Brincar na calçada
Dia 12 vem aí e Francisco vai ganhar um livro com pop ups que traz sons de baleia, golfinho e ondas do mar. Encantamento meu com o livro, coisa minha, que não sou pródiga em presentes para ele. Sou contida, digamos assim, perto do que vejo ao meu redor.
Para Francisco, dia da criança é todo dia. Para mim, dia 12 é um pretexto para dar o livro. Se eu o presenteasse com mais uma bola, ele ficaria bastante feliz, embora já tenha a favorita, azul, brinde da barraca de pescaria de uma festa junina. Francisco ainda não pede presentes caros. Bola e raquete de ping-pong é a onda do momento.
Criança precisa de tempo e espaço para explorar seus brinquedos. Não precisa de tantos. Acho.
Gostei do mapa do brincar que a Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo, divulgou. É muito bom resgatar brincadeiras antigas e preservar as tradições. É bom brincar com pouco, com nada, com a imaginação.
Eu e outros pais, como a Luciana Terceiro, mãe da Alice, estamos de cabelo em pé com o consumo que envelopa a infância. Propaganda dirigida a criança é um absurdo, como mostra o documentário Criança, a Alma do Negócio.
Infância hoje é como reserva de mata nativa, desprotegida diante dos interesses comerciais. Nesse sentido, a Luciana indica em seu blog a Alana, uma instituição que busca proteger as crianças do consumismo.
Eu me sinto perdida nesse mundo de lançamentos de coisas de plástico e eletrônicos. Tudo é muito caro, tudo é marketing e embalagem. Faço um esforço para navegar em outras águas. Francisco ainda não entende nada disso, mas já reconhece alguns bonequinhos “de marca”. Lá vamos nós… como será o Dia das Crianças daqui a alguns anos?
Outra coisa: maquiagem e salto para menininhas, desculpem a caretice, para mim é algo estranho, muito estranho.