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Como choveu hoje. Momentos de tensão na rua, quando fiquei acelerando o carro para a água não entrar pelo escapamento. Asfalto sumiu, sobrou uma poça expandida. A avenida interditada e eu obrigada a seguir por mais algumas quadras em meu batmóvel anfíbio. Víveres, ok. Um pacote de pão e meia garrafa de água com gás. Sobreviverei. Mas não ao congestionamento. Ao noticiário repetitivo: 105 km de lentidão no trânsito de São Paulo. 110 km. 120 km e assim por diante. Eu e meu quinhão de congestionamento ali, numa convivência muito próxima. Ainda bem que estou sozinha. Sem o bebê. Ainda bem que estou sozinha? E se o carro para? O que eu faço nessa Veneza ao lado do rio Tietê? E quem me salva. Ninguém me salva. Olha o cara com guarda-chuva… Será que ele ainda tem algum pedacinho de roupa seca? Eu, pelo menos, continuo seca. Outro dia molhei os pés e precisei de um bom banho quente. Atchim. No outro dia, atchim. E essa rádio é bem melhor, jazz pelo menos. Ih, comi o pãozinho todo. Também, né, já é mais do que hora do jantar. E eu aqui. No trãnsito. Sobreviverei à enxurrada. Pronto, já passou, escapei. Que chuva, que tempestade e lá vem a moça do tempo. Centro oeste todo, norte, sul, chove para todo o lado, Dracena ilhada. Vinte casas desabaram. Avenidas em São Paulo alagadas e intransitáveis. Outras 18 alagadas e transitáveis. Estive em uma delas.