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Redes sociais e blogs são mais procurados que e-mail

Recebo o press release do Ibope Nielsen com números do acesso global com o título: Redes de relacionamento e blogs são agora a 4ª atividade on-line mais popular, acima de e-mail pessoal. Pinço ali outra movimentação relevante: O maior aumento no número de visitantes em sites veio de pessoas com 35 a 49 anos. Copio o press release, sempre útil para quem precisa de índices para a internet:

“Visitado por mais de dois terços (67%) da população on-line mundial, os ‘Member Communities’ que englobam as redes de relacionamento e blogs se tornaram a quarta categoria on-line mais popular – à frente do e-mail pessoal. O crescimento é duas vezes maior que qualquer outro dos quatro maiores setores (busca, portais, software para PC e e-mail), de acordo com um abrangente relatório da The Nielsen Company “Global Faces and Networked Places” (faces globais e lugares plugados) disponibilizado recentemente, documento que revela a nova marca global das redes de relacionamentos.

“Redes de relacionamento tem se tornado uma parte fundamental da experiência on-line mundial” afirma John Burbank, CEO da Nielsen Online. “Embora dois terços da população on-line global já acessem os sites community member, a vigorosa adoção e migração de tempo não mostra sinais de redução. As redes de relacionamento irão continuar a alterar não só o cenário on-line mundial mas a experiência do consumidor. Este estudo mostra como.”

De acordo com o relatório da Nielsen, o Facebook – a rede de relacionamento mais popular no mundo – é acessado por três em cada 10 pessoas on-line por mês, em nove mercados onde a Nielsen pesquisa o uso da rede de relacionamento. O Orkut no Brasil possui o maior alcance on-line doméstico (70%) que qualquer outra rede de relacionamento nestes mercados.

O relatório fornece insights sobre a constante mudança no tamanho e composição da audiência da rede de relacionamento global e sobre a crescente participação do tempo na internet que isto representa. O estudo também analisa como os principais provedores estão convivendo e o que os publicitários e editores podem fazer para tirar vantagem deste fenômeno de rede de relacionamento.

Outras descobertas chaves incluem:

- Um em cada 11 minutos on-line no mundo é decorrente dos sites de redes de relacionamento e blogs;

- A audiência das redes de relacionamento e blogs está se tornando mais diversificada em termos de idade: o maior aumento nos visitantes dos sites Member Community no mundo vem do grupo com 34-49 anos de idade (+11.3 milhão);

- Celulares estão tendo um crescente e importante papel nas redes de relacionamento. A Nielsen descobriu que a rede de celulares na Inglaterra possui a maior propensão de acessar as redes de relacionamento via seus aparelhos portáteis, com 23 % (2 milhões de pessoas), comparado com 19% nos EUA (10.6 milhões de pessoas). Estes números representam um grande aumento desde o ano passado – 249% na Inglaterra e 156% nos Estados Unidos.

“As redes de relacionamento não estão apenas crescendo rapidamente, mas também evoluindo em abrangência de audiência assim como adquirindo novas funções,” diz Alex Burmaster, autor do estudo e Diretor de Comunicações através da EMEA para a Nielsen Online. ” Nos sentimos obrigados a analisar o status do mercado global das redes de relacionamentos e considerar quais as implicações que isto traz para nossos clientes, editores e publicitários.”

Entre os mercados que a Nielsen mensurou, a penetração das visitas as redes de relacionamentos e blogs foram maiores no Brasil, onde 80% da audiência on-line acessa tais sites. A participação do tempo geral na internet nas redes de relacionamento e blogs também foram maiores no Brasil, onde quase um em quatro (23% minutos gastos on-line são usados nestes tipos de sites.”

Links legais

Nunca terei tempo de compartilhar as descobertas. Para não dizer que tudo passou em branco, hoje parei para listar algumas:

1- O indivíduo, o movimento e a cidade.

Chris Esteves, coreógrafa, convida para debates na Casa das Caldeiras. O próximo debate é dia 23 de março, com Peter Pal Pelbart.

