Paul Klee, 1928, coleção do MoMa.
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Quando o grafite vai ao museu
Multidões lotaram o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles entre abril e o início de agosto para ver Art in the Streets, sobre a história do grafite. A mostra teve uma visitação recorde – deu no NYT. Ultrapassou a liderança anterior do Moca, obtida por uma retrospectiva de Andy Warhol. Placar favorável para os grafiteiros.
Em São Paulo, o Masp abre essa semana a segunda edição de uma mostra sobre grafite. Já dá para ver pela cidade vários trabalhos de Invader, um dos grafiteiros gringos convidados a participar da mostra. Como eu sou fã de grafite bem feito, acho tudo de bom nisso.

Press release: “Uma versão internacional da mostra De Dentro para Fora | De Fora para Dentro, que em 2009 e 2010 levou mais de 140 mil visitantes ao MASP, poderá ser vista na cidade a partir de 17 de agosto. De Dentro e de Fora, que fica em cartaz no Museu e imediações até 23 de dezembro de 2011, traz ao Brasil alguns dos mais importantes nomes da arte urbana mundial, vindos dos Estados Unidos, Argentina, República Tcheca e França.”
100 pontos por essas fotos
Descobri que fiz 50 pontos em cada uma dessas fotos que tirei dos space invaders em São Paulo. O jogo foi inventado pelo grafiteiro, um reality show, como ele explica em seu site. No mapa, as fotos correspondem aos trabalhos 04 e 42.
Melim pós Cidade Limpa: o olho agradece
São Paulo baniu os outdoors do Minhocão, os letreiros que cobriam a fachada das lojas e minimizou os logotipos com a lei da Cidade Limpa. Um artista, Tony de Marco, o pixotosco, até ficou famoso com uma serie de fotos chamada No Logo, que rodou museus da Europa sob o impacto do vazio instaurado há quatro anos pela lei, especie de lei seca para a publicidade em espaços públicos. Pois o jogo mudou: uma galeria de arte, Choque Cultural, com o patrocínio de uma companhia aerea, ocupa esse vazio deixado pelo logos com um painel bonitão, de 25 m x 33 m, em prédio da Avenida Prestes Maia. É marketing, mas é mkt de outro jeito. A publicidade encontra um caminho e ele é criativo, veja só.
Daniel Melim cita Roy Lichtenstein. Acrescenta-se mais uma camada a essa reflexão visual, que envolve arte, mercado, urbanismo e até “serendipity”, palavra difícil de traduzir, coincidência ou engano fortuito em uma troca de emails que leva a este post.
Quatro meses
O painel de Melim fica por quatro meses em frente à adorável Pinacoteca do Estado, em diálogo com sua vetusta arquitetura, os jardins do parque mais antigo da cidade, os trens e tudo o mais.
Leio no press release: “Em sua obra constam a participação no Cans Festival, evento de arte organizado por Banksy em um túnel de Londres em 2008, Bienal de Valência em 2007, a exposição coletiva De dentro para fora/ De fora para dentro, no MASP entre 2009 e 2010, além do Projeto Jardim Limpão” - um trabalho em um bairro inteiro em São Bernardo do Campo, de ocupação de um morro com a participação dos moradores.
O olho da gente agradece. Adoro os grafites de SP.
Tags: arte, blog, grafite, marketing, São Paulo, urbanismo | Comentário (0) | Link para este post
As redes Wifi
The city is filled with an invisible landscape of networks that is becoming an interwoven part of daily life.
A cidade tem uma paisagem invisível de redes que atravessam nossos corpos, ruas, paredes. Esses caras deram um jeito de mostrá-las: Immaterial Lght Painting Wifi
Tags: arte, cibercultura, tecnologia | Comentário (0) | Link para este post
Should I stay or should I go? Part 2
“Le Clash”, do artista Anri Sala, usa o prédio da Bienal como caixa de ressonância. Um rock pesadão da banda Clash, direto do punk rock, suaviza-se com a passagem do tempo e vai parar na caixinha de música.
Voltei à instalação e continuo gostando cada vez mais dessa reflexão que pertence ao núcleo sobre memória e esquecimento.
Também eu dancei muito ao som de “Should I stay or should I go“.
Meu clube, como esse que o artista frequentava em Bordeaux, também fechou e virou ruína e também para mim o tempo suavizou o riff.
Tags: arte, música | Comentário (1) | Link para este post
Should I stay or should I go?
Come on and let me know….
Na Bienal: “O interior de uma casa de shows de punk rock desativada em Bordeaux, na França, converte-se na fonte amplificada de trechos da canção Should I Stay or Should I Go?, da banda inglesa The Clash, que dá nome à obra. Os anos se passaram, mas a música, agora suavizada e nostálgica, prossegue repercutindo no prédio e nos moradores da cidade. Na Bienal, a ideia de uma memória suspensa num lugar e naqueles que o habitam ganha delicado dispositivo de ativação. Uma pequena caixinha de música instalada sobre a vidraça do Pavilhão ecoa baixinho as mesmas notas entoadas no vídeo. O resultado sonoro é sutil, demanda a aproximação do corpo, mas a metáfora acústica toma a exposição por inteiro.”
Mais:
- Le Clash Anri Sala na 29 Bienal
- Sonia Maia escreve sobre Anri Sala.
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Metropolis de Fritz Lang na grama
Metropolis, do Fritz Lang, projetado no parque do Ibirapuera, me fez lembrar de como estar em São Paulo pode ser gostoso.
