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Para os Franciscos

da cor de seu cabelo da cor de seu cabelo

Há cinco meses Francisco, meu filho, chegou, como um sol.

Francisco, meu avô, faria hoje 102 anos.

São parecidos na alegria, no gosto pela música e no mapa das minhas afeições. Nome bonito, Francisco. Amigo de Clara, autor de Carolina.

É como na quadrinha: Viva eu, viva tudo, viva o Chico barrigudo!

É para bebês, é legal

brinquedolândia brinquedolândia

Meu bebê chegou de repente, não tive aquele momento enxoval e não sou exatamente uma rata de lojinhas (por falta de tempo e não de vocação para xeretar). De vez em quando, compro pontualmente alguma coisa que Francisco precisa.

Na semana passada, por exemplo, saí à procura de uma sandalinha para o verão e acabei com um modelo Crocs Otter todo ajustável, de velcro. Não chega a ser um achado, pois cada dinossauro na sandalinha custou uma grana, mas a sola, ao menos, é molinha. Quem teve a idéia de fabricar calçados para bebês com solas duras? Que heresia! Não ajuda nem o aprendizado dos movimentos, nem os pezinhos. Por isso guardei esse link de sapatinhos da Bb Moderno. Quem sabe ainda vou usar.

Descobri que o mundo dos bebês é cheio de mistérios, não existe nenhum endereço que resolva tudo e da melhor forma. Rapidamente, de forma indolor, como eu gostaria. Por isso, pensei em dividir os achados que aos poucos faço e que saem do convencional (Alô Bebê e Ecobaby sempre me salvam, eu seria ingrata se não mencionasse essas lojonas). Aí vai minha primeira listinha:

Lençóis dos sonhos: você encontra o enxoval mais legal na Panacéia. Eu disse o mais legal, não o mais em conta.

Sem cara de bobo: Moshi Kids é tudo de bom. Essa grife para bebês tem bodies do Ultraseven, toy art, roupinhas que deixam seu bebê fofo, mas sem cara de Disneylândia. A lojinha, na rua Harmonia, fica tão escondida que é melhor levar o endereço. Ah, e os preços são bons. Mini-humanos tem várias coleções interessantes. O preço é mais salgado do que eu gostaria. Ronaldo Fraga para bebês: A estampa de bolacha Maria é fantástica. Ah, as roupitchas têm preço de grife Ronaldo Fraga, óbvio. Boas para olhar.

Bazar: Dias 7,8 e 9 tem Baby Bum na 9 de Julho, no antigo Sacre Coeur. Já ouvi falar que o forte não são os precinhos camaradas, mas a diversidade de coisas fofas, descoladas e afins. Acho que vou espiar, sim, se puder.

Comida de bebê: Baby Sol é um site português que se destaca pelo bom senso. Leio ali coisas interessantes, aprendo com os posts. Crianças na Cozinha já é outro papo. Natureba que sou, não encontro muita coisa entre tantas receitas de caldo de carne feito em casa. Mas sei lá, quem sabe daqui a um tempo encontre, já que para os maiorzinhos há várias receitas de cookies, biscoitos e bolos, além de pratos feitos no forno, coisa que adoro.

Julie/Julia ou como comer um blog

Julie/Julia Julie/Julia

Ganhei este livro de aniversário de minha amiga Lu Terceiro e do Daniel Doro. Nesses meus tempos de trocas de fraldas, pouco sono e pouco tempo para lazer adulto, “Julie/Julia”, escrito pela norte-americana Julie Powell, foi meu amigo nos poucos minutos que me sobram antes de cair no sono, passada de cansaço.

Já percebi que um bebê tem ação um pouco anticultural na vida da mamãe que acaba de se tornar mãe. Francisco trouxe um repertório de cantigas de roda e quadrinhas d’antanho muito divertido para minha vida, mas colocou por algum tempo a literatura, os blogs, a culinária, o cinema, a música e quaisquer outros assuntos adultos em segundo, terceiro, quarto e quinto plano. Mandou tudo para plano algum, sendo bem franca. Por isso, o livro de Julie Powell caiu bem nesses tempos de papinhas turbinadas, me conectava com o mundo adulto.

Julie gosta de se apresentar como uma desequilibrada maluca por vodka-tônicas que encasquetou de preparar 524 receitas em 365 dias e narrar suas experiências em um blog.

As receitas vêm de um livro sobre culinária francesa de Julia Child, uma espécie de Dona Benta que tinha um programa de TV nos Estados Unidos popular como o de Ofélia aqui no Brasil.

Julie decidiu cozinhar feito louca depois do trabalho a troco de nada, criou para si um desafio que preenchesse seu vazio existencial. De dia, era secretária de uma repartição pública ligada à reconstrução do Ground Zero, o local onde houve o atentado de 11 de setembro. De noite, encarava coisas fora de moda como extrair o tutano de uma pata de vitelo para fazer uma porcaria chamada Aspic, com ovos incrustrados lá dentro desse mocotó - ciente do despropósito o tempo todo.

O livro de Julia Child ensinou uma geração de donas de casa americanas a cozinhar pratos franceses. Isso na década de 40.
Julie Powell o transformou em uma forma cult de adiar a decisão de ter filhos.

Para mim, Julie/Julia foi uma leitura leve e amanteigada, digamos assim, sobre uma americana porcalhona e perdida na vida que resolveu escrever palavrões em um blog, servir jantares às onze da noite diariamente e canonizar seu marido, tudo simultaneamente.