2- Para monitor notícias

Media Cloud, ou nuvem de notícias. Como elas são dadas, em que extensão, por quem. Lançamento do Berkman Center.

2- Os blogs das crianças

No blog da pequena Luna, uma aventura de bicicleta Tandem pelas pedras do Morro do Sabão.

A baby Alice chega para animar a festa. No Nhoc.

3- O amigo traidor

Tony de Marco escreve sobre os flagrantes do “jornalismo cidadão”.

Trechinho: “O povo vai misturando todo tipo de conteúdo pirateado com todo tipo de efeito manjado, sem medo de ser feliz.”

Solidão binária

A canoa virou A canoa virou

Alguém me escreve pelo formulário de contato deste blog, diz que trabalha em um escritório de arquitetura e pede o meu catálogo. Eu não tenho nem álbum de figurinhas.

Ultimamente, meu blog leva a vários mal entendidos.

Depois que fotografei luthiers e escrevi um post sobre eles, músicos pediram para que eu agendasse shows. Depois que eu escrevi sobre adoção, pessoas de vários países procuram informações sobre assunto, perguntas de toda a sorte, do tipo: “Posso adotar se for solteira?”

Procuro responder e mostrar o caminho das pedras, mas quem lê o que escrevi? As placas do Google são as únicas coisas que esses visitantes enxergaram.

O banco Itaú me envia um convite para um novo cartão de crédito.

Liquidações, novas coleções de estilistas e newletters de todas as redes sociais fazem volume em minha caixa postal.

O verbete solidão do mundo digital deve ser algo próximo disso.

Post Scriptum: Fui dar uma voltinha e pensei melhor. Voltei para falar um pouco mais sobre essa comunicação sem conversa. Sempre falei que blogs são conversas. Tá lá, escrito no livrinho da coleção Conquiste a Rede. As mensagens a que me refiro são como garrafas que trazem bilhetes e vão bater na areia de uma ilha, garrafas enviadas por náufragos. O mar é o Google, o search engine, o mecanismo de busca. Lá, se você digitar algumas palavras-chaves, recebe uma indicação para o meu blog logo na primeira página de respostas.

Às vezes, o robô considera minha página realmente relevante e meu post é a resposta.

Desavisados, os visitantes deixam aqui a pergunta que queriam fazer. E eu ouço, admirada. O que será que essa pessoa entendeu que eu faço? Eu não agendo shows, eu no máximo vou a um show. Por que alguém me enviaria seu número de registro da Ordem dos Músicos para mostrar que realmente toca bem, é certinho e profissional?

Por que as pessoas que querem saber detalhes sobre o processo de adoção não lêem quando respondo a elas que devem procurar a Vara da Infância e Juventude para esclarecer os pormenores da história individual? Que não sou advogada e que não gostaria de prejudicar o anseio de ninguém? Porque, cá entre nós, né, adoção pode ser uma coisa muito bacana…

Acrescentaria mais ecos da solidão digital, binária, O-1 ou 1-0. Os “seguidores comerciais” que eu ganho diariamente no Twitter. Eles querem que eu “ouça” o que eles estão falando, em prol de algum cliente. Às vezes, o cliente até vale a pena, como o personagem @vitorfasano. Mas é engraçado que eu “ganhe seguidores” em uma fase em que estou mais calada que tatu-bolinha, nunca falo nada nesse twitter. Entro nessa ágora como quem pega elevador errado: Entro, leio algo e ops, já saí.

Se você me lê e não é spider do Google, sei lá, conte o que acha dessa história toda. Is anybody home? ALô, alô, alguém aí? Câmbio?

Lessig quer saber o que é conteúdo comercial

Mais Creative Commons Mais Creative Commons

Lawrence Lessig, da Creative Commons, quer saber de nós, produtores de conteúdo, o que achamos que é comercial e não comercial, para aperfeiçoar as licenças CC.

