2008 December | anacarmen.com

Arquivo do mês: December, 2008

Balanço e festa

Anel/Ring Anel/Ring

Fim de ano tem: repensar o que foi, imaginar o que vem e festejar, enquanto isso, aquecida pelo verão, pelo calor da família e dos amigos.

Hora de pegar a estrada, encontrar o caminho, olhar as nuvens, imaginar bichinhos e construir castelos, como um treino criativo para o ano que se inicia.

De malas prontas, falta regar as plantas e dar um até breve pelo blog. Lá vou eu.

Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade

Media Re:public: News and Information as Digital Media Come of Age (Re:pública da Mídia: Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade) é um estudo divulgado pelo Berkman Center for Internet & Society, da Universidade de Harvard.

Sua leitura é uma lição de casa para todo mundo que trabalha com comunicação e, principalmente, com notícias. Como eu.

Passo os olhos na conclusão do estudo: “Most of the challenges are linked directly to the disaggregation and  disintermediation of the media business, which offer both new opportunities and new challenges to authors, editors, and audiences alike.” Em resumo: o que fazer com essa mudança? Como ganhar dinheiro, como ter credibilidade? Quem deve produzir notícia? Que modelo de negócio serve para o jornalismo, hoje em dia?

Autores se dizem otimistas

“After a year spent talking to stakeholders across a broad spectrum of media and technology enterprises, overall we are optimistic. We believe that the combination of new and emerging digital media technologies with the deep expertise of the best of the traditional journalism community has the potential to create a news and information environment in the United States and other countries that is richer, more engaging, and more representative than anything that existed previously.”

Em resumo: as coisas estão melhores hoje do que jamais estiveram.

* Página do projeto
* blog
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Bolos, expressão de afeto

bolos bolos

Fiz um bolo de especiarias porque uma amiga vem me visitar. Ganhei o bolo com pasta americana de outra amiga, que veio me visitar e, com extrema gentileza, agradeceu um jantar com essa flozinha e um bolinho, enviados pelas ondas da internet.

Bolos são expressão de afeto, concluo.

Nos seriados americanos, a moça faz cupcakes quando está carente. Quanto mais carente, mais fornadas desses bolinhos assados em formas de megabrigadeiro e cobertos com essa pasta americana (que na foto é branca), boa para esculturas de bichinhos, florzinhas e doce como o quê. Meu bolinho tem a data do Natal, por exemplo.

Bolinho de chuva é outro que leva uma carga emotiva. Lembra tardes de infância, casa da avó, joelho sujo de terra, tédio de tardes de chuva. É frito, é uma bomba, mas é bom como donuts, sou louca por donuts.

Essa mesinha hoje é para agradecer as gentilezas e as doçuras das amigas e dos amigos em 2008.

Que o próximo ano nos coloque a todos outras mesinhas bem fornidas e felizes!

Números da internet no Brasil: acesso em casa para 38 milhões

É considerável o número de pessoas que navegaram na internet a partir de suas residências durante o mês de novembro: 38 milhões de pessoas, segundo dados do Ibope//Netratings. “Além de redes sociais, brasileiro começa a navegar mais em sites de automóveis, e-commerce, notícias, buscadores, e-mail e casa e moda”, diz o press release da empresa.

“O número de pessoas que moram em residências em que há computador com acesso à internet subiu para 38,2 milhões, crescimento de 5% sobre o trimestre anterior e de 19% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o IBOPE//NetRatings. Em dois anos, o crescimento foi de 73%. Dessas pessoas com acesso, 24,4 milhões navegaram em novembro, aumento de 3% sobre o mês de outubro e de 13% sobre novembro de 2007.”

Passamos do be-a-bá

Com dados estatísticos, o analista Calazans chegou à mesma conclusão que eu, com base no meu achômetro. O brasileiro já avança alguns passinhos na navegação além do be-a-bá. A coleção Conquiste a Rede, que comecei a escrever em 2005 e que foi lançada no ano seguinte, combinava com esse primeiro ciclo.

“Os internautas dos outros países têm aumentado seu tempo de permanência, atraídos principalmente por sites de relacionamento social, que são os conteúdos que mantêm as pessoas por mais tempo conectadas”, diz José Calazans, analista de mídia do IBOPE//NetRatings.

Tá na moda

“No Brasil, esses sites de comunidades sempre representaram também a maior parte do tempo on-line, mas outras categorias vêm crescendo acima da média em tempo de navegação por pessoa. ‘Automóveis’, ‘Casa e Moda’, ‘Comércio Eletrônico’, ‘Notícias e Informações’, ‘Buscadores’ e ‘E-mail’ foram as que registraram o maior aumento do tempo de permanência por usuário nos últimos seis meses.

As redes sociais e a possibilidade de se relacionar com os amigos atraem os usuários, que então passam a navegar também em outros sites. Nesse aspecto, os novos internautas brasileiros, que compraram computador nos últimos dois anos, já superam a fase de conhecimento da internet pelas redes sociais e começam a descobrir os outros conteúdos disponíveis na rede.”

