Cibercultura | anacarmen.com

Arquivo da categoria: cibercultura

Conteúdo gerado pelo usuário, jornalismo e Vitória

Vitória, ES Vitória, ES

Prometi deixar disponível para download a apresentação sobre jornalismo cidadão que fiz durante a Semana de Comunicação da Faesa de Vitória.

Você pode fazer o download aqui: www.anacarmen.com/download/jornalismocidadaomaio2008.pdf (um pouco de paciência, porque o arquivo ficou pesadinho e você vai levar uns minutos até conseguir baixar o documento).

E o jornalista, como é que fica?

“Qual vai ser o trabalho do jornalista se todo mundo pode fazer notícia?”, perguntou um aluno. “Como é que essa cultura de colaboração surgiu num mundo cada vez mais individualista?”, disse outro. “Que história é essa de web 3.0?” “Você não acha que essa onda de Twitter é uma coisa de blogueiros que só conversam entre si?” O papo começou assim e foi até o fim do mundo, entre questões técnicas, éticas, existenciais.

Valeu, meus amigos que fiz em Vitória.

Direto de Marte, congresso de e-learning e orgânicos de Piracicaba

Minha lua é azul/ My moon is blue Minha lua é azul/ My moon is blue

Se a vida anda sem sentido, a gente pode assistir ao vivo as peripécias da sonda Phoenix em Marte. Transmissões em vídeo, pelo blog e até mesmo pelo twitter. “My computer is a RAD6000, radiation-hardened” diz a sonda no momento em que escrevo. (Esse programão para o qual, infelizmente, não consigo dedicar nenhum tempo, foi indicado pelo Tiago Doria.)

Se você quiser, pode também aproveitar para ficar mais a par das questões do e-learning e acompanhar até sexta, por audioconferência, o “III Congresso de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa”.

Em vez de pamonha, os orgânicos de Piracicaba. Entre sexta, 30 de maio e o dia 6 de junho o grupo Slow Food Brasil realiza em Piracicaba a Semana do Alimento Orgânico, uma opção menos on-line.

As redes e o jornalismo cidadão

Parabólicas Parabólicas

Converso nesta quinta-feira com estudantes de comunicação de Vitória, durante a 2ª Semana de Comunicação Social da Faesa, que tem como tema “Interdiscursos: as múltiplas vozes no discurso midiático”.

Fui convidada para falar sobre jornalismo cidadão - a produção e divulgação de notícias por quem não é profissional de comunicação. Um dos livros da coleção Conquiste a Rede, da qual sou co-autora, é justamente, “Você faz a notícia - jornalismo cidadão“.

“A separação rígida entre os que fazem as notícias e os que recebem as informações desaparece no mundo virtual. Os profissionais da comunicação têm agora milhares de aliados na tarefa de apurar fatos, conhecer novidades, reunir e comentar informações. Qualquer um pode fazer notícia. O modelo tradicional, que distingue os emissores dos receptores da informação, deu lugar à comunicação feita por meio da colaboração”, escrevemos há dois anos eu e Roberto Taddei no primeiro capítulo do livro.

Nestes últimos dois anos, desde o lançamento do livro (somente pela web, com licença Creative Commons, para permitir que ele tivesse larga distribuição) houve uma explosão do jornalismo cidadão. O fenômeno nem sempre é acompanhado por uma crescente qualidade no material produzido. Muitas críticas são feitas a essa produção.

Eu escrevo sempre aqui no blog sobre os muitos ângulos e questões que o tema traz e costumo dizer que poucas gerações puderam observar uma transformação tão drástica e definitiva na comunicação. Novidades nesse setor mostram que esse fenômeno ainda está em plena transformação.

Para observar a olho nu

Na semana passada, o YouTube lançou o Citizen News, um portal dedicado ao jornalismo cidadão. Há pelo menos dois novos portais em espanhol, o Igooh e o Notícias Latinoamericanas. Em Salvador, na Bahia, foi lançado também recentemente o Boca do Povo, com o slogan “Aqui você faz notícia”.