Respondi hoje a um questionário longo, sobre o tema (dica do Felahuer, via twitter). Colocar conteúdo em uma página que tem anúncio, banner ou que gera indiretamente algum benefício é comercial?, pergunta o questionário.

Se você quiser responder, está aqui, no blog do Lessig.

Chutar o balde é uma arte

Tem coleção de tudo, até de textos afiados. Achei dois.

No blog do André Forastieri, As regras do Jogo, um post bacana sobre propriedade intelectual que nos explica direitinho o que fazer com os contratos que assinamos com empresas cedendo os direitos sobre nossos textos e fotografias para todo o sempre.

“É uma completa insanidade alguém querer controlar como seus textos/fotos/qualquer coisa digitalizável. A tecnologia não permite proteção eficiente e consumidor não quer. Com toda a admiração que tenho pelas licenças do tipo Creative Commons”, diz Forastieri, “não me meto a querer legislar sobre o uso que você quiser fazer do que está escrito aqui. Até porque não tenho como controlar. E sei disso faz tempo.”

Interessante reflexão vinda de um diretor editorial (PC Magazine, entre outras publicações). Copio abaixo outro trecho desse texto:

Nós não vamos pagar nada daqui pra frente

“A grande pergunta é: os criadores vão continuar produzindo sem a expectativa de retorno financeiro – sem a chance de ficar milionários? Spielberg, os Racionais, escritores, editores, criadores de softwares e games vão morrer de fome? E as empresas de comunicação, vão falir ou vão se reinventar?

Ninguém sabe responder. Mas enfrentar o copyleft, o movimento do software livre e a pirataria é derrota certa. Nós não vamos pagar nada – e cada vez mais gente sabe disso.”

O segredo de se dar bem no mundo digital

Intercon e um post meio pessoal“, de Alê Nahra, explica aquela sensação de paralisia que se apossa de quem pensa muito antes de fazer porque quer fazer direitinho. Aí aparece um desatinado sem loção e faz de qualquer jeito e se dá bem. Os “revolts” se perdem no diálogo com seu superego artístico enquanto os desatinados mandam bala. Copio um trecho:

“Monetização – lindo se fosse tornar as coisas mais Monet, haha. Mas é tornar as coisas mais rentáveis, fazer dinheiro com a web – com um blog, um site, um aplicativo. Nada contra, eu também adoro ganhar dinheiros. Mas antes de pensar em “monetizar”, os novos gênios jovens do mercado digital precisam primeiro pensar em coisas mais básicas, como criar diálogos que as pessoas querem ter – e não empurrar goela abaixo conteúdo inútil e irrelevante. Tem gente que quer monetizar o blog mas precisa antes é aprender a escrever.

Eu faço parte da turma dos revolts. Sempre fui do contra. Não sou do tipo que tampa o nariz e acredita. Então, tem muita coisa no “mundinho da internet” que me dá dor de estômago. No domingo fui almoçar com o amigo @exucaveiracover, outro revolucionário que não acredita em hypes, e soltamos o verbo. Pelo menos eu não estou sozinha.

Tem um grande amigo meu que um dia me ensinou o segredo de se dar bem em São Paulo, e pode ser também o segredo de se dar bem no mercado digital. Diz ele: “em terra de cego, quem FINGE que tem um olho é rei”. Tem gente que finge tão bem que engana até a si próprio – esse é o segredo. São esses os caras que vão lá e fazem. A minha turma dos revolts deveria aprender pelo menos isso com eles. A gente fica se questionando, duvidando da própria capacidade, e acaba não fazendo nada.”

Sugestões para o Campus Blog do Campus Party

Eu e Edney Souza, coordenador da programação do Campus Blog, uma das áreas do Campus Party,  conversamos esta semana, via e-mail. Ele me procurou depois de ler o post que escrevi sobre blogs e jornais, uma relação que tem a passionalidade de uma paixão de tango. Dizia ele no e-mail: “Gostaria de saber o que você gostaria de ver na programação do Campus Blog desse ano, ela ainda não está fechada, então dá pra mexer um pouco.”

