Ponto de ônibus Ponto de ônibus

É jabaculê? Pode? Não pode? É elegante? É fino? Vende? Dá para fazer igual outra vez com a minha marca de geladeira? Vocês querem andar de pedalinho, desta vez? Esse tipo de pergunta agora tira o sossego da blogosfera. (ah, deixa eu rir um pouquinho dessa história).

Blogueiros estão em alvoroço porque um tal safári urbano, evento promocional realizado neste domingo para chamar atenção para um modelo de celular ultracaro, foi sucesso total em termos de visibilidade. Falou-se o domingo todo e pelo jeito, a segunda, também, via Twitter e posts, no tal celular.

Enquanto divulgavam o safári, o grupo de blogueiros convidados andava de helicóptero e entrava em campo no Morumbi em dia de jogo do São Paulo. Já dizia grandma: there’s no free lunch. Ainda mais almoço grátis no Bar Brahma.

É jabaculê sim, sem qualquer sombra de dúvida. Os meninos e meninas que postaram sobre o celular não esconderam que estavam em safári, leia-se, a serviço de. Receberam para falar bem. Eu não vi ninguém falar mal do aparelhinho, não, desculpe se alguém fez isso e não reparei.

Tem gente discutindo isso no Sim Viral, espie lá se quiser saber direitinho como vai essa polêmica.

Sou jornalista e para mim, essa conversa é antiga. Ganhei muitos discos da gravadora para depois entrevistar a banda e fazer a resenha. Falei mal depois, inclusive, ô mal educada. Como editora de turismo, ganhei viagem para a inauguração de hotel cinco estrelas em que eu não me hospedaria por falta de verba. Funciona assim, mas não é lá grande coisa esse esquema, convenhamos. Como jornalista ganha menos que eletricista (sem brincadeira), celular, Tahiti e trufas brancas estariam inacessíveis se não fosse o convite interesseiro da contraparte. Não fiquei rica, Não fiquei rica, não comi trufas brancas, não viajei para o Tahiti, não vendi a honra, não ganhei celular caro. Não rolou jabaculê brabo, desses que passam a se chamar propina e aparecem em dossiês. Mas já dei de cara com o jabaculê-mirim antes.

O único cuidado, para ser justo e elegante, seria deixar bem claro: “sou pau mandado, me deram o bagulho aqui para testar, adorei o brinquedo e agora vou fazer minha parte, a divulgação, como um assessor dessa marca.” Eufemismo jornalístico em turismo que se traduz em “jornalista fulano de tal viajou a convite das Aerolineas do Tahiti”.

O twitter é a novidade dessa história, na minha opinião, amplificando as críticas de quem acha que jabaculê não é legal, de quem acha que ganhar presente caro é supernormal, de quem acha que blogueiro é um ser menos contaminado pelos males da civilização.

Queriam fazer barulho com essa promoção, Está aí. Parabéns. Sucesso total. Agora durma-se com um barulho desses…