2008 November | anacarmen.com

Arquivo do mês: November, 2008

Krajcberg: admiração de três décadas

Frans Krajcberg na Oca Frans Krajcberg na Oca

Minha admiração por Frans Krajcberg é como um bom vinho, amadurece com o tempo. Há três décadas gosto do que ele faz. Nada cerebral, nada a ver com idéias. Gosto das obras e, depois, ainda gosto das atitudes, depois ainda, de seu poder de transformação.

Depois de depois eu lembro que ele é um visionário e que sua postura cai como uma luva nesses tempos de desastre ambiental planetário.

Imagine que delícia encontrar um artista de quem eu gosto há tanto tempo em pessoa no sábado. Fomos passear no Ibirapuera em dia de sol e entramos na Oca, onde o Krajcberg participava de um debate organizado pelo MAM. Imagine que bacana apresentar as crianças - Francisco e Luiza - para o mestre. Idéia da Liliane Ferrari, eu sou tímida, mas as fotos que o Renato tirou me deixam a impressão de que os meninos Chiquinho e Luiza começam bem, perto de quem tem a ver, é um bom jeito de mostrar o bom caminho.

Lembrei-me que gosto das raízes de Krajcberg desde a adolescência. Voltei de uma Bienal, em 1977 provavelmente, um passeio com meus pais, com um folheto nas mãos e colei uma foto de sua obra na parede do quarto (olha que delícia, do chão ao teto eu colava posteres, fotos e toda a sorte de quinquilharias que eu achava muito válidas e ninguém reclamava, não).

Enquanto eu observava essa aranha da foto, o artista chorava a Mata Atlântica: “destruíram a mata mais bonita que havia no Brasil”. Chorei pela mata. Que coisa. Queimam árvores aos montes. Eu até hoje não me conformo e posso ser pueril, mas tudo bem. Não estou sozinha nessa.

Frans Krajcberg: Natura reúne 65 esculturas e 40 fotos. A mostra fica até dia 14 de dezembro na Oca, parque do Ibirapuera, São Paulo.

Para o fim de semana em São Paulo

Let's dance Let’s dance

Ainda bem que existe o fim de semana para ver os amigos, passear, brincar. Let’s dance! Nós três aqui de casa vamos fazer tudo isso e, se der para encaixar, entraremos também no roteiro cultural.

A agenda do sábado, dia 29, está cheia:

  • Tem festa na loja Cubo, da Patrícia Lozer, na Rua Ministro Ferreira Alves, 102, Pompéia, a partir de 16h. Ela fez um concurso, junto com esse site de toys, Zooart, para escolher o melhor projeto e estampar uma camiseta. A Patrícia faz um teretetê para o vencedor na calçada mesmo, já que a loja é pequenina de tamanho (e grande de coração e criatividade).
  • Ali perto, na rua paralela, às 14h, tem show dos meninos do Arrasta-Lata, um grupo que usa materiais reciclados na percussão e dança, durante a Feira de Natal da Loja Quinta Reverência (Rua Desembargador do Vale, 454, Pompéia).
  • O projeto do LivroLivre ( www.livrolivre.art.br ) chama para um chopp mais à noite, às 20h, no bar Pandora, na Praça Roosevelt, 252. É uma festa para arrecadar livros e depois libertá-los. O convite é para levar um livro que você já leu, de preferência literatura, e doar para o projeto, que é bem bacana.

Domingão eu digo o que pretendo fazer: ir ao Ibirapuera com Francisco e outras crianças. Quem sabe espiar a Bienal, já que ele adora um quadro. Quem sabe entrar na Oca, já que eu adoro Krajcberg. Opa, já deu para uma manhã de domingo, né?

Como ajudar as vítimas das enchentes no Sul

amazing circle de Paraty amazing circle de Paraty

Estou matutando sobre a tragédia das enchentes no Sul, um pouco chocada com o contraste dos dias tranquilos aqui no Sudeste com as cenas tristes que marcam algumas cidades.

Recebi vários emails convocando as pessoas a ajudar. Pelo twitter também houve mobilização. Ótimo, vamos nessa. É só escolher a melhor forma de contribuir.

Pela TV, soube que os posto de Bombeiros de São Paulo recebem contribuições. Os e-mails que recebi falam em uma mobilização de formiguinhas, por exemplo, os pais de uma moça moram em Itajaí e receberão as contribuições de quem participa de uma lista de discussão que assino. É uma forma menos impessoal de contribuir e mais segura contra golpistas.

No site da Defesa Civil de Santa Catarina há informações atualizadas sobre o que é necessário. Eles pedem doação de sangue, entre outras coisas. Ali são listadas as instituições bancárias que têm contas especialmente criadas para apoio aos atingidos pelas enchentes, que copio abaixo:

Besc:
Agência: 0680
Conta corrente: 80.000-0

Banco do Brasil:
Agência: 3582-3
Conta corrente: 80.000-7

Bradesco:
Agência: 0348-4
Conta corrente: 160.000-1

Caixa Econômica Federal:
Agência: 1277
Operação 006
Conta corrente: 80.000-8

O Gama - Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, na rua Natingui, 380, sala B, Vila Madalena, em São Paulo, também recebe doações. Para mim, é o local mais próximo.

