O Museu Brasileiro da Escultura (Mube) é tão perdido quanto eu na zona leste. Nâo sabe se é museu, se é anexo com laguinho de carpas do vizinho Museu da Imagem e do Som. Não descobriu sua vocação.
Transformado em cenário para festas luxuosas e casamentos, o museu me atraiu duas vezes, para duas exposições de fotos. Uma delas, que aparece na foto, é do Rankin, um fotógrafo de celebridades, organizada e bancada pelo Shopping Iguatemi, como explicavam os banners.
E as esculturas? Sei lá. Tem uma coisinha aqui e ali, mas vida e vida inteligente, não sei, nunca vi. Desculpe se for ignorância, mas o fato é que a programação não me “pescou” ainda.
Enquanto eu olhava os retratos de figuras carimbadas de Hollywood e da Billboard, respirava fumaça de cigarro. Em um museu. Bem, no Mube. Na sala contígua, um exército de homens montava uma pista de dança modernex, com tiras de pano para dar um tchan no ambiente. No meio do bate-bate, umas bitucas de cigarro e a fumaça, que não respeita tapumes.
Na superfície, uma “escultura” – ou seria “instalação” – chamou a minha atenção. Cadeiras de metal, dezenas delas, enfileiradas para esperar o sim de algum casal, quem sabe mais à noite.
Fantasiei que o catering pode ser providenciado ali mesmo no Museu – museu de que mesmo? No café, vislumbrei vários álbuns de fotos ao lado de menus… Quem sabe são fotos das diversas montagens que é possível encomendar. Quem sabe. Não parei para perguntar.
Que pena. São Paulo precisa tanto de praças, de bancos, de museus arborizados e cheios de vida artística. Em local tão privilegiado, no coração do Jardim América, ao lado de mansões, a observar os carros que descem a rua Augusta a 120 por hora, o Mube fica ali, como uma área de exposições de fachada, como se a programação fosse um álibi que esconde sua verdadeira atividade: bufê de festas.
Já fui a algumas dessas festas, são mesmo gostosas. O espaço é amplo, modernex. As empresas que alugam o museu encomendam salgadinhos do tipo “blinis com cream cheese, salmão defumado e um galhinho de salsa crespa por cima” e drinks servidos em tubos de ensaio, coisas do gênero.
Em compensação, lá do outro lado da cidade, no Jardim da Luz, as esculturas respiram ao lado de um museu, a Pinacoteca do Estado, que funciona como museu. Ufa.


Lucia Freitas
February 6th, 2009 at 5:49 pm
Ah, teu olhar preciso e escrita perfeita. Descreveu maravilhosamente a situação. Obrigada, Ana.
bj
Renata
March 18th, 2009 at 12:58 pm
Como pode uma crítica tão sem fundamento como esta.
O MuBE realmente está em um tereno cedido pela Prefeitura, foi construído pela iniciativa privada e não recebe nenhum aporte de governo.
Seria melhor uma visita ao museu para ver seus cursos gratuitos, suas oficinas, palestras, projeto de arte inclusão, mostras de cinema com entrada franca que não tem tanto glamour ou efeito midiático.
Realmente são ações silenciosas e ninguém fala muito sobre elas.
Se você tem alguma sugestão, venha colaborar.
anacarmen
March 18th, 2009 at 1:43 pm
Oi Renata, desculpe se minha crítica a atinge de alguma forma, não tem nada de pessoal nela. Não a conheço, nem sei qual é sua ligação com o museu.
No dia de minha visita ao Mube, o museu tinha fumaça de cigarro na área de exposições e o barulho de um canteiro de obras para a montagem de uma pista de dança nos acompanhou o tempo todo.
A visita ao museu, portanto, eu já fiz. Não gostei do que encontrei, escrevi a respeito porque tenho uma ligação afetiva com instituições culturais, acredito que elas tem um poder enorme na formação das pessoas.
Quanto a oficinas, palestras, projeto de arte inclusão que o Mube promove, tudo isso é benvindo, são importantes e mesmo essenciais essas atividades impulsionadas pelo museu.
Acredito, no entanto, que um museu que tem escultura no nome deveria ter um plano de vôo mais afinado com a “escultura brasileira”. Pode ser apenas uma questão de títulos e palavras, mas é como se um museu dedicado ao design se destacasse pela programação musical.
As ações silenciosas e sobre as quais ninguém fala muito aparentemente necessitam de um plano de comunicação. Não posso dar mais palpites assim de longe, mas se eu puder colaborar, farei isso de boa vontade.
ana maria
April 26th, 2009 at 3:57 pm
ana carmem, vc tem ido lá ultimamente? para ver a mudança de conceitos os projetos serissimos dessa nova diretoria, se não tem ido vá, pois acho que vc. vae gostar.
Ana Carmen
April 27th, 2009 at 8:50 am
Mudou a diretoria? Quando será? Gostaria de saber mais sobre os novos projetos. Que bom que houve mudanças.
Marcela
February 5th, 2010 at 2:43 pm
Não é por nada não, mas você esta por fora mesmo.Aliais o Museu fica no Jardim Europa ta?! Não no Jardim América.Antes de escrever pesquise um pouco mais(ou muito mais).
Ps:Já faz um bom tempo q a diretoria mudou.
Ana Carmen
February 8th, 2010 at 9:07 am
Marcela, você tem razão, a gente deve pesquisar mais antes de escrever o bairro errado em um post de um blog pessoal que não tem a pretensão de ser um texto jornalístico. Obrigada pela dica.
Quanto ao fato de a diretoria do Mube ter mudado há muito tempo, isso é natural, leia a data desse post, 5 de fevereiro de 2009, um ano exato antes de sua visita.
Acho curioso como uma crítica com palavras afiadas recebe comentários igualmente emocionais e cortantes. Eu preciso aprender mais essa.
Angela
December 13th, 2010 at 11:18 pm
O MuBE tem uma agenda cultural diversificada e inovadora, com projetos de nível internacional abertos ao público, incluindo a participação. A arquitetura monumental de Paulo Mendes da Rocha permite que o Museu abrigue exposições tanto de fotografias como pinturas ou qualquer outro tipo de suporte, arte não tem limites. A primeira Bienal do Grafite foi histórica e repercutiu pelo mundo, recentemente li uma matéria na revista Bravo sobre o Museu. Entre outras coisas tbm fazem um festival de cinema muito, mais muito bacana. Nos Estados Unidos e muito comum instituições como o MuBE criadas pela iniciativa privada que não recebe suporte do governo, tendo que arcar com altos custos de manutenção e a população sabendo disso costuma colaborar como pode. Nao sou Funcionária apenas uma frequentadora que participa, o MuBE é um Museu democrático de portas abertas e merece todo o nosso respeito e admiração.
anacarmen
December 22nd, 2010 at 10:06 pm
Angela, que bom que o museu inspira! Fico contente em saber que o MuBE saiu de uma triste situação para esse novo cenário que você descreve, mais adequado a uma instituição cultural. Que siga assim, então, se ele agora é democrático, de portas abertas, com mostras legais.