Juliano Spyer fez uma pergunta interessante pelo Webinsider: Por que o jornalismo participativo não decola nos portais?

Por chat, tivemos um papo, que reproduzo porque é assim que a gente fala na vida real, no meio da correria do dia-a-dia:

Ana: Carta de leitor? Nem li e já concordo.

Juliano: hahahaha

Ana: Eu ouvi naquele encontro da BBC o Terra e o G1 reclamarem de qualidade. Estou para escrever que isso nunca vai dar certo. Gente com cabeça boa e texto melhor ainda não vai perder tempo se relacionando com aquelas seções merrecas de grandes portais, perder tempo produzindo conteúdo para elas.

Juliano: Então escreve. Putz, perfeito.

Os grandes veículos não preparam um lugar relevante para receber essas contribuições do internauta. Não criam motivação alguma para seu público colaborar. Se o que é enviado tem qualidade, é por puro acaso, obra do destino, pela conjunção de astros ou por intuição de um internauta com certo desconfiômetro. Escrevi outro dia sobre isso: se nem alguns estudantes de comunicação se interessam pela produção de notícias com qualidade, por que um leigo o faria?

Agora, me diga: por que eu, internauta, enviaria conteúdo com algum valor jornalístico para esses grandes portais? Meu conteúdo será maltratado, ficará escondido e eu não vou ganhar nada com isso. O YouTube e até o meu blog, com audiência miudinha, de nicho, serão melhores aeroportos para essa produção. É isso o que sente o internauta que não é profissional de comunicação mas tem certo talento, formação e conhecimento para compartilhar.

A BBC sacou que maltratar a produção do jornalismo cidadão era uma forma errada de pensar e promoveu uma gigantesca reestruturação em suas equipes e na arquitetura de suas páginas para dar ao internauta um lugar mais relevante e que proporcione uma vivência mais interessante no momento em que ele se relaciona com a grife do jornalismo. Se tiver interesse, leia mais sobre o debate a respeito de um “novo jornalismo”, promovido pela BBC Brasil em São Paulo.

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