Ao mesmo tempo em que são poucos os portais exclusivos de mídia cidadã que têm grande repercussão, esses lançamentos mostram a ebulição nessa área. Acredito é precipitado desqualificar a produção do leigo. Tampouco é sensato declarar como valioso tudo o que é publicado.

Fatos, furos e redes

No Brasil, os blogs são a parte mais vistosa dessa tendência. Pelo que posso perceber, eu também apostaria algumas fichas nas redes sociais. Ferramentas que mesclam publicação de conteúdo com uma comunidade on-line têm todos os ingredientes para que o jornalismo cidadão floresça.

Twitter, Friendfeed, Google Reader, Justin TV, entre outros, são serviços que conectam um grupo e permitem a qualquer um acompanhar o que dizem os produtores de informação e de conhecimento, no que prestam atenção os pesquisadores, o que comentam os jornalistas. Oferecem cobertura ao vivo, ás vezes com o requinte de imagem e áudio, cursos, palestras e encontros fechados que cobram caro o ingresso dos participantes.

Essas ferramentas de publicação de conteúdo que também são redes são como um termômetro, revelam o buzz, o que os formadores de opinião consideram relevante agora, as últimas notícias que impactam aquele grupo conectado. Em suma, as redes são ótima fonte de notícias e oferecem material em primeira mão. Muitas vezes antes do que qualquer outro veículo de comunicação.

Questões sobre jornalismo cidadão

Só um muro Só um muro

Questões políticas permeiam a produção do jornalismo cidadão. Encontro essa constatação em dois blogs. Andy Oram, editor da O’Reilly Books, com quem já conversei bastante por e-mail, escreve no O’Reilly Blog sobre os dez anos do Berkman Center for Internet & Society, uma instituição para pesquisa de temas relacionados à internet da Universidade de Harvard. O assunto é a produção peer to peer (p2p, entre pares, ou cidadãos): Yochai Benkler, others at Harvard map current and future Internet.

No blog GJOL, da universidade Federal da Bahia, a indicação é para Reclaiming the Media, um livro disponível para download. Aliás, fiquei sabendo do livro pelo Clico, logo Existo, um cantinho da blogosfera atento à “produção cidadã”, dos que não são profissionais de comunicação.

Política, uma palavra capaz de provocar calafrios em nossa espinha, tão desgastada está em nossa terra brasilis. Aqui no Brasil, política é pior que catapora, varíola, dengue e gripe juntas. Conhecemos o lado chatonildo, corrupto, velho e corrompido dessa força. Nesses dois posts, alívio, encontro um esforço para posicioná-la de uma forma saudável, como um ar fresco que renova nossa forma de pensar. Isso é raro quando se fala em política. Nem eu mesmo sei se acredito nessa palavra, só de ouvi-la me dá um sono.

Andy Oram conta o encontro de vários pensadores que se reuniram para discutir como Harvard pode posicionar-se para levar conhecimento útil para seis milhões de pessoas excluídas no mundo. Ambição assim.

Nesse livro, que ainda não li, encontro um capítulo sobre pluralismo: Making a difference to media pluralism: a critique of the pluralistic consensus in European media policy. Já começo a gostar da idéia. Nessa questão de jornalismo cidadão cintila uma característica: a variedade de opiniões. Só isso já é muito. São possibilidades, promessas, potencial.

O que se faz com isso, onde isso vai dar, se é bom, se é ruim, bem, isso é papo em Harvard, na Bahia, em São Paulo. Até no Irã, que tem a quarta maior blogosfera do mundo, coisa que eu não sabia.

Este blog no Estadão

Saiu neste domingo a reportagem O caos de São Paulo organizado nos blogs, uma matéria supersimpática do Estadão sobre blogs que mostram um lado bacana de São Paulo. Fui entrevistada e fiquei contente não só de ter sido lembrada, mas com esse jeito generoso de olhar os blogs. Estar de bem com a vida é tudo, inclusive numa reportagem. Parabéns aos repórteres Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli.