O que respondi, acho melhor publicar aqui. A Lúcia Freitas, sempre antenada, citou as críticas que fiz no post sobre a paixão de tango em seu Ladybug e eu não quero deixar impressão de que minhas críticas são soltas no ar.

Ando sem motivação de ouvir os mesmos pontos de vista sobre a blogosfera. Faço parte do grupo que pensa e fala sobre o assunto e ele é pequeno, o que é compreensível, pois nosso país não é um mar de letrados e a web é um nicho que reúne um número limitado de pessoas que querem pensar sobre o que é possível fazer na rede. Dá para fazer muita coisa e hoje já estamos em um momento em que o básico está em andamento. “O que mais dá para fazer?”, pergunto.

Copio meu email para o Edney, com algumas “sugestões-chinelo-havaiana”, despretensiosas e escritas de bate-pronto.

Pensar o futuro

“O que mais sinto falta na discussão da blogosfera é pensar o futuro, observar as tendências.

Para pensar no blog sob o ângulo da comunicação (e não somente dos negócios, da tecnologia etc), existe na USP um grupo chamado Com+ da qual fazem parte o Renato Targa, Beth Saad, Daniela Bertochi, Daniela Ramos, Francisco Madureira, Carol Terra, todos ligados a mídias sociais, talvez você possa convidá-los para a conversa. Na Bahia, o grupo do GJol é muito bom, eu também os colocaria na história.

Fora do mundo acadêmico, há um movimento interessante de mulheres que defendem parto natural,  amentação e temas afins, do qual a Bianca Santana, por exemplo, faz parte. Elas usam blog para se  comunicar e criaram as sessões de cinema para bebês e mamães. Acho esse movimento interessante, é o blog totalmente incorporado à vida familiar. Você encontra os contatos no Gama.

Nesse mundo de blogs e crianças, que por razões práticas me chama nesse momento atenção, há muita coisa curiosa, como o Diário de um Grávido e o Para Francisco, um blog criado para o filho conhecer o pai que morreu antes de ele nascer.

Para quem não tinha sugestões, até que dei algumas, assim de bate-pronto, não é? Nada que ajude muito, mas o que eu acho importante é tentar arejar o ambiente de discussão, às vezes eu vejo o grupo dos mesmos de sempre em vários eventos, falando das mesmas coisas ou evoluindo em suas opiniões, que não deixam de ser interessantes, mas é bom olhar para o que ainda não foi contemplado, para o que vem por aí, para o coro dos descontentes.

Desejo a vocês inspiração e sucesso. Estou aqui às ordens, interessada em participar.”

Família ligada pela internet

Logo depois de enviar essa mensagem, consegui ler alguns feeds atrasados. Sou mãe de um bebê de 10 meses e tem sobrado menos tempo para navegar. Encontrei uma pesquisa do Pew Internet Project de outubro que confirma meu comportamento como tendência: as famílias criam novas conexões com ajuda da web.

“Technology is enabling new forms of family connectedness that revolve around remote cell phone  interactions and communal internet experiences”.

Trocando em miúdos, a pesquisa diz que, embora alguns tivessem medo de que a tecnologia separasse os integrantes de uma família, este estudo revela que os pais usam seus celulares e a internet para coordenar e interligar suas vidas e a de seus filhos.

Tudo a ver com essa conversa sobre blogs e bebês e família e internet entrando na nossa vida prática para ficar.

Blogs e jornais, paixão de tango

Jornais e blogs, jornais ou blogs, jornais versus blogs, blogs de jornais e até jornais de blogs. Essas duas substâncias díspares e ao mesmo tempo afins estão em discussão em vários posts que li e não se avista consenso nesse caso de paixão de tango.

1- Interney divulgou hoje alguns dos nomes que participam da próxima edição do CampusBlog, uma das áreas do Campus Party 2009.

