2009 January | anacarmen.com

Arquivo do mês: January, 2009

Elegância da manhã, um lindo videoclip

Her Morning Elegance, de Oren Lavie. Um clip lindo, lindo. Dica do Blog do Editor.

Como fez Marcus Mark Cardoso em seu post, reproduzo a letra, igualmente bonita:

Letra da música Her Morning Elegance, de Oren Lavie:
Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case

Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
with a thought she has caught
by a thread
she pays for the bread
and she goes…
Nobody knows

Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
with a thought she has caught
by a thread
she pays for the bread
and she goes…
Nobody knows

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
where the people are pleasantly
strange
and counting the
change
as she goes…
Nobody knows

Chove e molha

skate skate

Como choveu hoje. Momentos de tensão na rua, quando fiquei acelerando o carro para a água não entrar pelo escapamento. Asfalto sumiu, sobrou uma poça expandida. A avenida interditada e eu obrigada a seguir por mais algumas quadras em meu batmóvel anfíbio. Víveres, ok. Um pacote de pão e meia garrafa de água com gás. Sobreviverei. Mas não ao congestionamento. Ao noticiário repetitivo: 105 km de lentidão no trânsito de São Paulo. 110 km. 120 km e assim por diante. Eu e meu quinhão de congestionamento ali, numa convivência muito próxima. Ainda bem que estou sozinha. Sem o bebê. Ainda bem que estou sozinha? E se o carro para? O que eu faço nessa Veneza ao lado do rio Tietê? E quem me salva. Ninguém me salva. Olha o cara com guarda-chuva… Será que ele ainda tem algum pedacinho de roupa seca? Eu, pelo menos, continuo seca. Outro dia molhei os pés e precisei de um bom banho quente. Atchim. No outro dia, atchim. E essa rádio é bem melhor, jazz pelo menos. Ih, comi o pãozinho todo. Também, né, já é mais do que hora do jantar. E eu aqui. No trãnsito. Sobreviverei à enxurrada. Pronto, já passou, escapei. Que chuva, que tempestade e lá vem a moça do tempo. Centro oeste todo, norte, sul, chove para todo o lado, Dracena ilhada. Vinte casas desabaram. Avenidas em São Paulo alagadas e intransitáveis. Outras 18 alagadas e transitáveis. Estive em uma delas.

Rescaldo da Campus Party, a quermesse do mundo digital

ideias luminosas ideias luminosas

Levei meu filhotinho de 1 ano no último dia de Campus Party. Foi ótimo. Ele queria mexer em todos os mouses, teclados, cpus e fios que viu. Sei lá como essa nova geração entende o mundo digital, mas tenho a impressão que ele em breve me dará aulas sobre câmeras, celulares e computadores. Ele já sabe “folhear” as fotos que tirei na minha câmera. Aperta a flechinha e volta, imagem por imagem. Fala sério!

Bom, no último dia de Campus Party o Tony de Marco falou sobre o sucesso de sua série de imagens No Logo, que registraram o sumiço da publicidade nas ruas de São Paulo com a Lei Cidade Limpa. Ele comentou algo que faz sentido: depois da lei, a publicidade ostensiva e incômoda migrou para o subsolo, para o metrô.

Ainda na área de fotografia, a Gleice Bueno concluiu o workshop sobre o Olhar Estranho e o Edison Angeloni falou sobre Pin Hole digital, coisa que eu desconhecia. Adorei a paixão dele por traquitanas, por formas de registro simples e esquisitas, tipo barril com furinho, caixa de fósforo com furinho que registra tudo distorcido. Qualquer objeto vira uma câmera na mão de quem entende de pin hole, pelo que entendi. Será que alguém já tentou com uma concha? Na praia, sei lá, as idéias aparecem…

Marijô Zilveti gravou um vídeo para o Pictura Pixel e eu, como sempre muito envergonhada, fiquei megaencabulada diante da lente, pilotada por Hans Georg:

No rescaldo do #cparty ainda entra uma entrevista da Folha Online, que recebi no domingo, via formulário de contato do meu blog, sobre o melhor e o pior do evento. Copio minha resposta (não se sabe nunca o que sobrevive na edição):

1- O melhor da Campus Party é o encontro entre as pessoas. E a rede é feita pelas pessoas. Muitas se conhecem apenas pela internet e tem ali oportunidade de um encontro presencial. Campus Party é uma espécie de quermesse do mundo digital, no qual a comunidade confraterniza.

2- O pior da Campus Party: A cacofonia gerada pela proximidade entre os palcos e o volume do som do palco central. Neste ano, mal se ouviam as palestras, parecia uma feira do peixe onde bom cabrito é o que mais berra.

Fotografia no Campus Party: do zero ao tudo de bom

João Liberato João Liberato

Somente no início de janeiro que a área de fotografia do Campus Party foi oficialmente criada. A pressa bateu na minha prainha. Renato Targa (meu marido), coordenador da área no evento, topou o desafio binário: do zero ao 1 em poucos dias. O relógio já na contagem regressiva. Tique taque. Dois dias para montar uma grade de palestras e workshoops. Tique taque.

