2009 October | anacarmen.com

Arquivo do mês: October, 2009

Ele quer usar o meu sapato

O carro e a pedrinha O carro e a pedrinha

Francisco calçou o meu sapato e saiu por aí.

A imagem engraçadinha aos poucos foi caindo mais fundo, mais fundo, como a pedrinha que afunda no lago.

Francisco começa a seguir os meus passos. Francisco quer experimentar o meu sapato, quem sabe descobrir onde fica a pedrinha do meu sapato.

É uma fase mais fofa e eu sinto o peso da responsa só crescer. Ele agora tem passinhos decididos. Ele conversa, de um jeito cifrado, que às vezes só eu entendo.

Ele quer ir ao parque, andar de carro, imitar o avião, subir na moto, mostrar o dodói. Ele se interessa pelo trem.

Dança, gosta de chocolate (ai ai ai), ensaia o pique pique na cadeirinha do banco de trás do carro, só para eu morrer de rir. Enfia a mão na boca de qualquer cachorro. Puxa o rabo do gato. Foge da formiguinha. Cutuca a abelha.

Acordo, procuro o outro pé da sandália. Pode estar em qualquer lugar. Agora tem um menininho que a leva e traz. E ele quer mais.

A perspectiva de Ran

ran_salvador_messina

Ran é o personagem sapo do Salvador Messina.

Dá para folhear as tirinhas do Universo Ran no fotoblog do UOL. Embora a ferramenta seja meio tosquinha para navegar, insista. Vale passear pelo acervo.

Ran é filosófico, divertido, faceiro e bem brasileirinho. Oi Salvador, Ran está cada vez mais legal!

Copio, com sua licença, mais uma tirinha, para as amigas e amigos que gostam de falar de comida e comer:

ola senhor tomate  ran

Do tempo do zagaia

The piano has been drinkin' The piano has been drinkin’

Do tempo do zagaia

expressão antiga

do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça

do tempo em que o Mug era amigo do Boko Moko

Novo prédio da Rádio e TV na USP

TV digital TV digital

O professor Luis Fernando Angerami, da Escola de Comunicações e Artes da USP, avisa que dia 21 de outubro será inaugurado um prédio novinho para o curso de Rádio e TV.

Se der, apareço, viu?

Fiquei com vontade de voltar para a ECA. Quando eu estudei ali, nos anos 80, usava equipamentos paleozóicos.

Câmeras em preto e branco, bitola larguíssima, umas fitas que se desmanchavam sozinhas e que você editava na gilete. Isso, fita magnética, imagine, na gilete. Uma grande porcaria.

Eram herança da TV Tupi. Não serviam para nadica, mas a gente inventava e se virava. Não saía lá uma maravilha, mas a gente treinou tudo o que devia: enquadramento, luz, roteiro, direção. Treinou também fazer alguma coisa a partir do nada, na base do improviso e da criatividade.

Todo mundo se salvou. Quem saiu do curso e seguiu carreira nas artes visuais, fez sucesso e tudo. Quem não ficou tão famoso, como eu, ainda assim, lustrou as idéias.

Minha tese é que o curso ensinava a pensar e, inclusive por absoluta falta de condições, não era nada técnico. Aposto minhas fichas no sucesso de um curso assim.

Os vampiros de Sookie Stackhouse

lua lua

Cada um segue a novela que pode e eu viciei-me, confesso, nas histórias de vampiros de Sookie Stackhouse. O formato dos livrinhos é idêntico aos de Sabrina. Traduzi uma vez um livrinho da Sabrina e pude verificar a extensão da baboseira ali.

Estou no quinto livrinho da série escrita por Charlaine Harris (um bestseller do New York Times, como anuncia o selo na capa) e já vi todas as temporadas de “True Blood”, a adaptação para a TV feita pela HBO. Acredito estar habilitada a atestar a extensão da baboseira contida ali.

É interessante observar como o roteirista da série da TV arredondou e suavizou as besteiras de dona Charlaine. A foto da autora na orelha é inverossímil: uma mulher bem rechonchudona com colar de pérolas, toda sorridente. Não parece alguém interessada em vampiros. Mas parece uma leitora de Sabrina, aha!

É ela quem escreve a saga da garçonete Sookie Stackhouse, que acha finíssimo combinar a cor do batom com os brincos e que namora vampiros, sai com lobisomens e enfrenta bruxas. Uma salada mal escrita. Uma Sabrina pop.

Outra confirmação de que a historinha vicia: senti-me mais segura ao deixar a livraria ontem com outros três livrinhos sobre a brega da Sookie. Estoque suficiente para o feriado. Alívio.

Agora tem um “shapeshifter” que vira tigre, um “tigresomem”. É uma salada sem vergonha essa. Tão cheia de buracos que eu me sinto um gênio ao pinçar frases repetidas de livrinho em livrinho. “Provavelmente, a última coisa que os japoneses esperavam quando inventaram um sangue artificial é que sua disponibilidade traria os vampiros do reino das lendas para as luzes dos fatos.”

Essa frase deve ter 11 versões (uma para cada livro). É sempre um rearranjo para encher linguiça. Não gosto de terror, mas desde Lestat, o vampiro roqueiro, eu sentia falta de uma besteira desse porte.

Jovens preferem conversar pelo computador

Lazy Town Lazy Town

Quer teclar?

“Quase um terço (29%) dos jovens com idade entre 10 e 17 anos prefere conversar com seus amigos e familiares pelo computador do que pessoalmente.”

A notícia do G1 apresenta dados do Ibope Mídia: “No total, 45% dos entrevistados acreditam que as redes sociais já fazem parte de sua rotina: o índice sobe para 72% quando considera somente aqueles entre 18 e 24 anos e chega a 49% entre o público masculino”.