O tempo sem tempo

efêmero efêmero

A gente nunca tem tempo, ele sempre escorre entre os dedos.

Fotógrafos, safáris e coletivos

Pra ficar pensando melhor Pra ficar pensando melhor

A dica é da Gleice Bueno e eu reproduzo o texto que ela enviou por e-mail porque está bem escrito e explica tudo. A foto do post é do set no Flickr do Encontro de Coletivos Ibero-Americanos.

Dica da Gleice:

“Gente, vale muito a pena o Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos que está rolando na Galeria Olido.

Coletivos fotográficos são como centros de umbanda, pelo que pude perceber. Não há um igual ao outro. Há sim aquilo que os une – além do termo – em torno da premissa maior que parece ser a vontade de ter controle sobre sua produção. E todos fazem da web o principal meio de difusão.

Propostas autorais, outras mais documentais e, por que não, algumas mais comercias foram apresentadas ontem à noite (11/12) pelo Mondaphoto, Garapa, Pandora (virei fã) e Supay Fotos. Diferenças que só somam, eles contaram como, quando e por que decidiram se agrupar, tendo a fotografia como élan.

Os discursos que embasam e justificam a produção plural em torno de uma única marca variam entre ideais democráticos, colaborativos e as sinceras declarações de busca por mais visibilidade para os trabalhos.

O mexicano Mondaphoto, que existe desde 2006, funciona como uma agência, na qual seis jornalistas prestam serviços para mercado editorial e publicitário. Com o mercado cada dia mais competitivo, acharam inteligente se organizar como coletivo para alavancar mais trabalhos e conseguir, de quebra, financiar os projetos pessoais e do grupo.

O brasileiro Garapa vai além dos limites estáticos da fotografia. São um coletivo multimídia formado por três repórteres fotográficos, reunidos há pouco mais de um ano, para cumprirem as pautas que estão a fim e que – muitas vezes – não cabiam nas páginas dos jornais. Além de potencializar a realização dos trabalhos, a crítica permanente é destacada por eles como grande vantagem do trabalho coletivo.

O Supay Fotos, do Peru, também foi criado em 2007 para documentar e difundir a cultura peruana: as festas, a fé, a força. Os quatro membros são “cholos” e estão vivendo, contando e fazendo a própria história.

Deixei por último o que considerei o melhor trabalho da noite, o do Pandora. Vai ser bom assim mundo a fora! É um coletivo com características extremamente globais, focado num tema único: o ser humano. A produção de cada trabalho do Pandora é praticamente individual, da pauta a pós-produção. O conteúdo social é o que une os seis fotógrafos da agência, criada há um ano, para contar histórias que acontecem em diferentes cantos do planeta.

Forma de organização contemporânea (e da modinha), apesar do trabalho reunido sob um nome único, parece sobrar bastante espaço para a individualidade nos coletivos, ao menos nos citados acima. Enquanto descobrem as formas mais adequadas de trabalho conjunto, o pessoal parece bem satisfeito com o aprendizado e os resultados já conquistados.”

www.mondaphoto.com
www.supayfotos.com
www.garapa.org/
www.pandorafoto.com

Safári na Paulista

A dica é do Milton Jung e a recebi via twitter. Reproduzo o texto do post porque o blog dele não tem link permanente para cada texto (vai entender essa política das grandes empresas de comunicação):

“O fotógrafo profissional e professor Eduardo Miguel Garofalo convida para um passeio pela Avenida Paulista, neste sábado, às três e meia da tarde. A intenção é que o cidadão com sua câmera na mão – e não precisa ser profissional – se dê a oportunidade de conhecer os detalhes da avenida no momento em que a região está decorada para o Natal. O material registrado será depois apresentado em exposição organizada por Garofalo.

Para quem aceitar o convite, faça sua reserva, de graça, pelo telefone (011) 4121-3120″

Onde guardar brinquedos

tunel tunel

Há duas semanas procuro uma solução para guardar os brinquedos do Francisco. Se você tiver alguma dica, vou adorar.

Fui até a Kokada e achei umas caixas e baús lindos com preços muito feios. Uma caixa com rodinhas custa R$ 850.

A Luciana Terceiro mandou links de coisas de sonho da Great Little, que tem várias opções de caixas e baús.

Ela, que coleciona links dos sonhos para crianças, indicou também esse baú meio trambolhudo.

Vi em supermercados e na Liberdade caixas organizadoras de plásticos, bem básicas e sem graça nenhuma. Custam em média R$ 80. Nâo achei que uma boa opção porque não chegam a ser baratas e estão longe de serem bonitas. Já tenho uma em uso e o meu bebê adora batucar nela. Ele tem força para virá-la sozinho e espalhar tudo no chão. Pensando bem, até que essas caixas são um boa opção para começar a conversa.

