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Horta do apê

cebolinha cebolinha

Minha horta foi para as cucuias. Árvores e canteiros verdes que ocupavam cada centímetro da varanda do apartamento deram lugar a motocas e brinquedos do Francisco. Assim caminha a humanidade. Fases.

Meu hortelã sobreviveu ao lado de um manjericão torrado por praga. Espera resgate urgente. Mas a vida a passar, sempre a passar, como canta o Zeca (Baleiro).

No blog  Vá de Vintage, um povo muito cooooooool que restaura refrigeradores d’antanho para colocar na sala ou no escritório dos modernos, encontrei uma horta viável e bonita. A horta vertical das garrafas pet, chamada de “fazenda da janela”.

(Pensando bem, achei complexo demais para um país ensolarado como o nosso. Será que precisaríamos de tanto rococó ou só a idéia de pendurar uns vasos próximos à janela bastaria? Timer? Será que eu compraria e instalaria um timer?)

Espie: Window farm

Veja como fazer uma aqui.

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Dia sem carne

papinha papinha

Sem carne às segundas-feiras contra o aquecimento global. A proposta é que as pessoas não comam carne na segunda-feira. O lançamento da campanha será dias 3 e 4 de outubro, no Parque do Ibirapuera.

Quem me avisou foi o Laurent Rains. No fundo da memória remexeu-se uma lembrança de alguma celebridade hollywoodiana gastando suas fichas para convencer as pessoas a aderirem. Não sei quem.

Mudar um hábito é tão difícil. Mudar um hábito alimentar por uma motivação racional é coisa para poucos. Experimente fazer dieta. Experimente ficar proibido de comer chocolate. Vem uma vontade absurda de comer chocolate. Se você adora um bife, experimente parar de comer picanha só porque leu uma reportagem. Vai salivar loucamente quando o bifão passar exalando seus odores sob o seu nariz.

Eu, que tenho aversão a cheiro de carne e acho cheiro de picanha no fogo enjoativo para caramba, achei estranha essa ideia da campanha contra a carne. Será que funciona?

Não como carne desde a adolescência porque não gosto. Assim fácil. Sem camadas de ideologia em cima é mais fácil não salivar, mudar o hábito alimentar, comer de forma mais saudável etc.

Goste ou não do bifão, vale a pena uma segunda sem carne. Passe lá no blog Dia sem Carne para saber mais.

Programação

“Na Marquise do Parque haverá um caminho com grandes fichas coloridas, espécie de jogo, onde estarão dispostas informações, receitas e muito mais. As pessoas serão convidadas a percorrer o caminho de tijolos coloridos e entrar em quatro estações temáticas dispostas por este caminho: meio ambiente, ética, saúde e novos sabores.

Haverá exibição de filmes e palestras e apresentação e degustação de comida com a presença de alguns chefs na Escola Municipal de Astrofísica Professor Aristóteles Orsini, também no Ibirapuera.

Serão distribuídos e sorteados brindes como toy arts, receitas, camisetas, aventais e outros.

Oficinas do Gosto, promovidas pelo movimento Slow Food, serão promovidas gratuitamente para crianças, onde será possível desenvolver o olfato e conhecer alguns temperos. Haverá degustações no correr dos dois dias, oficina de compostagem doméstica e prática de yoga.”

Cartilha dos orgânicos

Ilustrada pelo Ziraldo e lançada pelo Ministério da Agricultura, a cartilha Produtos Orgânicos – O Olho Do Consumidor – é tudo de bom:

Riachos perdidos que podem voltar a céu aberto

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Um riacho corta o quarteirão do meu prédio ao meio. Nada se vê dele, apenas uma nesga que às vezes é terreno baldio, às vezes é cimentada, às vezes foi invadida pela área de lazer dos condomínios chiques e até mesmo por um estacionamento de trios elétricos (!!!).

Descobri esse riacho durante a Feira da Pompéia, quando encontrei o arquiteto César Augusto Sartorelli, que conheço dos nossos tempos de USP, em uma barraquinha da Prefeitura. Ele divulgava o projeto Riachos Perdidos, que mapeou riachos e fontes/nascentes da bacia da Pompéia (que vai da Avenida Sumaré à Vila Romana), conforme me explicou em um papo rápido por e-mail:

A idéia é deixar a água novamente a céu aberto?

