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Direto de Marte, congresso de e-learning e orgânicos de Piracicaba

Minha lua é azul/ My moon is blue Minha lua é azul/ My moon is blue

Se a vida anda sem sentido, a gente pode assistir ao vivo as peripécias da sonda Phoenix em Marte. Transmissões em vídeo, pelo blog e até mesmo pelo twitter. “My computer is a RAD6000, radiation-hardened” diz a sonda no momento em que escrevo. (Esse programão para o qual, infelizmente, não consigo dedicar nenhum tempo, foi indicado pelo Tiago Doria.)

Se você quiser, pode também aproveitar para ficar mais a par das questões do e-learning e acompanhar até sexta, por audioconferência, o “III Congresso de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa”.

Em vez de pamonha, os orgânicos de Piracicaba. Entre sexta, 30 de maio e o dia 6 de junho o grupo Slow Food Brasil realiza em Piracicaba a Semana do Alimento Orgânico, uma opção menos on-line.

Cavar um buraco para ganhar visibilidade

Paola Junqueira

Há dias estou para escrever sobre a mostra Mão Dupla, em cartaz no Sesc Pinheiros, aqui em São Paulo, até julho. Estive na abertura da exposição, gostei de vários dos trabalhos e tive até a impressão de que passou aquela fase “instalação” das artes contemporâneas. Houve um momento em que qualquer coisa era intervenção ou instalação. Nesta mostra são várias as instalações e intervenções, mas é como se fosse tudo em duas oitavas abaixo. Não me explico bem, a Bienal deve comprovar ou destruir a tese, veremos.

Conversei com a artista plástica Paola Junqueira. Ela morou muitos anos na Suíça e Inglaterra e agora retorna ao Brasil com o projeto dos buracos. Paola me explica que ela cava buracos durante 24 horas de trabalho, quatro horas por dia, das 10h às 14h, durante seis dias. O primeiro buraco ela cavou em 1998 e o projeto deve se encerrar este ano. Em seu site, a artista explica que o projeto surgiu em um período difícil (um pesadelo) para criar um ponto fixo no globo terrestre. Nas paredes do Sesc, leio sobre acolhimento no buraco. Conversamos sobre o buraco do Metrô, aqui em São Paulo, que eu vi ruir de dentro do prédio da editora Abril. É um buraco que a intriga ou perturba e que ela tentou ver de perto, sem conseguir ultrapassar a barreira de seguranças.

É curioso. Sempre relacionamos cavar um buraco a se esconder. Paola cava buracos e aparece.

Estarei pelo twitter no Roda Viva com Ivaldo

Nesta segunda-feira participo do programa Roda Viva, da TV Cultura. A entrevista é com o bailarino, coreógrafo e mestre Ivado Bertazzo, de quem fui aluna por dois anos e de quem sou fã, tiete e admiradora. A minha participação será via Twitter. Acompanhe, comente, converse comigo. Vamos experimentar essa nova ferramenta na cobertura jornalística. Estou curiosa para ver se dá samba. Você pode também enviar sua pergunta via internet para o programa.

Estou feliz por ser Ivaldo o entrevistado, sou fã de carteirinha desde que o entrevistei pela primeira vez, ainda nos anos 80, quando ele já falava em transformar pessoas comuns em bailarinos em seus espetáculos, quando ele já falava em cidadãos dançantes. Depois tornei-me aluna de sua escola, quase participei de um de seus espetáculos (o horário do jornal, na época, não combinava com os ensaios, não deu certo).

O método de preparação corporal de Ivaldo, baseado nas cadeias musculares de Godelieve Denys-Struyf, é seríssimo, assim como seu trabalho de misturar danças orientais e de roda com música brasileira. Então, ficamos combinados: segunda, dia 19, às 22h40, ao vivo, na TV Cultura. Espero você.

Fotojornalismo e a manipulação de imagens

An award winner An award winner

Conversei na abertura da mostra das fotos vencedoras do World Press Photo Award com duas interlocutoras de peso. Maaike Smulders, gerente de projetos da World Press Photo Foundation, veio de Amsterdã para montar a exposição no Sesc Pompéia. Mônica Maia, que editou as fotos do Estadão por muitos anos e está abrindo uma nova agência de fotos, a Revelar Brasil, foi jurada deste mesmo concurso em 2000.

Smulders ouvia com atenção os comentários de Maia sobre a seleção deste ano, que premia uma foto de Tim Hetherington, um fotógrafo do Reino Unido, feita no Afeganistão para a Vanity Fair. Em entrevista, Tim explica que a foto traduz como ele se sentia ali com os soldados. “Ele e eu estamos conectados por essa foto”, diz. Vale a pena, para quem entende inglês, ouvir o depoimento do fotógrafo enquanto analisa a imagem. Fica tudo muito interessante.

Mônica comentava que ela acha que a história sobre a foto de Tim é muito longa, que a foto não é para tanto. “Muita história, pouca foto.” Ela não fala bem inglês e eu entrei na conversa com Maaike como intérprete. Tentei traduzir esse comentário: “A história tem mais força que a foto, algo assim”. Maaike pareceu preocupada. “É mesmo?” Mônica conciliou: “O primeiro prêmio é sempre polêmico”.

