Filtros no jornalismo: um algoritmo decide o que vou saber

Google e Facebook apresentam resultados de acordo um algoritmo baseado em meus dados – onde estou, que computador uso, que browser utilizo, que links eu clico, quem me adiciona nas redes sociais etc. Esses resultados exibem informações sob medida, a minha medida, e aí mora o perigo para a democracia, defende Eli Pariser em palestra no TED.

Para não perecer em uma bolha, preciso muito mais do que a minha medida. Pariser exemplifica: durante os conflitos no Egito, dois amigos seus fizeram buscas no Google sobre “Egito”. Um deles só recebeu links sobre viagens, aspectos geográficos e históricos e outras amenidades a respeito de pirâmides e desertos no dia em que conflitos incendiavam as ruas do país e trabalhavam para derrubar um governo. O algoritmo escondeu da primeira página resultados sobre conflitos e o amigo de Pariser não tinha como saber o que o Google não mostrou. Aliás, nem eu, nem você temos como saber o que não lemos, o que não ficamos sabendo no Google e nas redes sociais.

A morte de um esquilo na sua calçada pode ser mais relevante para você do que a morte de uma pessoa na África, diz Zuckerberg, criador do Facebook. Essa é a lógica do senhor Algoritmo, atual editor de algumas de nossas principais fontes de informação.

Pariser aponta um caminho: senhor Algoritmo, o senhor deve calibrar seus resultados não apenas por relevância, mas por:

  • relevância
  • importância
  • desconforto
  • desafio
  • diferentes pontos de vista

De fenômeno que facilita a circulação das informações, a internet passa a ter guardiães-robôs. Se você quiser acompanhar o papo do Pariser:

“Boa ideia para um post, hein?” Foi assim, com um empurrão bem-vindo do Renato, que esse blog saiu do torpor para falar sobre como os filtros automáticos aplicados à seleção de informações podem me colocar em uma bolha autista.

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