Como o próprio Edney Souza, que organiza a programação desta edição, fala sempre em formas possíveis de ganhar dinheiro na web e, em particular, com blogs, esse aspecto do debate sobre a blogosfera foi contemplado na lista de discussões, onde leio “monetização” e “empreendedorismo digital”.

Curiosa, procuro as novidades “desta estação”, será que tem alguma? “Miguxas na web”? Ah, não, isso já rendeu. “Mulheres e blogs”? Parece tão antigo quanto “Homens e blogs”. Falando sério: jornalismo, ética e mídia, moral, direito digital, sexo, mobilidade e até política, temas que aparecem na programação, dão o molho básico para começar a cozinhar as tendências da web.

2- Publico.org é um projeto de jornalismo colaborativo que traz nomes conhecidos, como o do Rodrigo Savazoni, Pedro Markun, Paulo Fehlauer, Ceila Santos. “Nosso objetivo é realizar uma cobertura jornalística cidadã, apartidária, colaborativa, plural, diversa, multimídia e hiperlocal da cidade de São Paulo”, explicam.

Não entendi se o projeto está se organizando ou se organizado está. Os posts são poucos, esparsos, sem uma freqüência, o último foi ao ar em agosto. Talvez a cobertura seja feita nos blogs e endereços de cada um dos participantes e a comunidade se agrupe ali para se apresentar como grupo, não entendi. Mas foi por meio do Público que acabei achando debates outros capítulos sobre o que chamei, só para variar, de paixão de tango e que menciono abaixo:

3- Vários nomes para a mesma coisa, assim eu e o Roberto Taddei falávamos em 2005 sobre jornalismo cidadão. Daniela Bertocchi discorda e explica a diferença entre jornalismo cívico e jornalismo cidadão, em entrevista do ExuCaveiraCover.

O “jornalismo participativo” (colaborativo) ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função ativa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias e informações”, diz Bertochi. “O “jornalismo cívico”, por outro lado, procura encorajar a participação, mas as organizações noticiosas mantêm um elevado nível de controle através da determinação da agenda temática, da seleção dos participantes e da moderação das conversas.”

Continuo discordando e considero participativo e colaborativo os nomes mais bonitos. E só.

4- Em O Jornalismo Morreu, encontrei ainda uma entrevista com Beth Saad, parceira de blog da Daniela e professora da USP, sobre… O destino dos jornais. “O poder ainda não rejuvenesceu e, mesmo aqueles mais jovens que estão muito próximos do nível de decisão, ainda estão sob a tutela de uma cultura empresarial muito forte, arraigada a valores familiares e ao tamanho do poder social e de formação de opinião que o jornalismo supostamente possui”, diz Beth Saad.

Concordo com o comentário, que me lembrou a letra de uma música: “Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não…”

5- Donos da Mídia www.donosdamidia.com.br - Um projeto de cartografia dos grupos de mídia brasileiros.

“Produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), entidade parceira do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, e idealizado pelo jornalista Daniel Herz, Donos da Mídia, é uma grande, inédita e valiosa base de dados sobre os grupos de mídia do Brasil”, explica o excelente blog da UFBA Jornalismo e Internet – GJol.

Donos da Mídia traz artigos que falam em “concentração da mídia e coronelismo eletrônico”, por exemplo. Nesta “Comparsita”, podem trazer ângulos interessantes para a paixão de tango.

Julie/Julia ou como comer um blog

Julie/Julia Julie/Julia

Ganhei este livro de aniversário de minha amiga Lu Terceiro e do Daniel Doro. Nesses meus tempos de trocas de fraldas, pouco sono e pouco tempo para lazer adulto, “Julie/Julia”, escrito pela norte-americana Julie Powell, foi meu amigo nos poucos minutos que me sobram antes de cair no sono, passada de cansaço.