Conversamos sobre a manipulação da imagem no computador. Muitas das fotos premiadas estão mais bonitas porque foram “lavadas” no photoshop, o que lhes dá um efeito mais dramático. Fotojornalismo tem suas questões sobre a manipulação da imagem, afinal.

O que eu achei da mostra: muita guerra demais, muito engajada em todos os conflitos da face da Terra. Isso pesa. Segurei minha opinião e não contei às duas, Mônica e Maaike, que achei o conjunto pouco entusiasmante. Não sou autoridade, fiquei na minha, recém-empossada na função de intérprete. Eu não conversava com a Mônica há muitos anos, fiquei contente e curiosa com o projeto da nova agência. Para Maaike, senti que não era relevante e nem era mesmo.

Encontrei poesia em muitas imagens, são fotos muito boas, obviamente. Mas o conjunto é um pouco frio, tantas histórias pesadas causam um efeito de afastamento e não de emoção. Fui com outros fotógrafos à exposição e sentimos ausência de jurados que tenham nascido ao sul do Equador. Pesa nessa seleção o olhar do habitante de Primeiro Mundo do Hemisfério Norte, desnorteado, como o soldado de Hetherington, com tantos conflitos.

A mostra fica no Sesc Pompéia até a 11 de junho. De terça a sábado, das 9h30 às 20h30.

Mostras de fotografia legais em São Paulo

A gente se acostuma a olhar fotos on-line, o que é prático, é muito bom, mas ir até a exposição é outra experiência. Esta semana, começa em Pinheiros a mostra Let’ s Lomo e no mesmo bairro, pertinho dali, continua em cartaz a exposição Outra Cidade, uma mostra coletiva que tem como tema São Paulo e traz fotos minhas e de outros nove fotógrafos. Inauguramos o Espaço Fine Photo em Pinheiros (que já divulgou uma agenda de cursos para maio para todos os níveis de conhecimento).

Sobre a Let’s Lomo, entrevistei o Thiago Pedrosa, vulgo Tato, um amigo que fiz pelo Flickr e pelos blogs, que virá de Recife para São Paulo especialmente para a abertura, na quinta, dia 8.

Por que lomo?

Tato - Em 1991, alguns estudantes austríacos que passavam férias em Praga, na República Tcheca, perceberam que haviam esquecido suas câmeras fotográficas em casa. Para não perderem a oportunidade de registrarem o que viam ali, compraram umas câmeras baratas que encontraram por lá mesmo. Para sua surpresa, ao chegarem de volta a Viena, e ao revelarem os filmes de sua viagem, se depararam com fotos “defeituosas”, cheias de vazamento de luz, vinhetas (aquele sombreado nos cantos da imagem), cores estouradas, deformações nas perspectivas. Se encantaram com o que aquelas pequenas câmeras conseguiam fazer, voltaram a Praga, e compraram todas as que puderam encontrar, para revender a seus amigos em Viena. Logo começou uma febre em torno das câmeras, e todos queiseram tê-las. A câmera era a LC-A, fabricada pela empresa LOMO, soviética, entre 1982 e 1989. Em pouco tempo os estudantes austríacos fizeram contato com a LOMO e encomendaram que se voltassem a fabricar as câmeras. Era o surgimento da Lomographic Society International, e de todo um culto em torno da fotografia experimental. Hoje a LSI fabrica diversos modelos diferentes de câmeras, filmes e acessórios. Há muita informação disponível na web sobre o assunto, no site da LSI, no site da Sociedade Lomográfica Brasileira, e em diversos outros sites e blogs. No Brasil temos uma comunidade muito forte e que vem crescendo muito graças, principalmente, à internet.

Qual o espírito do Coletivo? Como as pessoas se conheceram? De onde veio essa idéia?

Tato - Todos se conheceram através da internet. Um conheceu o outro, que conheceu o outro, que passou a idéia pro outro, e pro outro. Tudo em tôrno do experimentalismo, do retorno à fotografia pura, sem megapixels e câmeras incrivelmente avançadas que, em poucos meses, se tornam obsoletas. O que agregou o grupo, no início, e o que mantém todos em contato até hoje, é uma lista de discussões mantidas pelo YahooGrupos, que, em pouco tempo, evoluiu para o site da Sociedade Lomográfica Brasileira (ou Lomo-BR, para os íntimos).

O que é preciso para participar da saída fotográfica?

O Let’sLOMO é o primeiro evento do tipo realizado no Brasil, e, além da exposição coletiva, terá uma workshop e um passeio fotográfico incluídos na programação. Para os que quiserem participar, basta que se inscreva no congresso, pelo site, ou na vernissage, que será realizada no dia 8 de maio, às 20h, na Coletivo Galeria, em Pinheiros.

Passe lá nas mostras de Pinheiros:

Outra Cidade- Fine Photo, rua Artur de Azevedo, 201, 2º andar. Das 14h às 20h, de segunda a sábado. Até junho.

