2009 March | anacarmen.com

Arquivo do mês: March, 2009

Dia da mentira

No perfection No perfection

Estou me guardando para quando o carnaval chegar.

Só saí para comprar cigarro.

Anota aí: prefiro um x-tudo na porta do estádio.

Pois você é a corda, eu sou a caçamba.

Ateliês da Vila Madalena abrem as portas

Frufru Frufru

No próximo fim de semana tem Arte da Vila, um evento anual em que os ateliês da Vila Madalena ficam abertos para visitas e comprinhas. São dias ótimos para quem gosta de caminhar pelo bairro. Se você preferir há um serviço de vans grátis para ir de uma ladeira até outra.

Saiba mais:

Trova, de Zeca Baleiro: o Brasil pela janela

Ganhei um presentão: “O Coração do Homem-Bomba, Volume 2″, álbum mais recente de Zeca Baleiro. Não demorou e já estava enfeitiçada pelo looping do refrão de “Tevê”:

“E a vida a passar, a vida sempre a passar…”

Verdade. O mundo cai, a Lusitana roda, pouca gente atinge o nirvana, mas a vida a passar, sempre a passar.

O presentão veio da Heleninha Tassara, diretora que fez bonito com o melhor média metragem da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário “Bode Rei, Cabra Rainha”. Helena convidou Zeca Baleiro para ler Ariano Suassuna, um grande entendedor da economia e do imaginário que circundam as cabras e os bodes. “O efeito colateral do filme foi que eu fiquei amiga do Zeca Baleiro”, conta ela.

Dessa amizade, nasceu o clipe de Trova, outra música desse álbum. As imagens são um corte e costura de sobras de outro documentário, travellings feitos para a série “O Povo Brasileiro” (baseada na obra de Darcy Ribeiro e dirigida por Isa Grinspum).

Gosto mais do clipe de “Trova” do que da música, mas essas coisas de paixão são tão pessoais. Gosto do clipe porque vejo o Brasil passar pela janela, como a vida, sempre a passar.

Palavra (en)cantada: a força do verbo em documentário

No fun at all No fun at all

Escolhi assistir ao documentário Palavra (En)cantada com medo do arrependimento. Seria um chatomentário? Seria uma verborragia de especialistas sobre a força do verbo? Uma herança daqueles que me rodeavam, livro em punho e pergunta pronta, “você gosta de poesia”?

Surpreendi-me. Para bem. Ao fim do filme, senti um conforto espiritual. Existem reservas de biscoito fino. Resiste a inspiração.
O verbo ainda tem poder, ufa, que beleza, estamos salvos. O Big Brother Brasil e afins são apenas ilusão, transtorno coletivo de comportamento.

O filme de Helena Solberg e Marcio Debellian tem a seu favor um elenco de pensantes interessantes. Não conhecia a verve poética de Lirinha, que conhecia no microfone, à frente do Cordel do Fogo Encantado. Adorei sua interpretação do poema de João Cabral de Mello Neto. Algo assim: o amor me tirou isso, me tirou aquilo e aquilo e tal, o amor me roubou o medo da morte.

Adorei também o mergulho nas imagens de arquivo que o filme traz. Por meio dela, descobri que a impertinência e a burrice dos repórteres televisivos tem linhagem, que remonta a 1967, quando Caetano Veloso apresentou “Alegria, Alegria” no festival da Record.

O antepassado dos repórteres sem graça dispara para Caetano: “E aí, como é que você coloca Coca-Cola e Cardinale na mesma música? De onde vem isso e por que fazer isso?” Faltou perguntar o sentido da vida.

Duas horas viajando em letras da MPB, os olhos de Chico Buarque para me ajudar a viajar, um canto trovadoresco interpretado por Adriana Calcanhoto só para abrir o apetite, no começo. Que filme bacana, como é bom falar português, como eu gosto dessa misturança brasileira que deu em música e poesia.

Para entender a internet: e-book é lançado pelo Twitter

Capa Para entender - em alta Capa Para entender – em alta

O Juliano Spyer, do Não Zero, organizou o e-book Para entender a Internet (ao lado, a foto da capa).

São verbetes sobre temas que permeiam a maioridade da web. Os 32 autores são gente que faz, pensa, estuda e vende a internet no Brasil.

O lançamento será uma experiência: via Twitter.

“Nesta terça (dia 17), às 18 horas (horário de Brasília) vou disponibilizar pelo Twitter o link para o site e para fazer o download do livro. Naturalmente, todos os autores têm conta no Twitter e serão convidados especiais para essa conversa. Não sei se isso já foi feito e nem o que vai acontecer”, diz o Juliano Spyer, “mas, no mínimo, vamos ter um bate-papo com quem quiser saber mais sobre esse projeto.

Aproveitando o convite para a conversa na terça, já adianto um possível assunto: que este livro pretende demonstrar que está muito mais fácil produzir livros úteis coletivamente e em prazos reduzidos utilizando a Web.”