Fiquei chocada foi com o orgulho que ela sente em contar como não limpava a cozinha, onde nasceram larvas sob o secador de louças. Oh, céus. Lembrei-me do banco traseiro do carro da amiga americana de minha tia, cheio de meias de nylon usadas e embalagens de hamburger to go. Inesquecível a viagem que fiz nesse banco traseiro cheio de lixo. Quando uma americana negligencia a limpeza, ela sabe como ir longe nisso.

Vida de dona de casa é um mistério, me conte como ter tempo para limpar, escovar, cozinhar, brilhar, ler, entreter, receber, meditar e tudo o mais, sem o surgimento de larvas sob o escorredor de pratos.

Sou mamãe

varal de brinquedos varal de brinquedos

A novidade chegou em junho: Francisco, meu filho.

Foi um forrobodó. Eu estava em Vitória, era noite de quinta-feira quando recebi a notícia de que poderíamos adotar uma criança. Fiquei ainda mais um dia no Espírito Santo com aquele alvoroço dentro de mim, sem comentar nada com ninguém, só aquela possibilidade ali a me espiar.

Sobraram algumas horas de tempo livre em Vitória e eu aproveitei para visitar o convento da Penha, onde chorei com a cumplicidade da santinha, que segura um bebê no colo. Nesse convento que foi freqüentado por Anchieta, a emoção aflorou em forma de riso e lágrimas misturados. Embalei a novidade e observei durante mais de hora o mar, os barcos e o vôo de um urubu que aproveitava a corrente de ar. Até segunda, no entanto, nada foi. Deixei tudo para ser quando estivesse confirmado.

Foi assim, então, que de uma segunda para uma terça a vida deu uma pirueta e nunca mais foi a mesma. Ganhei uma alegria sem fim. Francisco é gente boa, é fofo, é bonito até não poder mais, um menino que conquista corações.

Naquela segunda-feira, eu e Renato tivemos apenas uma hora e meia para comprar um bercinho de viagem, uma mamadeira, um pacote de fraldas, uma chupeta, uma roupinha, uma lata de leite, um disso e um daquilo. Foi tudo doce e completamente maluco.

Quase três meses depois, ainda sentimos como a falta de preparo nos pegou de jeito. Mas aos poucos nos ajeitamos. Aliás, muito rapidamente nos ajeitamos. Um bebê é cheio de coisinhas muito específicas (colherinha de bebê, por exemplo, é de látex molinho, não serve colher de café que a gente tem na gaveta da cozinha). Por isso, nos ajeitamos a toque de caixa, sem tempo para observar o vôo de pássaros.

Já temos berços (isso, no plural), mamadeiras, roupinhas suficientes.

Já recebemos visitas. Muitas. Celebramos com os amigos, apresentamos o baby para a minha família e a família do Renato, já o introduzimos nas reuniões barulhentas em que todo mundo fala ao mesmo tempo. Perdi a conta das tias, primas e vovós que o levaram do nosso colo para dar beijinhos e voltinhas na sala. Francisco conquista corações e é muito querido. Comemorei em julho no interior, nesse quintal que aparece na foto, seus 7 meses, com bolo, velinha, língua-de-sogra, sorvete, bexigas. O pai estava em viagem de trabalho, teremos de fazer outras festas de mensário, que beleza.

Nessa viagem a um outro lado da vida, o blog, o e-mail, as aulas, as palestras e os encontros foram todos para o espaço. Houve até quem não entendeu direito o post anterior, embora a roupinha ali no cabide para secar, aquela “uma roupinha para começar tudo”, a meu ver explique muita coisa.

Explico, então, tim-tim por tim-tim: sou mamãe e não sobra tempo para bulhufas. Por um período imagino que o ritmo será esse. Sem tempo para conversar aqui no blog.

Parei hoje aqui graças à porcaria de uma virose. Estou longe do Francisco para que ele não pegue esse bichinho também (se bem que, com certeza, ele é imune, pois continua com ótima saúde, apetite e humor). O pai foi passear com ele ao ar livre, para aproveitar o horário bom do sol e eu fiquei aqui, escrevinhando.

Nos últimos meses li alguns livros - todos sobre bebês, obviamente. O que esperar no quinto mês de vida, como preparar a comida, quais os cuidados a tomar quando ele começar a engatinhar. O desenvolvimento da linguagem. Chupeta or not chupeta?

Ontem, indisposta, perdi o sono e fiquei lendo o que as amigas de uma lista de discussão chamada “Materna SP” falam. Fiquei a fim de usar sling, um paninho para carregar Francisco no colo. Quem sabe sem abusar tanto da minha coluna, já que o cara é fortinho.

Sendo assim, ainda não sei para onde corre esse rio. O blog sempre falou de comunicação e tal, agora eu quero mais é saber onde acho o sling (no Gama, nesse site babywearing e na loja Maria Barriga eu já sei que tem). Não deixei de gostar de comunicação, nessa noite já li as novidades sobre o mundo da mídia social, dos blogueiros, dos jornais etc. Mas devo ser sincera: meus olhos voltam-se para essa incrível discussão sobre a quantidade de sal a colocar na papinha. O que é irrelevante para a maioria dos que passeiam por aqui, eu sei. E que nem será mais tão importante daqui a um tempo, quando eu já estiver em outro estágio dessa história e o sling tornar-se impraticável para um meninão :)

Como eu disse, ainda não sei para onde correrá esse rio.

Novidade

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A vida tem dessas delicadezas…

Vou sumir por um tempo da vida on-line, que as providências da vida prática me chamam.

Até breve.