Declarar o imposto de renda é algo que praticamente pertence ao mundo das fábulas. Experimente essa, dos três macaquinhos que encontraram na floresta o leão. Um macaquinho não falava, o outro não ouvia e o terceiro não via. Eles haviam criado um programa de e-gov, no que haviam sido muito inovadores. Sabiam que o ponto fraco da invenção era uma interface cinza-ratinho. Mas viviam felizes, até o dia em que apareceu o leão.
Exatamente no minuto em que o leão ia mostrar quem mandava naquela floresta, os três macaquinhos decidiram oferecer o sistema a ele. Enfileirados, revezaram-se para apresentar a ele o programa (foto). Um pouco desajeitados, os três conseguiram se expressar, com a ajuda de um projetor e uma apresentação em powerpoint.
O que não enxergava falou, o que não falava apertou as teclas do computador e o que não via encaminhou a negociação.
Satisfeito com o que viu, ouviu e conversou, o leão, que não era mané, adotou o sistema. Desse dia em dia em diante, a floresta ficou conhecida por ser pioneira na declaração de imposto de renda por internet.
Por que cinza-ratinho?
A moral dessa fábula é que falta usabilidade ao programa de declaração de renda, a começar pelo nome do arquivo. Usabi o quê? Usabilidade, esse atributo que torna a interação homem-máquina mais simples e fácil. Desde a época dessa fábula até hoje a interface segue cinza-ratinho, ignorando qualquer contribuição da linguagem visual. Seu menu é bem complicado para nós, os brasileirinhos que trabalhamos. Nem seria preciso enfeitar muito o programa, seria suficiente torná-lo menos alienígena para o brasileirinho que precisa computar o que havia em seu cofrinho (ou cofrão) no ano anterior.
Macaquinhos, hello! Desde o DOS, a interação homem-máquina criou novos códigos e conquistou alguns padrões. Vamos dar um tapa nesse programa, a começar pelos nomes dos arquivos?
Troquei de computador no segundo semestre do ano passado e tive de transferir uma cópia da declaração para o meu pen drive e dele para o novo computador. Depois, baixei o programa para abrir o arquivo. Na hora de instalar, pelamordedeus, que nome.
Não era algo facilmente localizável na minha lista de downloads, algo como “imposto_de_renda_2008”. É uma sopa de letrinhas que soma sigla a sistema operacional, ano e versionamento: “irpwin2008v1 etc e tal”. Vamos combinar que é um nome muito bonito para a máquina entender, mas não para o brasileirinho usar. Afinal, programa é para o usuário “usar”. Usabilidade, lembra?
A moral da história é que na hora do brasileiro juntar tudo o que tem a dizer e enviar para o governo, bem nessa hora em que a minha vontade seria de enviar ao governo também algumas sugestões sinceras a respeito do que é possível melhorar no país, seria melhor contar com uma interface amigável.
Enquanto a lógica do mercado ainda é de atrasar o pagamento de serviços e achar natural aquela frase “devo, não nego, pago quando der na lua”, seria tão legal ter uma experiência menos penosa na hora em que o brasileirinho paga impostos…


Silvia
March 25th, 2008 at 8:30 pm
E você já tentou enviar a declaração???
Quando enviei, ou melhor, tentei deu um erro: C18,que dizia que meu endereço não correspondia com o que a Receita tinha, só que eu tinha ‘importado’ a do ano passado, se importei como não correspondia? Fui na ajuda e não tinha o tal do C18. Liguei lá e a moça me ensinou a contornar o erro,disse que estava sendo comum. Pensa que acabaram meus problemas? Gravei, fiz uma cópia de segurança, enviei e fui imprimir uma cópia para levar ao banco, sabe o que apareceu? Só os meus dados, o resto sumiu tudo, mandei para o espaço provavelmente. Nem a moça sabia explicar o que houve. Tive que fazer uma retificadora e refazer tudo, tudinho.
anacarmen
March 26th, 2008 at 12:12 am
Ih, ainda não cheguei lá… Que coisa mais complicada.