bailarina bailarina

Dieu merci c’est vendredi!

Foi com essa saudação garimpada em meus feeds que meu dia começou. Foi assim que lembrei das mitologias que envolvem esse dia que marca o fim da jornada de trabalho da semana na era industrial. Uma coisa que o século 20 e a nova economia aboliram, sexta já não é mais fim nem começo de nada.

Sexta-feira é o nome do amigo do Robinson Crusoe. Começa daí a simpatia do dia de Vênus (dies Veneris, em latim), de Freyja (deusa germânica pagã da fertilidade, da beleza, do amor) e de Shukra, deus hindu que monta um cavalo, um crocodilo ou um camelo e que é igualmente associado às qualidades feminas, às artes, à dança. Em sânscrito, sexta é Shukravaar.

Em português, toda essa influência de Vênus ficou subterrânea. Como dizia uma professora de italiano que tive, Piera Camerini, só mesmo em português foram os feirantes que decidiram o calendário. Porque em português contamos os dias como feirantes: a feira do primeiro dia, do segundo e assim vai.

Em todo o caso, a moçada ainda “guarda” a happy hour da sexta-feira como dia de comemorar a vida, festejar. Eu estou nessa, para mim hoje é dia de “clássico”: assisto pela primeira vez ao vivo Arnaldo Cohen ( Rachimaninov e Brahms) e depois experimento o restaurante da Sala São Paulo. Um clássico para temperar com toque de Vênus a feira do sexto dia.