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O futuro do jornalismo e dos jornalistas

Sai dia 17 o relatório anual do Project for Excellence in Journalism, com dados sempre impressionantes sobre a mídia dos Estados Unidos e com qualidade para serem citados em pesquisa científica. Este ano, o relatório procura descobrir o que os jornalistas pensam do futuro da profissão. Analisa também o conteúdo de 64 sites de mídia cidadã, ou seja, de projetos que envolvem o jornalismo cidadão e a publicação de conteúdo por quem não tem diploma de Comunicação. No relatório do ano passado, como você pode ler, o foco era jornalismo digital.

folhinha

Pesquisa sobre blogs

Você, que pesquisa comunicação, anote aí: Blog Brasil é um wiki que reúne artigos publicados sobre weblogs no Brasil. Veja o que a academia diz a respeito.

Território ocupado

Enquanto isso, jornalistas e não-jornalistas que publicam conteúdo na rede continuam se estranhando no Brasil, em mútua animosidade. Alguns jornalistas dão a entender que blogueiro é aquele profissional de segunda categoria que avança sem aviso por seu território. Alguns blogueiros dão a entender que é a mãe. Eu acho essa conversa superada pelos próprios fatos, até quando vem acompanhada por bolinho de arroz, tabasco e chopp. Enquanto isso, a caravana passa e o relatório deve apontar para as novas tendências.

Impressão de células-tronco

Toda vez que é necessário trocar cartuchos de minha impressora multifuncional meu bolso dói e meus dedos ganham borrões de tinta. Gosto dela, porém, quando evita que eu saia só para tirar um xerox e também quando posso escanear um documento e mandar a imagem, substituindo o envio de um fax. Nunca tive um fax e acho horrível como as letras desaparecem com os anos do papel que ele utiliza. Guardamos pergaminhos, mas não temos registros de alguns anos em fax. Sinal da decadência da civilização?

Bobagens à parte, essa digressão surgiu quando li pela manhã que as antigas impressoras com jatos de tinta têm uma aplicação científica inovadora. Na University of Massachusetts Dartmouth pesquisa-se a impressão da estrutura de células-tronco em três dimensões. Segundo declaração de um dos pesquisadores, Paul Calvert, divulgada pelo Engadget, a imagem obtida é uma conquista. “Foi como trocar uma TV preto e branco por uma TV colorida”, compara ele.

Teses da USP disponíveis em site

A Luciana Terceiro deixou a dica em comentário do post anterior, mas achei muito bacana e resolvi colocar mais à vista o endereço da Biblioteca Digital de Teses da USP.

Todas as universidades, principalmente e fundamentalmente as públicas, deveriam seguir o exemplo.

Textos científicos na internet

Aprendizado Aprendizado

Ladislau Dowbor avisa hoje por newsletter que seu em seu site, sempre tão interessante, é possível assistir a um vídeo sobre o direito de acesso a textos cientificos gratuitos on-line, uma conversa dele com o Comitê Gestor da Internet do Brasil que responde à questão que também me incomoda: Por que as teses, a produção científica mais nova, não está disponível na web?

Diz ele o seguinte: “O valor dos produtos não está mais em seu valor físico. O produto físico perdeu dramaticamente sua participação no valor. Quando você paga R$ 100, você paga R$ 25 pelo produto e o restante pela divulgação, pela publicidade etc.

O conhecimento está no centro da economia e com isso, o acesso ao conhecimento está no centro da economia. O fato de que o conhecimento ao se multiplicar, multiple a riqueza de todos, significa que a economia do conhecimento é uma gigantesca oportunidade de democratizar as sociedades.”

Essa é a razão que o faz colocar textos científicos para download em seu site. Para evitar o “salame da educação”, brinca, aquele que fatia as informações, sem dar a noção do todo.

“Eu pego as dissertações, os textos que oriento, as teses, coloco ali”. Ele diz que o ideal seria generalizar isso para “todos os professores”: “Estamos subutilizando os meios drasticamente.”

Certíssimo, professor.

O que é a diferença: um camarão abissal

O censo das espécies marinhas de 2006, um estudo que reúne informações coletadas por 200 pesquisadores em 80 países, inclui um ser que vive nas mais extremas condições. Trata-se de um pequeno crustáceo encontrado em um abismo de 3 km de profundidade no Atlântico. Ele vive ao lado de fontes que liberam água a uma temperatura de 407º C. Graus Celsius!

O tal camarãozinho fica à vontade em um calor que derreteria chumbo. Rodeado por águas geladas que por pouco não congelam, o corpo do bichinho suporta temperaturas de 80 ºC, próximas ao ponto de ebulição. Na saída das chaminés sulfurosas do fundo do mar vivem também moluscos.

Achei um mistério esses camarões e conchas que aproveitam a vida em meio a doses maciças de metais pesados. Tudo o que para nós seria o fim, para eles é saudável.

Esses camarões e conchas são uma metáfora das diferenças. Tudo o que é bom para mim, para eles não é.

Dez coisas legais

Guardar links interessantes é importante para nós todos, surfistas da web. Sem um de.li.cious, como lembrar tantos caminhos? Fiz uma lista de 10 links legais que amigos indicaram ou que eu colecionei:

1- Manchetes de todo o mundo

2- 10 tecnologias emergentes segundo o MIT

3- Som e luzes para o iPOD (dica do Xpop)

4- Momento retrô: antigas edições das revistas de cinema A Scena Muda (1921-1955) e Cinearte (1926-1942) no site do Museu Lasar Segall.