Sim.

É possível isso?

Sim, desde os anos 70 já acontece nos EUA, Canadá, Europa, Japão.

E todas as fundações feitas ao lado da canalização, como ficam?

O rio continua lá. Se afetasse as fundações já o teria feito.

Será que haverá um dia um riacho a cortar essas quadras todas aqui do bairro?

Sonho com isso. Sim, haverá.

Harmonia com fachada ecológica e projeto Triptyque

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Você sente o cheiro do século 21 quando visita o número 57 da Harmonia, na Vila Madalena.

O projeto do escritório de arquitetura Triptyque recobriu com flores, samambaias e trepadeiras as paredes da fachada. Canos verde-limão aparentes irrigam as plantinhas. Durante minha breve visita, não tive oportunidade de verificar se o visitante sai molhado ou não caso esteja por perto. Detalhe irrelevante, gostoso foi encontrar por acaso, durante uma caminhada, o projeto que havia visto em revistas de arquitetura.

Ali funciona uma loja da grife carioca Farm, de roupas felizes e confortáveis. E caras, logicamente. Há um bazar no terceiro andar onde, quem sabe, você possa encontrar algo com preço viável. Não sei, não xeretei nada. Gostei de uns adesivos para carro. Flores coloridas. Coisa extremamente frufru, de mulherzinha, bem teen, bem pop. Nunca me ocorreria uma coisa dessas, mas hoje, justamente, vi na rua um carro assim paramentado. Alguém já tomou a iniciativa.

O achado do projeto Tryptique (gostoso falar isso) ocorreu bem cedo, antes das 10h. Quando todo o comércio da Vila Madalena estava fechado, a casa do século 21 já respirava e me recebeu com simpatia.

Falando nisso, há cartazes lambe-lambe em algumas das paredes da Harmonia 57 com palavras na tipografia especial do Profeta Gentileza, andarilho que escrevia sob os viadutos do Rio de Janeiro.

Gostei dessa modernidade toda, gentilezas acessórias, conceitos básicos, um ótimo começo para um dia de outono.

John Allen em Paraty a bordo do Heraclitus

Photo: Craig Inglis

Heraclitus é um navio de pesquisa que pertence ao projeto Biosphere 2, de John Allen. Ambos, Heraclitus e Allen, estão em Paraty, discutindo a nova etapa de um projeto que nasceu nos anos 60 para pesquisar a complexa rede de interações dos sistemas de vida.

No início, pesquisou-se como recriar ecossistemas artificialmente para, entre outras coisas, implantar uma base humana em outro planeta, por exemplo. Nesses anos, a pesquisa evoluiu em outra direção, a Ciberesfera. Não sei muito mais, recebo notícias sobre essa visita a Paraty de um amigo, Sergio Crochik, que escreve um livro com Allen e um arquiteto italiano sobre a ciberesfera. Imagino que as pedras irregulares das ruas de Paraty e suas ilhas paradisíacas sejam inspiradoras e deixo o registro aqui dessa visita que não foi muito noticiada.

A bordo: Quem se interessar, pode ouvir Allen a bordo do Heraclitus neste domingo, dia 15 de março, entre 14h30 e 17h30. Contatar Christine Handte, chefe da expedição.

Krajcberg: admiração de três décadas

Frans Krajcberg na Oca Frans Krajcberg na Oca

Minha admiração por Frans Krajcberg é como um bom vinho, amadurece com o tempo. Há três décadas gosto do que ele faz. Nada cerebral, nada a ver com idéias. Gosto das obras e, depois, ainda gosto das atitudes, depois ainda, de seu poder de transformação.

Depois de depois eu lembro que ele é um visionário e que sua postura cai como uma luva nesses tempos de desastre ambiental planetário.

