Um bom peso de porta, não fosse boa literatura. Deixei a livraria com o som de uma frase nos meus corredores internos: “Eu mato o Dani se esse livro for chato. Deste tamanho e chato.” Comprei “2666″ por causa de uma resenha bem escrita do Daniel Benevides. Pronto, pensei ao terminar de lê-la, me convenceu. Vou ler. Em tempos de pouco tempo para ler.
E assim foi, aos poucos, o volume pesando na barriga em madrugadas de verão. A primeira parte, uma intriga na corte do mundo acadêmico, uma coisa intelectualóide, rococó. A segunda, quase insuportável de ler, mesmo para quem já viu filme de Tarantino, a mesma crueza de açougue ao falar de crimes e narcotráfico na fronteira do México com Estados Unidos. Uma última parte surpreendente.
Foi assim que 2666 não virou peso de porta. Assim que terminei, foi emprestado, o amigo com uma urgência de quem tivesse lido a resenha. E não leu.