No Desabafo de Mãe encontrei um post sobre o assunto, mas infelizmente ele não trouxe nenhuma luz sobre onde guardar as coisinhas.

Vou experimentar as lojas de móveis e brinquedos educativos. Se não encontrar nada viável para o meu bolso, vou bater um papo com o marceneiro e levar umas idéias da Little Great.

Atualizado em 14/12 - Eu comprei um tigre com perninhas de pato na Etna por R$ 39 que, por enquanto, vai quebrar meu galho. É uma espécie de túnel feito com anéis de arame recobertos por tecido impermeável amarelo-cone-de-sinalização-de-rua. Uma das extremidades é o fundo, a outra tem a cara do tigre que funciona como tampa. Assim que tirar uma foto, mostro o trambolho aqui. Estou prestes a acionar a tecla marceneiro, como comentei com o Gustavo, que deixou um comentário abaixo.

24/03/2009: O tempo passou e eu e o tigrão ficamos muito amigos. Recomendo essa solução baratinha e vistosa. Não cai na cabeça da criança e resolve o problema dos brinquedos espalhados. Um banho no tigrão de vez em quando é recomedável.

O fotógrafo invisível

Roda Viva da coxia Roda Viva da coxia

Nesta segunda, dia 8, fui convidada a fotografar o programa Roda Viva, da TV Cultura. O tema eram os direitos humanos no Brasil e o convidado, o ministro Paulo Vannuchi.

Fui para a Cultura com um frio na barriga, pois foi minha primeira cobertura oficial como fotógrafa. Sempre fotografo, mas nunca com a obrigação de apresentar algo que preste. Se sair bom, ótimo, se não der em nada, não deu.

Espantei o nervosismo com uma conversa fiada com o motorista do táxi sobre os últimos 35 anos da Freguesia do Ó. Depois, cliquei freneticamente e postei mais de 60 fotos. Publiquei mais de uma foto por minuto do programa. Tudo ali no calor da hora, ao vivo.

Se tirei boa nota no quesito “dedos nervosos”, como fotógrafa eu ainda sou boa escritora, algo assim. Nenhuma imagem ficou uma maravilha, nenhuma fala e vale por si. No entanto, fiquei satisfeita com a coleção, que você confere no set Roda Viva do meu Flickr.

Voltei para casa feliz da vida, pensando que só falta eu conseguir pagar as contas fazendo essas coisas de que gosto. Minha familiaridade com Twitter, Flickr, bastidores de TV e entrevistas ajudaram, eu estava no meu metier.

O programa teve uma transmissão experimental participativa, que você pode conferir no Radar Cultura.

Os convidados das redes sociais (Twitter e Flickr) responderam previamente, por e-mail, o que acham dessa modinha de viola. Veja o que dissemos: eu, Milton Jung, Rodrigo Savazoni e Hernani Dimantas.

Fotógrafo invisível

Aprendi uma coisa: fotógrafo é invisível. O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, foi muito simpático com todos, cumprimentou um a um os que estavam nos bastidores. Eu, com minha câmera gigantona na mão (equipamento profissional, nada de camerazinha dessa vez), acenei umas duas vezes com a cabeça para cumprimentar o ministro, que não percebeu.

Fotógrafo é aquele verbo “registrar”, aquele substantivo “imprensa”, aquela impressão de “lá vêm eles”, aquele comportamento de cardume e instinto de cão perdigueiro. Fotógrafo não é, naquele momento do clicar, uma pessoa, um jornalista, um convidado.

Na próxima, antes de sair roubando imagens e a alma de um ministro, vou me apresentar ou vou cumprimentá-lo e pedir licença, se puder.

Lessig quer saber o que é conteúdo comercial

Mais Creative Commons Mais Creative Commons

Lawrence Lessig, da Creative Commons, quer saber de nós, produtores de conteúdo, o que achamos que é comercial e não comercial, para aperfeiçoar as licenças CC.

Respondi hoje a um questionário longo, sobre o tema (dica do Felahuer, via twitter). Colocar conteúdo em uma página que tem anúncio, banner ou que gera indiretamente algum benefício é comercial?, pergunta o questionário.

Se você quiser responder, está aqui, no blog do Lessig.

Mamãe, papá, bola e popó

Learning to walk Learning to walk

Aprendizado: Francisco já sabe falar mamãe, papá, bola e popó (de hipopótamo).

Navegamos em um mar de perigos: ele tira os protetores de plástico das tomadas e peleja para abrir as gavetas e, em seguida, prender nelas os dedinhos.

Não gosta de “A canoa virou”. Gosta de “Corre Cotia” e de uma música que tem letra patropi: “Da abóbora faz melão, do melão faz melancia”.

Gosta do barulho de carro, moto, passarinho, pato e gato. Aponta o dedo para a luz e para os quadros. No dia em que o pavão abriu o leque para cortejar uma fêmea bem à sua frente, ele ignorou o acontecimento e continuou de olho na pombinha.

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