Let’s Lomo: Coletivo Galeria, rua dos Pinheiros, 493. De 8 a 24 de maio.

Minhas fotos na exposição coletiva Outra cidade

Olha, é com grande orgulho e uma dose de cara de pau que eu anuncio que vou expor minhas fotos ao lado de grandes fotógrafos. Vamos inaugurar na próxima sexta, dia 25, a partir de 20h, um novo espaço para fotografia, cursos, expedições e palestras, o Fine Photo.

Você tem de conferir que olhos maravilhosos tem esse grupo de fotógrafos. Apareça!

Endereço: Rua Artur de Azevedo, 201 / 2º andar- Pinheiros - São Paulo-SP - Fone: (11) 3083-0531

De 25 de abril a 20 de junho

O negócio dos orgânicos

Os produtos orgânicos tomam realmente fôlego dentro da cadeia produtiva brasileira. Repare só como os supermercados já oferecem um cantinho para os alimentos sem agrotóxicos (mesmo quando se arriscam a matar alguém do coração ao cobrar dez vezes mais por uma bandejinha de tomates, meigos e frugais).

Leio que se considerarmos as áreas de extrativismo sustentável, a área de plantio de orgânicos no Brasil chega a 6,5 milhões de hectares, o que faz do país o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da Austrália.

Esse papo fica sério de 1 a 4 de maio, quando o prédio da Bienal de São Paulo sedia uma Feira de Orgânicos, a Bio Brazil Fair, que promove o 4º Fórum de Agricultura Orgânica e Sustentável. É a primeira edição do evento depois da aprovação, em dezembro, da lei que regulamenta os orgânicos no Brasil. Espera-se com isso um crescimento no mercado, semelhante ao que ocorreu na Europa depois da regulamentação, isso em um cenário atual de expansão de até 500% ao ano, segundo o que diz a Associação dos Produtores e Processadores de Orgânicos do Brasil.

Fico contente com essa movimentação, mostra futuro. Gosto de orgânicos para caramba -por vários motivos, nem todos eles associados à gula. Só não gosto de seu preço, às vezes impraticável. Soube ontem que até em cidades que hoje se destacam pela plantação de cana há produtores de alimentos orgânicos. Parece uma ótima idéia mesclar as culturas, o ambiente agradecerá essa gentileza.

Homeopatia

Essa eu não sabia: segundo o pesquisador Flávio Maurílio de Freitas, que participa desse Fórum, a homeopatia pode ajudar a combater pragas no cultivo dos orgânicos. “Enquanto na forma tradicional de controle de pragas e doenças se gasta mais de R$ 1 mil numa estufa que comporta 300 pés de tomate, com a homeopatia se gasta R$ 40”, diz ele em texto divulgado pelos organizadores. Faz sentido usar homeopatia (que para mim funciona às mil maravilhas) e quem sabe assim bandejinha de tomates passe a custar menos.

Qualquer sofá com OPOVOEMPÉ no Sesc Pinheiros

Qualquer sofá Qualquer sofá

Neste fim de semana e no próximo, OPOVOEMPÉ faz intervenções no Sesc Pinheiros. As meninas trabalham com técnicas corporais que pedem atenção ao aqui e agora de uma forma muito exigente: Suzuki Training e Viewpoints. A direção é da Chris Esteves, de quem já falei aqui.

Leio no blog que “no dia 30 de abril, OPOVOEMPÉ parte para Zagreb, Croácia, a convite do UrbanFestival“. Então, vá lá antes, conferir esse trabalho.

Para turistas de fora e de São Paulo

Wizard Street, Vila Madalena Wizard Street, Vila Madalena

Neste sábado e domingo, dias 5 e 6, o melhor passeio para turistas e recém-chegados é unir-se ao povo sabido que é de São Paulo na expedição Vila Madalena.

Durante dois dias, nos quais os artistas abrem seus ateliês para o público, o evento Arte na Vila enche as ruas do bairro com uma mistura de feira pop, quermesse e festa. Bater pernas é um ótimo jeito de se perder.

Você pode parar a qualquer momento em um barzinho, restaurante, café ou praça. Jogar conversa fora em bazar de estilista jovem e ficar sem conhecer um oitavo do que está na programação. É completamente válido. Nada de espírito de maratona, não combina com nada.

Horário: Das 10h às 19h.
Transporte gratuito a partir da estação Vila Madalena do Metrô.

Roteiro cultural e baladeiro de São Paulo

sax

Sabe para o que serve blog? Para fazer roteiro de eventos culturais e alternativos, por exemplo.

Uia

Quero sair hoje, quem sabe ir a um show. Onde procuro a lista de opções? No jornal do dia? Esquece. No site do jornal ou da revista? Melhoram as chances. Mas, e se o que você procura não for tão importante (ou caro)? E se não for destaque do dia?

Espie no blog coletivo Uia: “Guia cultural de coisas interessantes pra fazer hoje na cidade de São Paulo. Mas corra, porque é hoje”.

Quem sabe você encontra ali alguma boa dica :)

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