Filtro otimista/Optimistic filter
Um apagão, uma chuva, um show, um acidente, uma carreta muito alta, uma ponte muito baixa. Um buraco, uma cratera, um protesto, troca de lâmpadas, troca de calçada, inversão da mão. Inúmeros são os motivos que provocam congestionamento em São Paulo. Eles começam cedo, atravessam a tarde, avançam pela madrugada dos baladeiros. Qualquer hora é hora para congestionamento. Nenhuma hora está a salvo.
Hoje foi dia em que a cidade acordou com um apagão e trocentos quilômetros de “vias congestionadas”, como dizem os locutores de rádio. Foi um dia estranho, em que me senti um peixe que nada no território limitado de um aquário.
Atravessar a cidade tornou-se uma decisão: vou ou não vou. Quantas horas levo? Vale a pena? E se eu for de ônibus, metrô, a pé, de bicicleta? Quando é possível, melhor resolver tudo dentro do aquário, digo, no bairro, perto de casa, a caminho do trabalho, nas vizinhanças da escola, na minha região. Ficamos confinados pela falta de tempo, pelos congestionamentos, pelo custo da travessia.
Veja o meu caso: hoje eu podia eleger se adiava ou não uma viagenzinha até o Morumbi, para lá do estádio do Tricolor, longe de onde moro. Adiei, fiquei longe da experiência de ser testada em um congestionamento sob um sol tropical. Um raro prazer de peixe de aquário?

Tato
March 4th, 2008 at 8:38 pm
E porque ainda viver na metrópole?
Me pergunto isso todo dia aqui no Recife, quando me vejo cercado pelos problemas de 4 milhões de almas vivendo num mesmo espaço.
anacarmen
March 4th, 2008 at 8:59 pm
Ótima pergunta (risos).
Eu poderia dizer, bom, somos seres gregários, a sociedade costuma se organizar em grandes aglomerações, a economia ordena… Mas não sei não, penso se a internet já nos liberou para estarmos geograficamente menos pertinho uns dos outros.
Paula
March 5th, 2008 at 10:52 pm
Moro em Jundiaí (num bairro bem afastado) e todo dia vou à São Paulo, uma viagem de quase duas horas a partir do momento que saio de casa.
De ônibus um gasto enorme, de trem significaria econonimia, a custo de quê? Haja saúde e controle psicológico pra aguentar esses atrasos todo dia.
Não é atoa que segunda-feira é o dia que a maioria reclama!
Marco aurelio Yamamoto Ito
March 6th, 2008 at 9:51 am
Aquário foi uma boa definição, no entanto quando penso em aquário, penso em observação. Nós ficamos nesse aquário, mas alguem nos observa? Creio que não. O transito é um problema que assola qualquer grande cidade do mundo, mas os peixes gringos são mais bem tratados, possuem sistemas de transporte público melhor o que da a opção de “largar” o carro. Gosto de viver no meu aquário, acordo as 6h30 vou andando ao trabalho, almoço em casa, volto ao trabalho, retorno para casa janto e vou para a faculdade andando também. Tenho carro, e ai uso para cruzar a cidade toda sexta-feira para visitar outro aquário e ver minha peixinha. De madrugada, fico dentro do carro 30 minutos, qualquer outro horário não fico menos que 50 minutos, o que são 20 minutos? É 1h20 por mês e 16h por ano, duas noites de sono bem dormidas, que a tempos não tenho.
até a próxima Ana
http://www.educultirsao.blogspot.com/
anacarmen
March 6th, 2008 at 11:33 am
Marco Aurélio,
esse é o privilégio dos peixes dourados: “viajar” através da metrópole só quando querem. Duro é ter obrigação de cruzar a cidade e gastar horas no trânsito no caminho da escola, do trabalho, do médico, do cinema, enfim, não ter opção. Sorte a de quem pode caminhar para o trabalho e almoçar em casa. Será que você é de São Paulo e consegue a sorte de levar uma vida de cidade de interior?
Marco aurelio Yamamoto Ito
March 6th, 2008 at 1:21 pm
Exatamente, porém eu busquei isso Ana, troquei de faculdade, antes levava cerca de 1h, troquei de emprego, antes levava cerca de 30 minutos. A faculdade é inferior, o emprego também, mas ganho em qualidade de vida, por sorte ou persistência, consegui montar o meu aquário.