Pérolas e atentados

cigarra cigarra

  • ‘O sero mano tem uma missão…’
  • ‘O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas. .’
  • ‘A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.’
  • Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.’
  • ‘A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.’
  • ‘Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia’
  • … menos desmatamentos, mais florestas arborizadas. ‘
  • ‘Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.’
  • ‘… são formados pelas bacias esferográficas. ‘
  • ‘O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
  • ‘Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.’

    OBS: eu recebi essa baciada de pérolas como resultados do Enem. Não duvido, mas também não comprovo. O “sero mano” é capaz de tudo, inclusive de inventar um spam cheio de humor.

    Criança, a alma do negócio

    Esse trailer é do documentário “Criança, A Alma do Negócio” de Estela Renner e Marcos Nisti.

    Estou curiosa para ver a íntegra do projeto, que encontra repercussão entre as minhas neuras. Começo a sentir na pele a pressão para transformar meu filhinho em uma “criança normal”, que tem pilhas de brinquedos eletrônicos, que conhece todos os Backyardigans etc.

    Cadê os contos de fada, as cantigas de roda, as canções folclóricas nessa pilha de atividades modernésimas? Todo mundo preocupado com a melhor escolinha porque ela é também a única salvação?

    Renato reparou outro dia que as crianças conhecem o Príncipe Encantado como um vilão, por causa de Shrek. Que confusão, que mundo muito, muito, muito longe daqui.

    Ganesha, o senhor das portas

    Ganesha Ganesha

    Era manhã e eu tinha acabado minha aula de yoga quando tirei essa foto de Ganesha (veja todo o simbolismo do elefantinho), uma das recordistas de visitação do meu fotoblog. Compreende-se: você digita no Google Ganesha, e ela é a quinta imagem que o buscador traz como resultado.

    Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização”.

    Sou fã de Ganesha, senhor dos obstáculos e das portas. Converse com ele se precisar abrir alguma delas. Tem orelhas grandes para saber ouvir.

    Blip marca um chopp enquanto meu iPod fica mais feliz

    Si Bemol Si Bemol

    iPod é como coração de mãe: acolhe tudo. Aquele disco inteiro onde se salva apenas uma música. Aquela música que só é boa para dançar, má companhia pela manhã. Aquele putz-putz eletrônico que só combina com balada…

    Hoje, enquanto ouvia Blip e meus amigos jazzísticos/roqueiros/reggaeiros e até amantes do hip hop, fiquei sabendo de um evento chamado Blip’n'Beer, marcado para esta quarta na Vila Madalena.

    O mesmo evento acontece em outras cidades. “Todas as cidades na mesma sintonia. A festa simultânea de quem é blipper” é o slogan desse encontro que nasce virtual e termina bem pessoal, com uma pilha de amigos e de bolachas de chopp em volta.

    Só posso dizer que continuo fã da Blip. Ao mesmo tempo em que tirei do iPod todas aquelas músicas que não combinavam mais comigo, ouvi Joshua Redman, minha nova fixação, e recebi o convite para o chopp.

    Só posso rir das profecias que anunciavam isolamento para quem mergulha na internet.

    Se eu vou ao barzinho? Ah, @diordan, acho que não, Francisco (meu baby) não gosta de fumaça, viajo no dia seguinte, fica para outra, peninha.

    OBS: Si Bemol, essa foto que tirei há alguns anos, é melhor sem som. O Dani fez a Vila Romana tremer. Que saudades.

    O jornalista é o produto

    Espelho, espelho meu Espelho, espelho meu

    Simpatizei com o ângulo que o jornalista português Alexandre Gamela, do blog O Lago, escolheu para escrever o post 10 mudanças no papel do jornalista e 5 coisas que se mantêm

    Entre as mudanças, a lista menciona que o jornalista precisa saber trabalhar em diferentes mídias e que hoje ele é marca e é produto. Acho que sim, o jornalista já há algum tempo é um produtinho que um camelô poderia exibir sobre um feltro esticado na calçada - com essa despretensão, embora muitos ainda pensem que seus textos e análises têm o peso daquilo que muda o mundo.

    O post menciona também que o jornalista hoje é um arqueólogo de informações, que é mais um guarda de trânsito do que um detetive e, finalmente, que é um DJ, a remixar tudo. Esse meu post, inclusive, ilustra bem essa última tese. É um moderador, é um validador, um produtor. Ufa, quanta coisa.

    Flickr também é astronomia

    IC434, The Horse Head & The Flame IC434, The Horse Head & The Flame

    Lightclad não é o Hubble, mas ele tira fotos da Terra que poderiam vir de viagem espacial.

    Veja mais fotos do Lightclad, seu nickname no Flickr, aqui.

    Em boca fechada não entra mosquito

    frog frog

    Eu ia falar mal dos repórteres de TV que “fazem poesia” durante as passagens. Passagens são aqueles segundos de glória para o jornalista, quando ele aparece no vídeo ensanduichado entre as imagens da reportagem.

    É na passagem que a poesia-meleca se concentra e alça vôos atlânticos, é na passagem que as metáforas pululam como sapos do brejo.

    Detesto essas passagens standard, elas têm um tom de voz e um estilo narrativo que me dão nos nervos. São um extrato de chavões, lugares comuns e filosofia de rabeira de caminhão.

    Mas só digo uma coisa: o sapo não lava o pé, não lava porque não quer.

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