Hora de beber mais água. De lembrar dos pontos onde comprar água de coco fresca. Hora de subir mais de 1.800 colinas. Hora de ler Fernando Pessoa, Borges e ir a uma exposição de arte moderna. Ou tomar um suco de clorofila. Ou um expresso de estirpe, sem açúcar, com afeto. Hora de comprar novas Havaianas, modelo mais antigo possível, sola rasa, tiras largas. Hora de deixar o pedestre atravessar a faixa no seu ritmo de formiguinha, a deixar o coração de piloto de F-1 insensato a espera. Hora de renovar a fórmula da homeopatia e comprar um novo boné. Hora de migrar seus links favoritos para outro sw. Hora de inventar um show para assistir, uma praia para conhecer, uma cachoeira para lembrar como é gelado o veráo na serra. Hora de olhar o mundo pelo avesso e praticar uma postura invertida de yoga. Hora de tomar um chá herbal, de escovar a pele com uma escova, de mudar de shampoo e passar protetor solar. Hora de pensar em estrelas cadentes, bons vinhos, árvore de Natal e lembrancinhas. Hora de estudar, aprumar, reunir, renovar. Acordar para cuspir. Perder a vergonha, andar sem rumo, esperar na fila, pagar o pato, contar com quantos paus se faz a canoa, limpar um armário, esvaziar uma gaveta, plantar e colher orégano, manjericão, hortelã, tomilho e alecrim frescos. Calor, puxa. Tomates, orgânicos, locais, sinceros, ois sinceros, tchaus honestos.
Arquivo do mês: October, 2011
Occupy Wall Street
Tenso o clima lá em Liberty Plaza, viu? Disse que ia espiar e contava, pois bem: um desses guindastes de consertar poste de luz abriga uma estação policial que tudo acompanha. Nada fica barato, vai tudo para os arquivos. Aliás, vi mais câmeras ali que em entrevista coletiva. Uma grande ágora (como andam dizendo) midiática.
Em Wall Street propriamente dita, mais tensão ainda. Tudo bloqueado, guardas na frente dos bancos, uma turista advertida porque parou para fotografar (não fui eu, estava ciente do climão). Circulando, circulando, ralhou o policial.
Tenso. Ainda mais com o Marco Zero ali ao lado, com as lembranças pesadas.
Acabo de ver no site .org que hoje que hoje foram retirados geradores de energia. Polida, mas decididamente.
No aeroporto vi um homem de terno puxando sua malinha de mão preta-executivo-padrão que exibia adesivos em todas as faces: 99%. Eles usam terno também.
Não deixo aqui nenhuma conclusão, só registro essa impressão de força na surdina, de tensão não expressa, contida.
Wall Street 99%
99 Cent dreams by PetroleumJelliffe
O movimeto Occupy Wall Street está vivinho. No tumblr We Are the 99% as pessoas que partipam do protesto em Nova York colocam suas histórias e fotos, veja lá.
“Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui”, alerta o filósofo Slavoj Žižek in loco. “Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. ”
Um bom começo para uma reflexão.
É interessante também o que John Cassidy escreve na New Yorker . Alguém (Mike Konczal) que teve o cuidado de pesquisar a média de idade dos que postam no tumblr dos 99% descobriu que é 26 e que entre as palavras que mais aparecem ali destacam-se as ligadas a estudo e emprétimos. Wall Street não está na lista das palavras mais usadas. John Cassidy pondera que o protesto não é anti-Wall Street. É anti-status quo. Wall Street serviria como ponto focal:
“None of them feature in the top twenty-five. This absence feeds my suspicion that Occupy Wall Street isn’t primarily an anti-Wall Street phenomenon. It is a generalized anti status-quo protest movement, for which Wall Street serves as the convenient focal point.”
Vou e volto já
Depois conto o que vi.
Outubro rosa: prevenção é uma boa ideia
Câncer de mama é um assunto seu. Mesmo que você seja homem.
Convivo com mulheres em tratamento. Vai dar tudo certo e vamos continuar a rir nas festinhas de nossas crianças por muitos anos. Câncer de mama tem tratamento e se for detectado no estágio inicial ele será menos invasivo e as chances de recuperação total serão enormes.
Outubro Rosa
Outubro Rosa é uma campanha para lembrar que prevenção é prioridade. Aprendi bem essa lição quando trabalhei na comunicação do Hospital A.C Camargo, um grande centro de pesquisa de Oncologia. Prevenção e exames periódicos fazem toda a diferença.
A campanha Outubro Rosa é aquela que “pinta” de rosa vários marcos arquitetônicos durante este mês – Cristo Redentor, no Rio, e Congresso Nacional, em Brasília. A campanha milita por políticas públicas que tornem acessíveis a todas as brasileiras exames de prevenção. Mamografia é o principal deles, mas nem sempre é suficiente, outros exames podem ser necessários.
Acontece que havia até outro dia uma “cota” de mamografias que os hospitais podiam usar a cada mês, azar de quem chegasse depois de esgotada. Já não é mais assim, mas há quem more longe de qualquer hospital. Como atingir essa fatia da população? Entre o diagnóstico e o início do tratamento, dias fazem toda a diferença, o câncer aumenta de tamanho em dois meses. Como agilizar a autorização para tratamento? E se o paciente não consegue realizar o tratamento a cada três semanas porque o governo repassa o pagamento apenas a cada quatro?
Mais: como fazer com que você, que tem todo o acesso e condições, não “esqueça” de se cuidar? Perguntas assim valem uma briga.
Fatores de risco
Tabagismo, uso de hormônios (TRH – terapia de reposição hormonal), ingestão de álcool, primeira menstruação quando a menina é muito jovem, menopausa em idade mais tardia, gravidez em idade cada vez mais tardia, excesso de peso. Ouvi da doutora Maira Caleffi, médica que coordena a campanha Outubro Rosa, que 90% dos cânceres de mama não têm fatores hereditários implicados.
No site da Femama, organização que ela dirige, você lê: ”O câncer de mama é hoje um grave problema de saúde pública. É a neoplasia que mais mata mulheres no Brasil, sendo a principal causa de mortalidade de mulheres em idade fértil. A cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 50 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados no país.”
Pelo Inca, você aprende nesse folder bem simplicado:
- “Prevenção do câncer de mama significa diminuir o risco de a mulher apresentar a doença durante toda a sua vida. A prevenção consiste na eliminação ou diminuição da exposição aos fatores de risco.
- Por meio da alimentação saudável, atividade física e do controle do peso corporal, é possível evitar 28% dos casos de câncer de mama. Consumo excessivo de álcool, uso de contraceptivos orais, excesso de peso, principalmente na pós-menopausa, e terapia de reposição hormonal aumentam o risco de câncer de mama.
- A Terapia de Reposição Hormonal (TRH), principalmente a terapia combinada de estrogênio e progesterona, está associada com aumento do risco do câncer de mama. A cada 10 mil mulheres que fazem uso da reposição hormonal combinada, há aumento de oito casos de câncer de mama. Assim, a sua indicação deve ser discutida com o médico. Nas situações em que a TRH é realizada o risco elevado de desenvolver câncer de mama diminui progressivamente após a sua suspensão.
- A exposição excessiva à radiação ionizante (Raios-X) aumenta o risco de câncer de mama.
- A amamentação exclusiva até os seis meses diminui o risco de câncer de mama.”
É contigo
Reparou que obsesidade e tabagismo são fatores de risco? Hum? Resumindo: cuide-se.



