marco sem logo no filme de Win Wenders

Foto: Tony de Marco

“Eu fotografei as maiores placas para todo mundo entender o tamanho da encrenca. Isso era um inferno visual”, diz o artista, ao apontar a cidade da janela de seu apartamento na zona sul”, na entrevista da Ilustrada.

Wim Wenders é um dos meus favoritos, eternamente. Ele filma “The Palermo Shooting”, sobre um fotógrafo em crise existencial. Tony também é um favorito. Figuraça. Entre suas muitas artes, na qual se inclui a linda revista Tupigrafia, ele criou um tapetinho que controla a projeção de imagens digitais, de forma que quando a gente dança sobre o tapete, edita o que é projetado.

Bálcãs: janelas para a cultura cigana

Metais ardidos, acordeon, som de bandinha de coreto da praça. Opa opa! Um gole de aguardente entornado de uma vez só. Pula, pula, ô-pa. Mais um gole, metais ardidos, mais festa.

Quem viu um dos filmes de Emir Kusturica sabe mais ou menos como celebram os ciganos do leste europeu. A tradição dos Bálcãs é de esbórnia, é uma música aparentada com o trio elétrico baiano – pelo menos na inspiração dionisíaca.

Kusturica que, além de ser um dos meus diretores favoritos, é também músico. Em 2001, ele fez uma divertida turnê de trem com a banda No Smoking Orchestra, registrada no documentário Memórias em Super-8 (Super 8 Stories). Emir toca guitarra, o irmão, Stribor Kusturica, toca bateria. Os dois brigam bastante.

Goran Bregovic é outro da minha lista de luminares do gênero metais ardidos. A história do Bregovic é ótima: nascido em Sarajevo, filho de mãe sérvia e pai croata, foi celebridade do mundo pop com uma banda punk. Depois, tornou-se um respeitado na música erudita e fez a trilha sonora de vários dos filmes de Kusturica.

Assisti a Bregovic na Sala São Paulo. Única vez, provavelmente, em que rolou uma ciranda na platéia da elegante sala de concertos. Foi uma delícia dançar em círculo suas músicas “para casamentos e funerais”, como é o título de um de seus álbuns. Pula, pula.

Balkan Beats

Tom B , grafiteiro, ilustrador e DJ, chegou de Londres com um carregamento de Balkan Beats e colocou gentilmente as novidades na web para a gente ouvir. Sensacional.
Ele conta o seguinte: “Nos anos 90, com a queda do Muro e a guerra na Iugoslávia, toda uma geração emigrou do Leste Europeu - principalmente pra Alemanha - e amadureceu em contato com o fino da música eletrônica. Hoje em dia, DJs e produtores de lá estão retomando esse som de raiz; temperado com coisas tipo dancehall, hip-hop, miami bass e reggaeton”.

Borat, roteiro Didi Mocó estragado do extremo leste europeu

É a partir da base dos descendentes dos nômades do leste europeu que Borat avança até ultrapassar a linha Didi Mocó da falta de cabimento. Sem o refinamento de um Kusturica, Borat com seu bigodón e suas frases sobre “usar a irmã” enfia o pé na jaca mole e termina sem graça, na minha opinião. O roteiro para música cigana acima leva a melhores fontes. Não perca seu tempo.

Babel paulista

“Babel”, novo filme do diretor mexicano Alejandro Iñárritu, recria a sensação de queda no abismo que experimentamos quando um fato inesperado e violento nos tira da vida cotidiana e nos coloca à margem, em situação de emergência.

Babel paulista

Quem já foi assaltado, sofreu um acidente de carro, perdeu-se na mata ou passou por alguma catástrofe conhece esses momentos de hiperrealidade.

Brad Pitt, nem tão lindo, nem tão jovem, viaja pelo Marrocos com o casamento em frangalhos na bagagem, ao lado de uma esposa revoltada. “Por que viemos para cá?”, pergunta ela, a quem já basta o fato de não ter água mineral no gelo do refrigerante e ser uma mulher branca no meio de mulheres de burka. Para ela, já basta – a queda no abismo já começou.

