Minha admiração por Frans Krajcberg é como um bom vinho, amadurece com o tempo. Há três décadas gosto do que ele faz. Nada cerebral, nada a ver com idéias. Gosto das obras e, depois, ainda gosto das atitudes, depois ainda, de seu poder de transformação.
Depois de depois eu lembro que ele é um visionário e que sua postura cai como uma luva nesses tempos de desastre ambiental planetário.
Imagine que delícia encontrar um artista de quem eu gosto há tanto tempo em pessoa no sábado. Fomos passear no Ibirapuera em dia de sol e entramos na Oca, onde o Krajcberg participava de um debate organizado pelo MAM. Imagine que bacana apresentar as crianças - Francisco e Luiza - para o mestre. Idéia da Liliane Ferrari, eu sou tímida, mas as fotos que o Renato tirou me deixam a impressão de que os meninos Chiquinho e Luiza começam bem, perto de quem tem a ver, é um bom jeito de mostrar o bom caminho.
Lembrei-me que gosto das raízes de Krajcberg desde a adolescência. Voltei de uma Bienal, em 1977 provavelmente, um passeio com meus pais, com um folheto nas mãos e colei uma foto de sua obra na parede do quarto (olha que delícia, do chão ao teto eu colava posteres, fotos e toda a sorte de quinquilharias que eu achava muito válidas e ninguém reclamava, não).
Enquanto eu observava essa aranha da foto, o artista chorava a Mata Atlântica: “destruíram a mata mais bonita que havia no Brasil”. Chorei pela mata. Que coisa. Queimam árvores aos montes. Eu até hoje não me conformo e posso ser pueril, mas tudo bem. Não estou sozinha nessa.
Frans Krajcberg: Natura reúne 65 esculturas e 40 fotos. A mostra fica até dia 14 de dezembro na Oca, parque do Ibirapuera, São Paulo.













