2008 April | anacarmen.com

Arquivo do mês: April, 2008

Dia de sorte

mangá mangá

Uma “Confraria do Nhoque da Sorte” me aguarda na Vila Anglo Brasileira. É dia 29, dia do nhoque da sorte, reza essa tradição reinventada pelos restaurantes italianos. Ela me faz pensar no monstro do Loch Ness, algo mais afetivo que histórico. Pouco importam as origens da tradição, estamos interessado no efeito, na sorte.

A cozinheira anuncia que aprendeu uns segredinhos novos. O dia parece menos comprido com a miragem dos segredinhos novos, seja qual forem. Isso não importa. É dia de sorte.

Chego à conclusão de que aquilo que nos dá sorte, quando comemoramos esse nhoque da sorte, é o desperdício de tempo somado à lógica cartesiana colocada de banda.

Perder tempo com coisas que não dão dinheiro, mas aproximam os amigos e dão espaço para o acaso, mais um gesto embrulhado em tabu e superstição como colocar uma nota sob o prato do jantar, juntos, esses dois fatores têm o poder de abrir espaço para o mundo de heróis, monstros, donzelas e porquinhos rosa que aparecem em mangás.

Dançando com São Paulo

Dançando com Banespa Dançando com Banespa

A Virada Cultural que eu vi nesse fim de semana devolveu um pedaço da cidade que estava sitiado. Eu brinquei no meio da avenida São João atrás de um homem de perna de pau. O cortejo tinha carrinhos de bebê e uma banda de metais.

Eu comprei milho verde na rua Aurora! Rua Aurora é aquele lugar que sempre esteve caindo aos pedaços. Os inferninhos exalam cheiros estranhos, os malacos da cracolândia zanzam por lá. Mas meus amigos tinham fome, o carrinho de milho verde fumegava no meio da rua…

Eu me senti turista em São Paulo em frente da igreja Santa Ifigênia. Fotografei um galinho que fica no topo da torre ao som de dona Ivone Lara. É uma rosa dos ventos dourada muito linda, que recebia o som do fim da tarde e brilhava. Senti o mesmo estranhamento de fotografar uma igreja em Berlim. Contemplei os prédios históricos com gente na sacada. Uma tarde pacata na escala do centro urbano de uma grande cidade, mas um centro pacificado.

São Paulo voltou para mim em forma de caminhadas no centrão mais ou menos despreocupadas. Pareceu-me o lugar mais exótico que uma rave poderia pedir: o centrão, carregado de história, degradado e agora recuperado afetivamente por nós, os moradores da cidade. Soube que 4 milhões de pessoas fizeram o mesmo. Tomara que tenham aproveitado tanto quanto eu.

Fofo, o centrão.

Veja as minhas fotos na Virada Cultural.

Silent Disco na Virada Cultural

Silent Disco Silent Disco

Mosteiro de São Bento, 1h, ouvem-se as badaladas.

Em frente à igreja, dezenas de pessoas dançam em silêncio, com fones de ouvido.

Vislumbra-se um pedaço do futuro, a relação menos invasiva com o ambiente.

Veja as minhas fotos da Virada Cultural.

O mirante colaborativo de Gonçalves

Olha que idéia fantástica: dividir o horizonte com todos. Em vez de murar o sítio, abrir um jardim suspenso para que todos possam apreciar a linda paisagem do bairro da Pedra Terra Fria, em Gonçalves, Minas Gerais. Foi o que fez Mauro Fernandes, um homem que planta framboesas, physalis e amora orgânicas. Ele mantém um mirante.

No feriado, fui uma das visitantes que encontrou o portãozinho aberto e foi acolhida pelos vasos floridos que enfeitam o deck suspenso a vários metros do chão. Dali se avista todo o vale da Terra Fria e a Pedra do Forno. Uma plaquinha dá o recado para quem não entendeu o espírito da coisa: Não fume.

No mural, aprendo mais sobre essa idéia. Aquelas terras lembram a região do norte de Portugal, quase fronteira da Espanha, onde a mãe de Mauro nasceu. Ele escreve: “Queremos dividir essa vista maravilhosa da Terra Fria com aqueles que por aqui passarem como extensão do carinho que mamãe dispensou a todos que com ela conviveram.” Uma homenagem cheia de vida. Nesse ponto, um mirante é melhor do que qualquer placa de bronze, melhor ainda que poema ou nome de rua, porque ele se renova todo o dia.