Ou seja, quanto mais jovem, mais chat na veia.

Post pago, mostra a sua cara

“Post pago/mostra sua cara/quero ver quem paga/para a gente ficar assim/Blogueiro, qual é o seu negócio?/O nome do seu sócio?”

Claro que Cazuza nem sonhava/tinha pesadelos com posts pagos e blogueiros preocupados com a monetização de seus textos quando escreveu a letra de “Brasil”. Cantarolei essa versão ao saber que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos definiu diretrizes para a responsabilidade civil sobre o post pago: blogueiro que receber para divulgar um produto terá de explicitar que o fez.

O jabá tornou-se ilícito, veja só. Presentinho, jantar, viagem, pagamento, qualquer retribuição em troca de divulgação ou promoção deve ser anunciada para o leitor.

“A partir de dezembro, blogueiros, tuiteiros e marqueteiros on-line dos Estados Unidos terão que contar aos consumidores quando forem pagos ou receberem presentes e outros brindes para escrever resenhas positivas ou posts promocionais”, explica a Folha Online.

Quem descumprir a determinação, pagará multa de US$ 11 mil: “Violating the rules, which take effect December 1, could bring fines up to $11,000 per violation. Bloggers or advertisers also could face injunctions and be ordered to reimburse consumers for financial losses stemming from inappropriate product reviews.”

Achei muito saudável. São boas novas. Vamos nessa, Brasil?

Quando brincar é bom

Brincar na calçada Brincar na calçada

Dia 12 vem aí e Francisco vai ganhar um livro com pop ups que traz sons de baleia, golfinho e ondas do mar. Encantamento meu com o livro, coisa minha, que não sou pródiga em presentes para ele. Sou contida, digamos assim, perto do que vejo ao meu redor.

Para Francisco, dia da criança é todo dia. Para mim, dia 12 é um pretexto para dar o livro. Se eu o presenteasse com mais uma bola, ele ficaria bastante feliz, embora já tenha a favorita, azul, brinde da barraca de pescaria de uma festa junina. Francisco ainda não pede presentes caros. Bola e raquete de ping-pong é a onda do momento.

Criança precisa de tempo e espaço para explorar seus brinquedos. Não precisa de tantos. Acho.

Gostei do mapa do brincar que a Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo, divulgou. É muito bom resgatar brincadeiras antigas e preservar as tradições. É bom brincar com pouco, com nada, com a imaginação.

Eu e outros pais, como a Luciana Terceiro, mãe da Alice, estamos de cabelo em pé com o consumo que envelopa a infância. Propaganda dirigida a criança é um absurdo, como mostra o documentário Criança, a Alma do Negócio.

Infância hoje é como reserva de mata nativa, desprotegida diante dos interesses comerciais. Nesse sentido, a Luciana indica em seu blog a Alana, uma instituição que busca proteger as crianças do consumismo.

Eu me sinto perdida nesse mundo de lançamentos de coisas de plástico e eletrônicos. Tudo é muito caro, tudo é marketing e embalagem. Faço um esforço para navegar em outras águas. Francisco ainda não entende nada disso, mas já reconhece alguns bonequinhos “de marca”. Lá vamos nós… como será o Dia das Crianças daqui a alguns anos?

Outra coisa: maquiagem e salto para menininhas, desculpem a caretice, para mim é algo estranho, muito estranho.

Dia sem carne

papinha papinha

Sem carne às segundas-feiras contra o aquecimento global. A proposta é que as pessoas não comam carne na segunda-feira. O lançamento da campanha será dias 3 e 4 de outubro, no Parque do Ibirapuera.

Quem me avisou foi o Laurent Rains. No fundo da memória remexeu-se uma lembrança de alguma celebridade hollywoodiana gastando suas fichas para convencer as pessoas a aderirem. Não sei quem.

Mudar um hábito é tão difícil. Mudar um hábito alimentar por uma motivação racional é coisa para poucos. Experimente fazer dieta. Experimente ficar proibido de comer chocolate. Vem uma vontade absurda de comer chocolate. Se você adora um bife, experimente parar de comer picanha só porque leu uma reportagem. Vai salivar loucamente quando o bifão passar exalando seus odores sob o seu nariz.

Eu, que tenho aversão a cheiro de carne e acho cheiro de picanha no fogo enjoativo para caramba, achei estranha essa ideia da campanha contra a carne. Será que funciona?

Não como carne desde a adolescência porque não gosto. Assim fácil. Sem camadas de ideologia em cima é mais fácil não salivar, mudar o hábito alimentar, comer de forma mais saudável etc.

Goste ou não do bifão, vale a pena uma segunda sem carne. Passe lá no blog Dia sem Carne para saber mais.

Programação

“Na Marquise do Parque haverá um caminho com grandes fichas coloridas, espécie de jogo, onde estarão dispostas informações, receitas e muito mais. As pessoas serão convidadas a percorrer o caminho de tijolos coloridos e entrar em quatro estações temáticas dispostas por este caminho: meio ambiente, ética, saúde e novos sabores.

Haverá exibição de filmes e palestras e apresentação e degustação de comida com a presença de alguns chefs na Escola Municipal de Astrofísica Professor Aristóteles Orsini, também no Ibirapuera.

Serão distribuídos e sorteados brindes como toy arts, receitas, camisetas, aventais e outros.

Oficinas do Gosto, promovidas pelo movimento Slow Food, serão promovidas gratuitamente para crianças, onde será possível desenvolver o olfato e conhecer alguns temperos. Haverá degustações no correr dos dois dias, oficina de compostagem doméstica e prática de yoga.”