Cyberbeduínos e outros links legais

1- Uso do Twitter Intermediário Avançado Módulo 1

Como ainda não criaram o rehab para twitteiros compulsivos, eu evito a ferramenta e uso em doses bem comedidas. Não testei nada desses aplicativos que indico. Mas como este é o momento Twitter do Jornalismo, vale a intenção educativa. Até o Roda Viva já usa twitteiros convidados para oferecer a seu público uma versão em 140 caracteres das entrevistas. É uma forma de rejuvenescer o formato cadeira giratória e jornalistas que querem aparecer mais do que o entrevistado.

2- As cores e sua personalidade

Tese de Maria Claudia Cortes em Computer Graphics Design no Rochester Institute of Technology, 2003.

(Esse e os outros próximos dois links foram pescados pelo Renato Targa. Essa apresentação da personalidade das cores é uma graça! A Daniela Ramos também gostou da indicação do Rê e a mencionou em seu blog novo)

3- A comunicação sem fios está modificando totalmente a forma como as pessoas trabalham, vivem, amam e se relacionam com o ambiente e entre si . (”Wireless communication is changing the way people work, live, love and relate to places-and each other”)

Esse artigo da Economist fala em beduínos digitais. São pessoas que podem viver sem endereço fixo de trabalho, de forma nômade, graças ao acesso à internet. Eles podem falar com amigos e a família em um café com wifi enquanto trabalham em seus notebooks. Eles se conectam via celular - iPhones, Blackberries - e escrevem até livros com eles (5 entre 10 romances best sellers do Japão do ano passado foram escritos em celulares).

Segundo o artigo, houve uma fase em que só existiam astronautas. Precisavam levar tudo porque o ambiente não fornecia nada. Carregavam também uma pilha de papéis caso todas as traquitanas eletrônicas falhassem. Depois, houve a fase do caramujo ermitão (na qual hoje ainda me encontro), que leva menos fios e cabos, mas leva uma casinha nas costas.

A evolução do caramujo é o beduíno, que não carrega água porque sabe onde estão os oásis. Com seu smartphone ou iPhone, o cyberbeduíno anda leve e feliz pelo mundo.

4- As tecnologias mais perturbadoras

A web semântica é a número 10. Computadores não conseguem interpretar a informação a partir de um contexto. Para criar inteligência artificial, as pessoas procuram deixar os metadados menos dúbios. Gartner prevê que somente em 2026 haverá uma transição do hipertexto semântico, que é fruto dessas tentativas, para um ambiente verdadeiramente semântico (leia-se, em que as máquinas possam “raciocinar”.)

5- Reino Selvagem - um pouco de humor nessa minha seleção. Aprenda a fazer comedouros para passarinho, churrasco em roda de carro e a aplicar Contact na geladeira velha. Guia de sobrevivência “básico” de um figura ímpar, Emerson von Lehman.

Silent Disco na Virada Cultural

Silent Disco Silent Disco

Mosteiro de São Bento, 1h, ouvem-se as badaladas.

Em frente à igreja, dezenas de pessoas dançam em silêncio, com fones de ouvido.

Vislumbra-se um pedaço do futuro, a relação menos invasiva com o ambiente.

Veja as minhas fotos da Virada Cultural.

O que se comenta a respeito de jornalismo cidadão

Eu e o Francisco Madureira, do Clico, logo existo, conversamos com estudantes de Comunicação do Mackenzie no ano passado sobre jornalismo cidadão. As meninas, muito simpáticas, deixaram comigo a íntegra do papo em CD, um cuidado que nem todo mundo tem. Ponto para elas. Elas também colocaram o vídeo no YouTube e eu acho legal mostrar aqui os trechos que elas escolheram das nossas entrevistas porque o assunto continua chamando a atenção dos estudantes e dos profissionais de comunicação, ontem mesmo conversei com uma repórter do portal Comunique-se a respeito. “Eu acho que a diversidade é a melhor coisa que a gente ganha com isso”, digo nesse papo. Acho mesmo.

