Lia um post sobre roteiro gastronômico em Buenos Aires . Fui parar ali porque uma amiga escreveu sobre ele; lembrei de outra amiga, Marlene, que mora na cidade há bilênios. Bilênios? Isso não existe, certa feita me disse um editor. Mas o fato é que a amiga mora há bilênios em Buenos Aires, lugar que não visito a… bilênios.
Adoramos, todos nós na família, Buenos Aires. Meu pai é viciado em tango. Meu avô tocava tango. Minha tia dança tango. Minha mãe, quando não consegue fazer meu pai parar, aparece com passagens para Buenos Aires, derrota para qualquer argumento. Eu gosto de seus ares europeus, eu gosto de viajar. Eu já fui para Buenos Aires de carro, de avião e de ônibus, via Rosário, porque tinha inundação na estrada.
Já fui a Buenos Aires para um casamento doido que tinha cinco orquestras. Fui quando era criancinha. Fui quando casada. E minha amiga mora lá bilênios.
Meu filhote, heresia das heresias, nem alfajor provou ainda (só ovo Kinder, brigadeiro, brigadeiro de colher, bolo de aniversário, tudo o que for de chocolate lhe sabe bem). Francisco ainda não conhece Buenos Aires – falha trágica nesse roteiro. Aí vem.
Minha foto de El Ateneo, essa linda livraria que ocupa um antigo teatro, foi publicada na versão online de uma reportagem sobre as melhores livrarias do mundo do jornal inglês The Guardian. Eu aqui. Longe desse tal restaurante Sucre de que fala o guia gastronômico, longe de Palermo, de Buenos Aires, com saudades de mim, de ter tempo para escrever e ler.
Esse tempo a gente inventa. Esse Buenos Aires mítico também. Não existe. Só nos blogs, nas saudades, nas conversas com as amigas, nos planos com o filhinho, nos shows de tango que não são para turistas, só para poucos, muito poucos.
Quando Francisco nasceu para mim, eu costumava inaugurar o supermercado toda manhã de domingo. Sete horas e eu já estava lá, coletando suprimentos antes de o bebê acordar. Invariavelmente o supermercado tocava Bajofondo. Naqueles tempos, a trilha era um conforto.
Buenos Aires não é capital da Argentina, é uma terra inventada, mítica, daquele tipo onde ainda restam dragões, castelos com fosso, heróis com missão.
Longe daquela coisa palpável de Kirchner, dos taxistas irados com a política econômica (sempre eles, em qualquer lugar do mundo). Longe disso.


Vivien Morgato
April 2nd, 2010 at 12:05 pm
Nada mais justo do que vc pegar o Francisco pela mão e correr pra lá.;0)
marlene
April 3rd, 2010 at 10:26 pm
Querida Ana,
que prazer elr o seu testyo e identificarme.
NA SEXTA PASSADA EU ESTIVFE NO MICRO CENTRO DEPOIS do expediente fui escutar un concerto da simfonica nacional o que me convocou foi a execucao da bachiana nro 4 do Villa Lobos, que prazer. estava neste Buenos aires que transpira da tua percepcao.
Comparto este amor por esta cidade.
Hoje recomeno o Museu Sivori a todos que den sua voltinha por aqui.
Ademas podem encontrame ai aos sabados pela manhã, no pica pica do taller de escultura da maestra Rosemari.
Buenos aires ten este que se yo que se recre todos os dias. E eu. Vou no fluxo da corrente.
BAjo fondo, amor e alfajor.
Agora so falta voces e Francisco.
Amiga que mora a bilhoes.
Marlene.