Esse plantador de orgânicos abriu um jardim no muro e inventou um treco novo, pensei ao conhecer o lugar: um mirante colaborativo! A minha parte é trazer a estrada para dentro do sítio, a parte dele é abrir o horizonte e mostrar que com idéias a gente inventa novas formas de fazer as coisas.

O que se comenta a respeito de jornalismo cidadão

Eu e o Francisco Madureira, do Clico, logo existo, conversamos com estudantes de Comunicação do Mackenzie no ano passado sobre jornalismo cidadão. As meninas, muito simpáticas, deixaram comigo a íntegra do papo em CD, um cuidado que nem todo mundo tem. Ponto para elas. Elas também colocaram o vídeo no YouTube e eu acho legal mostrar aqui os trechos que elas escolheram das nossas entrevistas porque o assunto continua chamando a atenção dos estudantes e dos profissionais de comunicação, ontem mesmo conversei com uma repórter do portal Comunique-se a respeito. “Eu acho que a diversidade é a melhor coisa que a gente ganha com isso”, digo nesse papo. Acho mesmo.

Minhas fotos na exposição coletiva Outra cidade

Olha, é com grande orgulho e uma dose de cara de pau que eu anuncio que vou expor minhas fotos ao lado de grandes fotógrafos. Vamos inaugurar na próxima sexta, dia 25, a partir de 20h, um novo espaço para fotografia, cursos, expedições e palestras, o Fine Photo.

Você tem de conferir que olhos maravilhosos tem esse grupo de fotógrafos. Apareça!

Endereço: Rua Artur de Azevedo, 201 / 2º andar- Pinheiros – São Paulo-SP – Fone: (11) 3083-0531

De 25 de abril a 20 de junho

Links de boas especiarias

Capital da gastronomia Capital da gastronomia

Antes que você pense que mudei de assunto, abandonei os temas sérios e agora só falo de comida, aviso que isso passa. Os dias andam tão corridos que eu venho aqui escrever de frescurites na minha hora de “recreio” para arejar as idéias.

Dois links geniais:

Grão Vizir Especiarias – vende uma mistura de tchai testada e aprovada

A Senhora das Especiarias – a alquimia de uma japonesa que mora em Gonçalves (Minas Gerais) fabrica geléias exóticas à base de um purê de maçã sem conservantes. Um laboratório de química para gourmets. No Santa Luzia e outros endereços muito finos você encontra os potinhos de geléia. Recomendo os chutneys e o antepastos também. Recomendo tudo, menos a geléia de alfazema.

Receitas de blogueiros para o filme Estômago

entrada: creme verde entrada: creme verde

O livro de receitas dos blogueiros inspiradas pelo filme Estômago já está disponível para download: baixe aqui.

Na foto, você vê o creme que a Miki inventou inspirada no filme – que eu ainda não consegui ver, pois abril chegou feito um furacão.

O pug e a cadeira Eames

Pug On Mini Eames Chair Pug On Mini Eames Chair

O design tem seus marcos e essa cadeirinha para descansar ao lado é um deles. Em 1956, depois de anos de pesquisa, Charles e Ray Eames lançaram a “Lounge Chair”, construída a partir de três “conchas” de madeira. Leia mais.

Quanto à foto, ao publicá-la entro em uma espécie de corrente da fortuna que só o mundo digital permite: primeiro, ela apareceu no Flickr da Jennifer Kelly, mas ela não sabe de quem é, diz que “achou online”. Depois, uma outra pessoa, Marv, postou a foto em seu blog. Eu, por minha vez, vi no Ping-Mag. Ela não é Creative Commons e tal, mas depois de tanto rodar o mundo e ter sido visa mais de 12 mil vezes no Flickr, eu topo reproduzi-la aqui, mesmo sem saber autor, porque é muito bonitinha.

O cozinheiro sonha

O cozinheiro O cozinheiro

Rua Pavão, Vila Madalena, oito e meia da noite, o cozinheiro sonha.
Eu passo e roubo o momento.

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