Nesta segunda, dia 8, fui convidada a fotografar o programa Roda Viva, da TV Cultura. O tema eram os direitos humanos no Brasil e o convidado, o ministro Paulo Vannuchi.
Fui para a Cultura com um frio na barriga, pois foi minha primeira cobertura oficial como fotógrafa. Sempre fotografo, mas nunca com a obrigação de apresentar algo que preste. Se sair bom, ótimo, se não der em nada, não deu.
Espantei o nervosismo com uma conversa fiada com o motorista do táxi sobre os últimos 35 anos da Freguesia do Ó. Depois, cliquei freneticamente e postei mais de 60 fotos. Publiquei mais de uma foto por minuto do programa. Tudo ali no calor da hora, ao vivo.
Se tirei boa nota no quesito “dedos nervosos”, como fotógrafa eu ainda sou boa escritora, algo assim. Nenhuma imagem ficou uma maravilha, nenhuma fala e vale por si. No entanto, fiquei satisfeita com a coleção, que você confere no set Roda Viva do meu Flickr.
Voltei para casa feliz da vida, pensando que só falta eu conseguir pagar as contas fazendo essas coisas de que gosto. Minha familiaridade com Twitter, Flickr, bastidores de TV e entrevistas ajudaram, eu estava no meu metier.
O programa teve uma transmissão experimental participativa, que você pode conferir no Radar Cultura.
Os convidados das redes sociais (Twitter e Flickr) responderam previamente, por e-mail, o que acham dessa modinha de viola. Veja o que dissemos: eu, Milton Jung, Rodrigo Savazoni e Hernani Dimantas.
Fotógrafo invisível
Aprendi uma coisa: fotógrafo é invisível. O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, foi muito simpático com todos, cumprimentou um a um os que estavam nos bastidores. Eu, com minha câmera gigantona na mão (equipamento profissional, nada de camerazinha dessa vez), acenei umas duas vezes com a cabeça para cumprimentar o ministro, que não percebeu.
Fotógrafo é aquele verbo “registrar”, aquele substantivo “imprensa”, aquela impressão de “lá vêm eles”, aquele comportamento de cardume e instinto de cão perdigueiro. Fotógrafo não é, naquele momento do clicar, uma pessoa, um jornalista, um convidado.
Na próxima, antes de sair roubando imagens e a alma de um ministro, vou me apresentar ou vou cumprimentá-lo e pedir licença, se puder.


miki w.
December 9th, 2008 at 1:33 pm
fofa!
adorei “antes de sair roubando a alma de um ministro, vou cumprimentá-lo e pedir licença, se puder” ^.^ e tb “dedos nervosos”
bjs, querida!
miki
Lucia Freitas
December 9th, 2008 at 1:53 pm
Eu confesso que fiquei hiper feliz com teus dedos nervosos. E reforço o teu pedido: ganhar dinheiro fazendo estas coisas “que a gente gosta”. Estes momentos iluminam a vida, não?
Claudia Regina
December 9th, 2008 at 1:59 pm
Devo ter comentado só uma ou duas vezes aqui no seu blog, mas ao ler este post nos meus feeds achei muito interessante… trabalho como fotógrafa e essa visão do “lá vem eles” eu nunca tinha conseguido expressar em palavras… parabéns! Adorei o texto, e as fotos estão ótimas!
Beijos
magaly prado
December 9th, 2008 at 2:39 pm
gostei muito das fotos, AnaCarmen! acho bem legal cobrir um pgm assim, mostrando principalmente os bastidores, os intervalos, a maquiagem, enfim, o outro lado da tela, pra quem nao tah lah e nao faz ideia como eh… muito mais do q meros retratos daquilo q jah estamos vendo… gostei pacas! bjs
anacarmen
December 9th, 2008 at 3:00 pm
Oi Miki, obrigada pela flecha que indica onde acertei em cheio.
Lúcia, é sonho e a gente deve repetir, quem sabe eu chego lá
Cláudia, já reparou como os fotógrafos são entrões? Pelo melhor ângulo, pisam na grama, não é assim?
anacarmen
December 9th, 2008 at 3:04 pm
Obrigada Magaly, eu procurei o que eu mesma teria curiosidade de ver: como é a geografia dos bastidores, o que as pessoas fazem antes, durante e depois longe das câmeras, como é a equipe.
Pensei que um ministro como convidado não atrairia tantos espectadores/internautas, mas vejo que muita gente estava sintonizada no programa. Melhor ainda.