5 - Post Secret: publique um segredo

7- Violoncelo irado (Dica de Reviravoltas de Alice)

8- Uma fonte para a sua letra de mão

9- Dicionário de MPB (duas dicas do Favoritos)

9- Protetor de tela do céu

10. Edgard Morin (dica da Udi)

Óculos do Hubble dão uma boa perspectiva

As lentes do Hubble são meus óculos favoritos. Desde que foi lançado no espaço em 1990 pela Discovery, o telescópio espacial transmite o melhor reality show de estrelas (reais) e galáxias. Com ele, é possível investigar buracos negros, matéria escura, nascimento de estrelas. O Hubble abre uma janela para o entorno de nosso planetinha, o que dá uma boa perspectiva às coisas.

Antennae

A foto é das galáxias Antennae. Trata-se da colisão de um par de galáxias que gera o nascimento de bilhões de estrelas. Como todas as imagens do telescópio espacial, ela é mais arte do que ciência.

Todas as imagens do Hubble começam como um mosaico de fotos em preto e branco que são reunidas e colorizadas para satisfazer as convenções do olho humano e do público. Uma opção simpática e educativa - quem se interessaria por imagens semelhantes a radiografias de pulmão?

Batizado em homenagem ao o astrônomo norte-americano Edwin P. Hubble (1889-1953), que confirmou a tese do universo em expansão e trouxe elementos para a teoria do Big Bang, o telescópio segue carreira até que sofra alguma avaria mais séria. Diz-se que a última viagem de manutenção foi realizada este ano e que ele funcionará até o dia em que quebrar, sem prorrogação do show.

Pergunta sobre a lenda do raio cósmico

Quantos e-mails você recebeu sobre raios magenta vindos do espaço sideral que vão amplificar nossos pensamentos nos dias 17 e 18 de outubro, principalmente às 17h17 do dia 17?

Detalhe: não importa o fuso horário, é nesse momento que o bicho vai pegar.

Eu recebi um monte de variações sobre o tema.

Aquecimento global: quem paga a conta?

O buraco na camada de ozônio bateu recordes nesse início de primavera que, por sinal, é o próprio samba do crioulo doido. Passamos de frio intenso para temperaturas desérticas em poucas horas e, como disse uma amiga, qualquer dia vamos trincar como vasos. Segundo o alerta da Organização Meteorológica Mundial, das Nações Unidas, o buraco tem hoje 28 mil km2 e aumentou de forma acelerada no último mês.

Aquecimento global já não é mais assunto de ecologistas militantes, entrou para a rotina de qualquer pessoa. Já ouvi alguém fazer as contas a respeito da compra de um imóvel a beira-mar que, afinal, pode estar submerso daqui a alguns anos. O gelo nos pólos está derretendo. Pela primeira vez no último meio milhão de anos, todo o gelo do Oceano Ártico poderá, em breve, derreter durante o verão, segundo relatório divulgado pela National Science Foundation, agência de financiamento à pesquisa do governo norte-americano.

Já neste ano é possível, pela primeira vez, chegar ao pólo Norte de barco, a partir do arquipélago de Spitzberg, na Noruega, ou do norte da Sibéria. Quem explica isso é Mark Drinkwater, da Agência Espacial Européia. Drinkwater também fez suas contas. Disse que daqui a uns 20 anos, durante o verão, será possível dar a volta no globo em um veleiro pelo Oceano Ártico.

Conta de doido

Contas sobre como nos adaptar e tirar lucro do aquecimento global são ensandecidas. É como se procurarássemos uma trilha sonora para o momento em que a vaca vai para o brejo. Não há leveza possível nesse movimento.

Não se trata de deslocar os resorts de esqui europeus para o Tibete, como se fala nos relatórios da indústria de turismo, já que a neve na Europa tende a desaparecer. Não se trata de responder à terrível dúvida “como faremos para esquiar nas férias?” Trata-se de uma mudança complicadíssima na forma como vivemos e explorarmos os recursos naturais.

Richard Branson, o multimilionário inglês a quem só falta pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, também fez contas. Tomou a iniciativa mais fantástica de toda sua coleção de aventuras, que incluem a criação de uma empresa de turismo espacial e a participação em episódio dos Simpsons.

Branson doou US$ 3 bilhões, lucro gerado pelos negócios de transportes de sua empresa, a multinacional Virgin, para a luta contra o aquecimento global. A Virgin opera linhas aéreas e ferroviárias. O dinheiro será administrado pela Iniciativa Global Clinton (sim, o ex-presidente dos EUA) e será investido na pesquisa de alternativas ao petróleo como combustível. Na conta de Branson, logicamente, entrou o US$ 1 bilhão que suas empresas gastaram nos últimos três anos com a alta do petróleo.

Proteção de tela e planeta

No site da BBC encontra-se uma forma muito simples de participar das pesquisas sobre as mudanças no clima. Trata-se de um experimento da Oxford University que usa a capacidade de processamento de seu computador nas horas em que ele está ocioso. Basta instalar um programa que funciona como protetor de tela. Quando você não estiver usando o computador, ele será usado para processar os dados da pesquisa. Não é preciso fazer mais nada.

São necessários 10 mil voluntários para o experimento. Essa conta ainda não fechou.