Faça o download do livro aqui.

O Estado da Mídia 2009: pior, muito pior

Piano de criança Piano de criança

A sexta edição da pesquisa The State of the News Media 2009 traz notícias sombrias para o mundo relacionado ao jornalismo. Acompanho a série há alguns anos certa de que os Estados Unidos funcionam como um termômetro do jornalismo, em termos globais. Quando as coisas desandam por lá, os reflexos são sentidos aqui. Podemos esperar uma força semelhante em nosso mercado alguns meses depois, pois aqui a onda bate em seguida.

Pelas conclusões do projeto, ligado ao Pew Research Center e que tem como objetivo ser um “fact tank” apartidário para pesquisas de ciências sociais e opinião pública, aquilo que ia mal um ano atrás, agora desmorona. Não existe uma grande novidade, apenas a aceleração do processo, que ficou vistoso. Podemos ouvir o barulho que a mídia tradicional produz ao ruir.

Para quem, como eu, é jornalista, as notícias são tristes. Um em cada 5 jornalistas dos EUA perdeu o trabalho no ano passado, mesmo sendo um ano de eleição presidencial no país. Muitos jornais foram à bancarrota e a audiência migrou massivamente para a internet.

Para os estudantes que me procuram eu sempre digo que a minha profissão é a melhor para mim, porque adoro comunicação. De mim, o estudante também ouve, incrédulo, que um eletricista pode ser melhor remunerado que um jornalista.

O jornalista e a empresa jornalística perdem cada vez mais seu lugar ao sol. O relatório anual traz dados para sustentar essa afirmação: “Power is shifting to the individual journalist and away, by degrees, from journalistic institutions. The trend is still forming and its potential is uncertain but the signs are clear. Through search, e-mail, blogs, social media and more, consumers are gravitating to the work of individual writers and voices, and away somewhat from institutional brand. Journalists who have left legacy news organizations are attracting funding to create their own websites.

Ou seja: por meio de buscadores (como o Google), e-mail, blogs, redes sociais, entre outros, os consumidores voltam-se para o trabalho de autores individuais e distanciam-se das vozes institucionais (empresas de comunicação).

Leia mais:

Relatório 2008

Relatório 2007

Em tempo: A Hearst Corporation anunciou hoje que o jornal Post-Intelligencer, de Seattle, passa a existir somente na versão digital, seattlepi.com. A versão papel empregava uma equipe de 165 pessoas. A versão web precisa apenas de 20, segundo informou o New York Times. (Dica da tia Tina Foschini-Miller)

Links legais

Nunca terei tempo de compartilhar as descobertas. Para não dizer que tudo passou em branco, hoje parei para listar algumas:

1- O indivíduo, o movimento e a cidade.

Chris Esteves, coreógrafa, convida para debates na Casa das Caldeiras. O próximo debate é dia 23 de março, com Peter Pal Pelbart.

2- Para monitor notícias

Media Cloud, ou nuvem de notícias. Como elas são dadas, em que extensão, por quem. Lançamento do Berkman Center.

2- Os blogs das crianças

No blog da pequena Luna, uma aventura de bicicleta Tandem pelas pedras do Morro do Sabão.

A baby Alice chega para animar a festa. No Nhoc.

3- O amigo traidor

Tony de Marco escreve sobre os flagrantes do “jornalismo cidadão”.

Trechinho: “O povo vai misturando todo tipo de conteúdo pirateado com todo tipo de efeito manjado, sem medo de ser feliz.”

John Allen em Paraty a bordo do Heraclitus

Photo: Craig Inglis

Heraclitus é um navio de pesquisa que pertence ao projeto Biosphere 2, de John Allen. Ambos, Heraclitus e Allen, estão em Paraty, discutindo a nova etapa de um projeto que nasceu nos anos 60 para pesquisar a complexa rede de interações dos sistemas de vida.

No início, pesquisou-se como recriar ecossistemas artificialmente para, entre outras coisas, implantar uma base humana em outro planeta, por exemplo. Nesses anos, a pesquisa evoluiu em outra direção, a Ciberesfera. Não sei muito mais, recebo notícias sobre essa visita a Paraty de um amigo, Sergio Crochik, que escreve um livro com Allen e um arquiteto italiano sobre a ciberesfera. Imagino que as pedras irregulares das ruas de Paraty e suas ilhas paradisíacas sejam inspiradoras e deixo o registro aqui dessa visita que não foi muito noticiada.

A bordo: Quem se interessar, pode ouvir Allen a bordo do Heraclitus neste domingo, dia 15 de março, entre 14h30 e 17h30. Contatar Christine Handte, chefe da expedição.

Hi

Hi Hi

Ilusão é bão.

Confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção

(Wikipedia)

Erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea
1.1 confusão de aparência com realidade
1.2 confusão de falso com verdadeiro
2 efeito artístico produzido pelo ilusionismo
3 manobra astuciosa para enganar, iludir; logro, mentira

(Houaiss)