Imagine que delícia encontrar um artista de quem eu gosto há tanto tempo em pessoa no sábado. Fomos passear no Ibirapuera em dia de sol e entramos na Oca, onde o Krajcberg participava de um debate organizado pelo MAM. Imagine que bacana apresentar as crianças – Francisco e Luiza – para o mestre. Idéia da Liliane Ferrari, eu sou tímida, mas as fotos que o Renato tirou me deixam a impressão de que os meninos Chiquinho e Luiza começam bem, perto de quem tem a ver, é um bom jeito de mostrar o bom caminho.

Lembrei-me que gosto das raízes de Krajcberg desde a adolescência. Voltei de uma Bienal, em 1977 provavelmente, um passeio com meus pais, com um folheto nas mãos e colei uma foto de sua obra na parede do quarto (olha que delícia, do chão ao teto eu colava posteres, fotos e toda a sorte de quinquilharias que eu achava muito válidas e ninguém reclamava, não).

Enquanto eu observava essa aranha da foto, o artista chorava a Mata Atlântica: “destruíram a mata mais bonita que havia no Brasil”. Chorei pela mata. Que coisa. Queimam árvores aos montes. Eu até hoje não me conformo e posso ser pueril, mas tudo bem. Não estou sozinha nessa.

Frans Krajcberg: Natura reúne 65 esculturas e 40 fotos. A mostra fica até dia 14 de dezembro na Oca, parque do Ibirapuera, São Paulo.

Feira Orgânica na Água Branca também aos domingos

Feira Orgânica Feira Orgânica

A Feira de Orgânicos do Parque da Água Branca agora também funciona aos domingos, além de terças e sábados.

Nesse dia da Criança, portanto, além de andar de trenzinho, passar no aquário de peixes de rio, olhar as pombinhas, os patos, os gatos e as carpas, você pode levar uma sacola e enchê-la de gostosuras.

Eu mesma acho que não vou encarar o passeio no domingo, devido à multidão que terá a mesma idéia. Mas fica a dica para outros fins de semana.

A comunidade de antroposóficos de Botucatu Demétria brigou com a Associação de Agricultura Orgânica (ou vice-versa, como já me explicou um dos antroposóficos), que organiza a feira no parque. Por isso, a Demétria montou uma dissidência da feirinha bem ao lado do portão de entrada para o estacionamento perto das antigas cocheiras. Eu adoro os pães que eles fazem e o queijo quark. Vale visitar a feira oficial e a dissidência antroposófica.

Aos sábados, a feira é das mamães de bebês e seus slings. O café da manhã é concorrido e feliz.

Direto de Marte, congresso de e-learning e orgânicos de Piracicaba

Minha lua é azul/ My moon is blue Minha lua é azul/ My moon is blue

Se a vida anda sem sentido, a gente pode assistir ao vivo as peripécias da sonda Phoenix em Marte. Transmissões em vídeo, pelo blog e até mesmo pelo twitter. “My computer is a RAD6000, radiation-hardened” diz a sonda no momento em que escrevo. (Esse programão para o qual, infelizmente, não consigo dedicar nenhum tempo, foi indicado pelo Tiago Doria.)

Se você quiser, pode também aproveitar para ficar mais a par das questões do e-learning e acompanhar até sexta, por audioconferência, o “III Congresso de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa”.

Em vez de pamonha, os orgânicos de Piracicaba. Entre sexta, 30 de maio e o dia 6 de junho o grupo Slow Food Brasil realiza em Piracicaba a Semana do Alimento Orgânico, uma opção menos on-line.

Falar é uma coisa, fazer é outra

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Foi uma semana de muito trabalho e pouco tempo para trocar idéias pelo blog. Termina com um comentário feliz que encontrei no título de uma pesquisa sobre sustentabilidade:

Pesquisa revela discrepância entre a intenção e a prática de hábitos de cidadania e sustentabilidade

“Os autores do estudo avaliam, ainda, que os resultados sugerem uma relação “platônica” da sociedade com a sustentabilidade, como se fosse um sonho distante, muito difícil de ser alcançado.”

Fóim! É o nosso retrato.
O coletivo é feito de indivíduos que precisam fazer alguma coisa. Falar é fácil, fazer são outros quinhentos.

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