Há dias estou para escrever sobre a mostra Mão Dupla, em cartaz no Sesc Pinheiros, aqui em São Paulo, até julho. Estive na abertura da exposição, gostei de vários dos trabalhos e tive até a impressão de que passou aquela fase “instalação” das artes contemporâneas. Houve um momento em que qualquer coisa era intervenção ou instalação. Nesta mostra são várias as instalações e intervenções, mas é como se fosse tudo em duas oitavas abaixo. Não me explico bem, a Bienal deve comprovar ou destruir a tese, veremos.
Conversei com a artista plástica Paola Junqueira. Ela morou muitos anos na Suíça e Inglaterra e agora retorna ao Brasil com o projeto dos buracos. Paola me explica que ela cava buracos durante 24 horas de trabalho, quatro horas por dia, das 10h às 14h, durante seis dias. O primeiro buraco ela cavou em 1998 e o projeto deve se encerrar este ano. Em seu site, a artista explica que o projeto surgiu em um período difícil (um pesadelo) para criar um ponto fixo no globo terrestre. Nas paredes do Sesc, leio sobre acolhimento no buraco. Conversamos sobre o buraco do Metrô, aqui em São Paulo, que eu vi ruir de dentro do prédio da editora Abril. É um buraco que a intriga ou perturba e que ela tentou ver de perto, sem conseguir ultrapassar a barreira de seguranças.
É curioso. Sempre relacionamos cavar um buraco a se esconder. Paola cava buracos e aparece.


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