Já percebi que um bebê tem ação um pouco anticultural na vida da mamãe que acaba de se tornar mãe. Francisco trouxe um repertório de cantigas de roda e quadrinhas d’antanho muito divertido para minha vida, mas colocou por algum tempo a literatura, os blogs, a culinária, o cinema, a música e quaisquer outros assuntos adultos em segundo, terceiro, quarto e quinto plano. Mandou tudo para plano algum, sendo bem franca. Por isso, o livro de Julie Powell caiu bem nesses tempos de papinhas turbinadas, me conectava com o mundo adulto.

Julie gosta de se apresentar como uma desequilibrada maluca por vodka-tônicas que encasquetou de preparar 524 receitas em 365 dias e narrar suas experiências em um blog.

As receitas vêm de um livro sobre culinária francesa de Julia Child, uma espécie de Dona Benta que tinha um programa de TV nos Estados Unidos popular como o de Ofélia aqui no Brasil.

Julie decidiu cozinhar feito louca depois do trabalho a troco de nada, criou para si um desafio que preenchesse seu vazio existencial. De dia, era secretária de uma repartição pública ligada à reconstrução do Ground Zero, o local onde houve o atentado de 11 de setembro. De noite, encarava coisas fora de moda como extrair o tutano de uma pata de vitelo para fazer uma porcaria chamada Aspic, com ovos incrustrados lá dentro desse mocotó – ciente do despropósito o tempo todo.

O livro de Julia Child ensinou uma geração de donas de casa americanas a cozinhar pratos franceses. Isso na década de 40.
Julie Powell o transformou em uma forma cult de adiar a decisão de ter filhos.

Para mim, Julie/Julia foi uma leitura leve e amanteigada, digamos assim, sobre uma americana porcalhona e perdida na vida que resolveu escrever palavrões em um blog, servir jantares às onze da noite diariamente e canonizar seu marido, tudo simultaneamente.

Fiquei chocada foi com o orgulho que ela sente em contar como não limpava a cozinha, onde nasceram larvas sob o secador de louças. Oh, céus. Lembrei-me do banco traseiro do carro da amiga americana de minha tia, cheio de meias de nylon usadas e embalagens de hamburger to go. Inesquecível a viagem que fiz nesse banco traseiro cheio de lixo. Quando uma americana negligencia a limpeza, ela sabe como ir longe nisso.

Vida de dona de casa é um mistério, me conte como ter tempo para limpar, escovar, cozinhar, brilhar, ler, entreter, receber, meditar e tudo o mais, sem o surgimento de larvas sob o escorredor de pratos.

Dois anos de blog

Koi Koi

Dias atrás, em 23 de agosto, o blog fez aniversário. O primeiro post, publicado dois anos atrás, chamava-se Os olhos do telescópio Chandra. Eu falava sobre matéria escura e blogs:

“Se mais de três quartos do universo são feitos de mistério, pensei, posso começar a escrever. Algumas vezes, os temas são como a matéria escura, que existe e ninguém ainda sabe o que é.”

É pique pique! Vale comemorar esses dois anos de anotações digitais. Fiz amigos, conversei, escrevi bem, escrevi mal, fotografei bastante. Bolhinhas de ar para todo lado :)

Conteúdo gerado pelo usuário, jornalismo e Vitória

Vitória, ES Vitória, ES

Prometi deixar disponível para download a apresentação sobre jornalismo cidadão que fiz durante a Semana de Comunicação da Faesa de Vitória.

Você pode fazer o download aqui: www.anacarmen.com/download/jornalismocidadaomaio2008.pdf (um pouco de paciência, porque o arquivo ficou pesadinho e você vai levar uns minutos até conseguir baixar o documento).

E o jornalista, como é que fica?

“Qual vai ser o trabalho do jornalista se todo mundo pode fazer notícia?”, perguntou um aluno. “Como é que essa cultura de colaboração surgiu num mundo cada vez mais individualista?”, disse outro. “Que história é essa de web 3.0?” “Você não acha que essa onda de Twitter é uma coisa de blogueiros que só conversam entre si?” O papo começou assim e foi até o fim do mundo, entre questões técnicas, éticas, existenciais.

Valeu, meus amigos que fiz em Vitória.

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