Procurei ajudar. Os amigos fotógrafos-buscadores-estudiosos toparam participar. A rapidez deu frutos. Oficialmente, ainda não é um coletivo, mas é oficialmente feliz esse encontro.

Eu não pude cobrir o evento como gostaria, mas o Fotocolagem faz isso diariamente, veja que bacana: Fotocolagem

Essa mesma foto aqui do post foi parar no blog de um site muito legal de fotografia, o PicturaPixel. Uma cobertura com muitos colaboradores, graças à ação da antenadíssima jornalista carioca Adriana Paiva: Pictura Pixel

O Fore escreveu sobre o segundo dia de fotografia no campus party.

Como eu disse outro dia, o melhor do #cparty são as pessoas e esse encontro feliz.

Bom cabrito é o que mais berra na Campus Party

Fotógrafos :) Fotógrafos :)

Entrei de gaiata no navio da Campus Party. Ancorei no porto da fotografia, em ilustre companhia. Renato Targa, Boi, João Liberato (na foto), Fábio Pazzini, Michelle Gomes, Aline Moura, Rafael Jacinto e os meninos da Cia de Foto, tudo isso no primeiro dia. E tem mais nas palestras e workshops da semana.

Para chegar às lonjuras da Imigrantes, fui de metrô e desci na estação Jabaquara. Voltei de carona, esmagada na Bandeirantes entre caminhões gigantes que transportam contêineres. Tá louco, que mico.

Da #cparty, tag que a gente usa para agregar posts, fotos e vídeos no livestream do BlogBlogs, eu trouxe algumas considerações:

1- Barulho infernal
Pensei que estava na feira do peixe. Na Campus Party, bom cabrito é que mais berra?

2- Programação de blogs legal
Não deu tempo de comentar, mas ficou bacana a grade do Campus Blog. Tentei chegar perto ontem da área, mas o lugar estava bombando, gente demais, e eu fui embora sem nem saber do que se tratava. Sei que reuniu muita gente.

3- A luz é uma m…
Olhei de nariz torto para minha coleção de fotos: por que não estava lá essas coisas? Resposta: a luz é uma porcaria. Ai que saudades das janelonas do prédio da Bienal.

4- Morri com a latinha de refrigerante na mão
Na lanchonete, não encontrei lata de lixo reciclável. O Jorge Cordeiro disse que elas existem, mas eu não achei. Mal sinal. Fiquei só na vontade de clicar o lixo orgânico misturado com o reciclável. Fui impedida pelo senso estético.

5- As pessoas são começo, o meio e o fim :)
O melhor disso tudo ainda é encontrar as pessoas e ter oportunidade de papear sobre besteiras.

6- Eu sou o @qualquercoisadotwitter
Fui apresentada a muita gente e percebi que a praxe é dizer o nome e depois como a pessoa assina no twitter. Esquisito para caramba. Não consigo guardar nomes, imagine avatares. Complicou para o meu lado.

7- Pena que não deu para ouvir
Volto para onde comecei. De que adianta um monte de palestras e debates interessantes se a gente não ouve nada? A #cparty virou uma cacofonia dos infernos?

Lembrei de uma viagem a Belém. Fui a uma festa da SBPC na zona da cidade, onde cada boteco/bordel punha uma caixa de som gigantesca na porta e tocava uma música diferente. Lembrei daquela competição grotesca em termos de decibéis e lamentei não ouvir o que os fotógrafos falavam na #cparty.

Mas descobri que alguém ali ouve até demais: Mr. Manson, com um microfone direcional, passa o tempo a ouveir a conversa alheia a metros de distância, sem que ninguém perceba. Aproveita para gravar e publicar na web a conversa. Tá bom para você?

Murakami,cigarras e Kafka à beira-mar

Nas nuvens Nas nuvens

Desliguei-me do computador por quase duas semanas e ainda não voltei à conexão máxima. Por coincidência ou não, experimentei as delícias da leitura de férias, aquele livro que fica no colo por algumas páginas até as pálpebras pesarem e você dormitar na modorra da tarde de verão. Ao som das cigarras. Ci-ci-ci-ciiiiii.Nem sei explicar a delícia dessa experiência de leitura.

O livro que caiu como luva nessa ilusão de permanência e de pausa foi Kafka à Beira-Mar, de Haruki Murakami. Descobri nesse autor japonês uma veia do realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez e adorei a delicadeza com que ele trata as pulsões sexuais. É como se falasse de sequilhos.

Li Kafka à beira-mar inspirada pelos elogios entusiasmados de uma resenha da Miki W.

É tão gostoso encontrar um livro que você adota como companhia, é uma leitura que ao absorver toda a atenção, oferece descanso. Há muito eu não tinha esse tempo interno. Nem sei se Murakami tem algo a ver com ele, mas vou atrás de tudo o que ele escreveu. Kafka à beira-mar eu recomendo.