O roteiro reserva à personagem e ao marido, ambos americanos, a experiência do estranhamento e do mergulho no fundo das questões humanas. Ela é baleada no meio do deserto e ele tem de fazer algo - e não sabe o quê – para driblar a morte, estancar a hemorragia, remover a bala, sair da Idade Média e voltar para o século 21.

Babel é como um desses tradutores eletrônicos. Você escreve “colapso da normalidade” e ele exibe uma situação-exemplo.

Revivi a sensação de queda a bordo de uma poltrona almofadada. Desconfortável, mas sem riscos à sanidade. Ilustrativo, em uma semana de convívio diário com o acidente na estação Pinheiros de Metrô de São Paulo ao lado de minha mesa de trabalho.

Dez coisas legais

Guardar links interessantes é importante para nós todos, surfistas da web. Sem um de.li.cious, como lembrar tantos caminhos? Fiz uma lista de 10 links legais que amigos indicaram ou que eu colecionei:

1- Manchetes de todo o mundo

2- 10 tecnologias emergentes segundo o MIT

3- Som e luzes para o iPOD (dica do Xpop)

4- Momento retrô: antigas edições das revistas de cinema A Scena Muda (1921-1955) e Cinearte (1926-1942) no site do Museu Lasar Segall.

5 - Post Secret: publique um segredo

7- Violoncelo irado (Dica de Reviravoltas de Alice)

8- Uma fonte para a sua letra de mão

9- Dicionário de MPB (duas dicas do Favoritos)

9- Protetor de tela do céu

10. Edgard Morin (dica da Udi)

Cisne se apaixona pelo pedalinho que veste Prada

Um lindo e garboso cisne negro apaixonou-se por um pedalinho. Uma linda e talentosa jornalista deslumbrou-se com o poder. Romeu e Julieta de histórias diferentes, em comum eles têm um objeto de desejo ilusório e enganador.

O cisne mora no lago alemão chamado Aasee, em Münster, Westfália, noroeste da Alemanha. Sua história foi noticiada pela editoria Planeta Bizarro do G1, o novo portal de jornalismo da Globo. Monogâmico, ele talvez morra de dor quando a água do lago congelar e sua musa retirar-se para a garagem durante todo o inverno.

Andrea é a Julieta do mundo fashion em “O Diabo Veste Prada”. No filme, a personagem interpretada pela atriz Anne Hathaway chega à redação da principal revista de moda dos Estados Unidos em busca de uma oportunidade no mundo do jornalismo. Com apenas alguns golinhos de glamour ela se intoxica e, como o cisne, apaixona-se por uma mentira. Andrea cai de amores pelo poder, ah, o poder…

“O Diabo Veste Prada” não é tolinho como parece, nem como dizem por aí. Ele coloca roupagem elegante em uma história sobre assédio moral e jogos de poder que envolvem imprensa, chefes e subordinados, opinião pública e mercado. Poderia ser um filme de ação, mas é uma comédia. Cai bem com pipoca.

Andrea não sabe o que é jabaculê, mas logo descobre. Ganha roupas de grife, presentinhos cheirosos, brindes exclusivos e viaja a Paris. Convive com uma Cruela Cruel sem dálmatas que se exercita na aeróbica da humilhação: a editora de moda mais poderosa do mundo.

É verdade: Meryl Streep está mesmo genial. A atriz livrou-se daqueles papéis de mulher madura em crise e vive um dos melhores momentos de sua carreira como a sádica editora que cospe maldades com voz aveludada. A certa altura, Andrea ouve de sua chefe algo como: “se você não fizer o que eu mando, não vai conseguir emprego em nenhum lugar algum”. (Um parênteses: essa síndrome de onipotência, seria ela como uma gripe que se espalha pelas corporações?)

Andrea engole os sapos. Mesmo depois de um ano de assédio moral constante, ela reluta. Não consegue retornar à vida miúda, acostuma-se ao champanhe grátis de cada dia e também à criativa turbulência de uma redação bem-sucedida. Justifica-se diante dos amigos, diz que aquele emprego lhe abrirá portas.

Ninguém acredita na pobre Andy. Amigos, família e colegas de imprensa, todos enxergam seu amor pelo pedalinho.