Novo milênio trouxe o Botecocamp

MILENIO MILENIO

Neste sábado de sol vários blogueiros e jornalistas reuniram-se em São Paulo para discutir notícias, blogs, web e business plan, nessa ordem. Como eu cheguei muito no final do Newscamp, ouvi alguma coisa (pertinente) sobre business plan para projetos web e vi quando o evento começou a transformar-se em Botecocamp. Boteco é o destino final de qualquer uma dessas reuniões, pelo que pude entender.

Conheci figuras novos e, como sempre, achei tudo muito divertido, embora eu ainda não entenda como tantos jovenzitos inteligentes pratiquem esse esporte radical e tão diferente, a tal da desconferência, que é uma versão renovada dos antigos debates.

Em sábado de sol? Não é exótico ter 20 e poucos anos e passar o dia a discutir Twitter e “mo-ne-ti-za-ção”?

No fim do evento, o Botecocamp deu um toque de fim de tarde na praia a todas essas idéias e trouxe ares do novo Milênio, que você pode ver na foto. Na verdade, Milênio é o nome auspicioso do fornecedor do toldo que cobria as mesinhas do boteco.

Como o tempo anda curto para falar sério e eu não participei de várias das discussões, se você quiser saber mais:

Ah. Tive uma conversa muito original com Renato Cruz, do Estadão, Jorge Cordeiro, jornalista que trabalha para o Greenpeace Brasil e com Juliano Spyer, do Não Zero, gravada pelo Juliano, nem sei precisar exatamente sobre o quê. O Newscamp virava botecocamp e a gente ficou conversando no portão, sem deixar o treco terminar. Mas a conversa estava tão interessante que a gente continuava ali, ouvindo bronca de quem queria encerrar o evento. Quando eu conseguir saber mais, dou o link.

Como são os blogs do Irã

Nem todos os blogs do Irã contestam o regime religioso, descobriu um estudo sobre a blogosfera iraniana feito pelo projeto Internet e Democracia do Berkman Center for Internet and Society, mantido pela escola de Direito de Harvard. A pesquisa revelou que existem hoje na blogosfera persa 60 mil blogs atualizados regularmente.

“Em contraste com a impressão de que todos os blogueiros iranianos são críticos do regime, encontramos uma larga variedade de opiniões representando pontos de vista religiosos conservadores”, diz o resumo do estudo, “assim como blogs seculares com temas que variam de política a direitos humanos, poesia, religião e cultura pop.”

Leia o relatório “Mapping Iran’s Online Public: Politics and Culture in the Persian Blogosphere”

Gravadoras unem-se ao MySpace

Deu no New York Times: MySpace junta-se à Universal, Sony e WEA em site de música. É o “mais novo esforço da debilitada indústria musical para conter o declínio de suas perspectivas”, segundo o jornal.

Pelo que eu entendi, o serviço é gratuito e paga-se com publicidade. Em troca dá streaming, listas personalizadas, grupos de amigos e download. Fala-se em cobrar uma assinatura mensal para download ilimitado.

“Chris DeWolfe, executivo chefe do MySpace, uma divisão da News Corporation, descreve o serviço, que será apresentado no fim deste ano, como um lugar só para toda a música, nas suas variadas encarnações digitais.”

Se as gravadoras não podem combater o download irrestrito, juntam-se a ele, inexoravelmente.

Bonito ser testemunha de algumas mudanças muito rápidas. Comecei a trabalhar justamente nessa área: primeiro tive um programa de rock no rádio, depois pesquisei música no Centro Cultural São Paulo, fui produtora da MTV, repórter da seção cultural de dois jornais, cansei as pernas em shows em estádio de futebol e festivais. O negócio todo mudou tão radicalmente, caramba. Não sobrou nada desse império das grandes gravadoras. Posso ouvir sua queda. “Quem te viu, quem te vê.”

« Posts anteriores