Expressionismo no cinema mudo de 1927 contra a parede do Auditório do Ibirapuera, ao som da Jazz Sinfônica, do ponto de vista de quem estava deitada no gramado, confortavelmente lendo as legendas (a partir do primeiro intervalo, quando me sentei mais ou menos na sexta fileira de gente em frente à harpa). O Renato, que ainda teve vontade de fazer alguma coisa e fez esse vídeo, viu comigo o morcego sobrevoar o público e um amigo por perto gritar: “É 4D”. Fritz Lang tem esse jeito Doutor Mabuse de ser.
Dizem que 10 mil pessoas foram ao parque, o que me valeu uma excursão noturna pelo Autorama para estacionar o carro e uma apresentação ao reduto gay em pleno vapor no domingo à noite – um mix transcultural, de quebra.
A cópia restaurada com 25 minutos a mais foi exibida pela primeira vez na América Latina na 34ª Mostra de Cinema Internacional, o que me fez lembrar que eu estive na fila da primeira mostra e viajar em outro filme, esse bem interior.
Mais
- Olha que ensaio fotográfico legal que traça os paralelos (nem tão óbvios) entre São Paulo e Metropolis
- Você sabia que a Thea von Harbou, que escreveu o livro em que Metropolis foi baseado, não é a loira de olhos esbugalhados que faz o papel de Maria? Aquela é Brigitte Helm.
Birds on the wire: arte no YouTube
Quem chamou minha atenção para essa história, de uma música lindinha criada a partir de uma foto de jornal, foi o blog do TEDx Amazônia. Jarbas Agnelli explica como “tocou” a música que leu na imagem dos pássaros nos fios. Birds on the Wire é um fenômeno do YouTube e está na lista do YouTube Play, uma seleção dos melhores vídeos de arte ali postados. Dia 21 de outubro, quando sai o resultado da seleção, espero vê-lo entre os 20 que irão para o Guggenheim. Do YouTube para o museu, do jornal para a orquestra, da vida para a poesia e assim por diante.
Uma foto, um olhar novo:
TEDxSP 2009 – Jarbas Agnelli: “Birds on the Wires”, uma música e sua história from TEDxSP on Vimeo.
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Beuys no Sesc Pompeia, suspiro
Um dos artistas de quem mais gosto nas artes plásticas, o alemão Joseph Beuys (1921-1986), ganha uma mostra toda bacana no Sesc Pompeia a partir do dia 16 de setembro. Ela inclui simpósio, cursos e atividades como plantar árvores com as crianças, o que é a cara do cara.

Joseph Beuys, 1971
Cartaz de exposição
Modern Art Agency, Nápoles
Foto: Giancarlo Pancaldi
Gosto de Beuys há tempos. Vi coisas incríveis feitas com seus materiais favoritos, feltro e gordura, no Dia Center de Nova York. Conta-se que o artista sofreu um acidente de avião durante a Guerra da Criméia e sofreu queimaduras graves. Ao ser resgatado, foi envolto em gordura com um cobertor. Seria essa a origem de ligação com essas matérias-primas.
“O compromisso político e o aspecto ritualístico marcam seu trabalho, além da diversidade de estratégias – da ação à escultura, da instalação aos debates – e de um poderoso vocabulário simbólico, que passa pelo uso de sua própria imagem e dos materiais “energéticos”, como feltro e gordura”, como explica melhor o site da exposição no Sesc Pompeia, que tem nome bonito: “A Revolução Somos Nós”.
Beuys para crianças
Beuys plantou árvores. Ao redor deste centro cultural novaiorquino chamado DIA, vi os carvalhos que plantou já grandinhos. São parte do projeto 7000 Oaks. Aqui em São Paulo, no dia 20 de novembro, há uma atividade chamada “O homem que planta esculturas: ateliê aberto de arte, jardinagem e paisagismo”, da qual podem participar crianças com mais de 6 anos para plantar mudas.Nos dias 2 e 23 de outubro, e 13 de novembro Kiara Terra conta histórias e trabalha no ateliê com crianças com mais de 4 anos.
Para adultos apressados com ou sem crianças
Dei uma olhada rápida na programação e imagino que o mais encaixa no meu momento desse vasto universo da Revolução Somos Nós é o Percurso para visitantes: “em conversas de uma hora, conduzidas diariamente por educadores, grupos de dois a quinze visitantes poderão ter contato com as principais ideias de Joseph Beuys, às terças, quartas, quintas e sextas-feiras. Sábados, domingos e feriados, às 11h, 14h, 16h e 18h”.
Beuys por ele mesmo
“Para se comunicar, o homem usa a linguagem, gestos, meios. Quais meios usar para uma ação política? Eu escolhi a arte. Fazer arte é,
portanto, um meio de trabalhar para o homem no campo do pensamento. Este é o lado mais importante do meu trabalho. O resto, objetos, desenhos, performances, vem em segundo lugar. No fundo, não tenho muito a ver com a arte. A arte me interessa apenas enquanto possibilidade de dialogar com o homem.”
Fotografar o ar
Minhas impressões das instalações de Iole de Freitas e de Carlito Carvalhosa na Pinacoteca de São Paulo. A de Carlito Carvalhosa tem um nome lindo: A Soma dos Dias. Você passeia por ela e se sente bem, aéreo. A instalação de Iole de Freitas é bacana. Dialoga com a arquitetura da Pinacoteca, agradável revelação.
Tags: arquitetura, arte, foto, arte, fotografia, instalação, pinacoteca | Comentário (1) | Link para este post









