Na escolinha Na escolinha

A escolha da escola, não fosse tão complexa, seria uma quadrinha.

Aconselho a quem procura uma escola para o filho imaginar o que gostaria de encontrar antes de sair a campo, para depois comparar com o que encontrou e chegar a um acordo. As mensalidades são de arrepiar o cabelo.

Repare no espaço físico. É limpo? É espaçoso? É seguro? Repare no espírito da escola, em uma sensação perceptível assim que você põe os pés ali. Há escolas barulhentas, eufóricas, há escolas tranquilas, há escolas apáticas e existem, infelizmente, escolas que lembram bufês infantis. Minha impressão é de que há público (clientes) para tudo.

Durante cerca de um mês, fizemos um tour pelas escolas indicadas por amigos ou frequentadas pelos vizinhos. O tempo para levar e buscar é importante, eu imaginei que se eram viáveis para os vizinhos, poderiam ser também para nós. Acabamos por escolher uma escola em outro bairro.

Encontramos muitas escolas preparadas para receber crianças com mais de 2 anos. Meu filho não chegou ainda lá. Em uma delas, renomada, bem bacana, no futuro uma possível escolha, a orientadora nos contou que a segunda-feira é dia em que as crianças sentam em roda para contar como foi o fim de semana. Fiz cara de interrogação: escute, estamos falando de uma escola para meu filho, lembra? Ele ainda não fala. Que maravilha essa escola, quem sabe, um dia. Fui.

Olhei o espaço físico e percebi, nessa bacaninha e em outras, um espaço perfeito para crianças maiores. Para quem ainda treina o equilíbrio, uma temeridade. Tsk tsk.

Uma visita me escandalizou: em vez de ensinar o que é boi da cara preta, uma escolinha infantil oferece para crianças a partir de 1 ano uma programação sobre o ano internacional da França. Nessa mesma escola, onde ouvi um discurso sobre “nutrição balanceada para suprir as necessidades do ser humano blá-blá-blá”, o cardápio do dia era “macarrão com sarchicha”. Então, escute, salsicha? Ah, é um embutido, mas é artesanal. Gente!

Fui visitar aquelas ali na esquina, onde eu chegaria em cinco minutos e voltaria a pé, empurrando o carrinho. São antigas residências em que seis turmas convivem e se espremem. Em uma delas tive a impressão de que as paredes tremiam com a gritaria de tantas crianças (14 por turma) reunidas em espaço tão exíguo.

Dispensei a escola top vip club, cuja mensalidade não alcanço, nem em sonho, tão cara quanto faculdade de medicina particular. Ou mais cara que isso. Até gostei de uma escola mantida por religiosos, ali a mensalidade era um fator muito favorável, mas pesou saber que a roda era feita dentro da capela, achamos que a orientação tinha grandes chances de não combinar conosco.

A escola de Francisco, 1 ano e 3 meses, tem quintais (no plural) com árvores, chão de terra e de areia, bastante espaço e um burburinho gostoso de crianças brincando. Ele adora o viveiro de jabutis, verdadeiros gourmets que ganham todo dia dos pequenos tomate, agrião ou alface, tudo lavado para que não haja problema quando a criança desiste de entregar o petisco para a tartaruga e decide improvisar um lanchinho. A comida é saudável, as preocupações são saudáveis.

Puxa, a escolha da escola seria uma quadrinha, não fosse tão difícil.