2008 March | anacarmen.com

Arquivo do mês: March, 2008

Estatísticas da internet do dia

peixeflor peixeflor

Às vésperas do dia da mentira, o dia 31 traz um menu do dia de estatísticas da internet:

  • Metade dos espanhóis (49,6%) usa internet. Só 8% a desconhecem. Busca é o uso mais comum.
    Dados do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) divulgados pelo El País.
  • Mais da metade dos adultos americanos assiste a vídeos online. 78% dos internautas americanos usam banda larga.
  • Entre 25 e 60 anos, a habilidade para usar sites diminui 0,8% por ano - principalmente porque as pessoas passam a gastar mais tempo por página e também por dificuldades com a navegação. Dados divulgados por Jakob Nielsen
  • Em tempo, acrescento: mais de 50% dos britânicos se sentem ignorantes digitais. Dados da BT Home IT Support, via IDG Now.

Assista às histórias do poder

Percorrer cem anos da história da política brasileira é uma verdadeira expedição ao nosso DNA histórico. Imagine que isso está disponível na web, onde você pode assistir aos cinco episódios de Histórias do Poder. Dirigidos por Max Alvim e Nelma Salomão, os vídeos mergulham em um gigantesco acervo de vídeos e fotos de momentos-chave, que podem nos ajudar a entender como chegamos onde chegamos, de onde viemos e, além do mais, quem são estes caras que viram nome de ruas, avenidas e aeroportos.

Interessante para professores, alunos, para quem nasceu antes, durante e depois da ditadura militar, das Diretas Já ou do Impeachment.

“Com o objetivo de promover o conhecimento, a reflexão e a pesquisa acerca da história política brasileira, a série de documentários Histórias do Poder - cem anos de política no Brasil (1900 – 2000) apresenta um mapeamento do comportamento político do país e mostra os bastidores do poder através de depoimentos de alguns dos principais protagonistas e estudiosos da história política brasileira do século XX”, diz a apresentação do projeto.

Uma dica: costumo usar o Firefox como browser e tive dificuldades em assistir aos vídeos, superadas quando apelei para o Internet Explorer.

WordPress lança versão 2.5

Para testar a galeria de imagens do Word Press 2.5

O WordPress, ferramenta de publicação que uso em meu blog e que recomendo, lançou neste sábado uma versão 2.5, depois seis meses de trabalho da comunidade de desenvolvedores. (Como todo o software open source, o WordPress é resultado do trabalho de voluntários espalhados pelo mundo.)

A nova versão tem corretor de português, recurso para colocar o código embed mais facilmente e outras cositas más. Veja nesse vídeo algumas das novidades. Vou testar o recurso de upload simultâneo de vários arquivos para crar uma galeria de imagens, você já deve saber como gosto de fotografar:

Apanhei para entender os novos recursos, mas fica bonitinho, não é?

Leia mais sobre a nova versão no Tiago Dória. Ele conta que “People, Yahoo!, CNN e NYTimes” usam WordPress em seus blogs e que por conta disso o NYT “recentemente fez um investimento na Automattic, empresa por trás do WordPress. A versão 2.5 do WordPress pode ser baixada aqui [em inglês] ou aqui [português].”

Em que língua?

Garrafinhas na Liberdade Garrafinhas na Liberdade

Aula sobre estoicismo de Rogério da Costa: linguagem é uma pele, um envelope.

Aproveitando o Tumblr para fazer anotações. Gostei. Uso meu Tumblr, o Fio da Meada, anacarmen.tumblr.com
como um caderninho de anotações. Linguagem é transformação corporal. Acontecimento, segundo os estóicos.

Dica do Savazoni, que também anota ali.

Blogs sobre comida fazem a minha festa

Adoro comer bem e, como boa natureba, adoro ler sobre comida. Tenho preguiça de cozinhar todo dia, sou temporã à beira do fogão. Como ler não dá tanto trabalho, os blogs sobre gastronomia e comida entraram na minha vida para ficar, substituindo as revistas femininas e suas incríveis receitas.

Acompanho o que acontece no Slow Food Brasil, que agora promove um concurso de receitas com batata Chefs contra a fome. Leio as últimas descobertas dos Gastronautas Amadores, descobri o enorme acervo de receitas do Trem Bom, visito o Dadivosa.

Ontem copiei uma receita de Pudding de Banana no Cabeça Gorda da Miki. Hoje encontrei ali um menu do dia criado por ela especialmente para o filme Estômago, vale a pena conferir. Encontrei ainda a enorme lista de blogs sobre culinária que o Kafka na Praia organizou.

Para preparar no almoço de hoje o maço de raízes de bardana (ou gobo, como se diz em japonês) que comprei na Liberdade, apelei para o tio Google e foram os blogs que me deram as dicas. Essa planta incomum, com propriedades medicinais, tem uma raiz saborosa que me lembra o gosto de alcachofra. Preparei-a à moda “comida de mãe japonesa”, como me explicou o Comadre Fulozinha, um site de Pernambuco que vende produtos orgânicos.

Não segui nenhuma receita ao pé da letra, adaptei um pouco o que encontrei e preparei a raiz com cebolinha, shoyu e gergelim torrado. No blog Pecado da Gula, encontrei uma receita mais sofisticada, que ficou para outro dia. A bardana ficou assim:

gobo bardana

 

 

Jornalismo cidadão é passageiro de segunda classe nos grandes portais

Juliano Spyer fez uma pergunta interessante pelo Webinsider: Por que o jornalismo participativo não decola nos portais?

Por chat, tivemos um papo, que reproduzo porque é assim que a gente fala na vida real, no meio da correria do dia-a-dia:

Ana: Carta de leitor? Nem li e já concordo.

Juliano: hahahaha

Ana: Eu ouvi naquele encontro da BBC o Terra e o G1 reclamarem de qualidade. Estou para escrever que isso nunca vai dar certo. Gente com cabeça boa e texto melhor ainda não vai perder tempo se relacionando com aquelas seções merrecas de grandes portais, perder tempo produzindo conteúdo para elas.

Juliano: Então escreve. Putz, perfeito.

Os grandes veículos não preparam um lugar relevante para receber essas contribuições do internauta. Não criam motivação alguma para seu público colaborar. Se o que é enviado tem qualidade, é por puro acaso, obra do destino, pela conjunção de astros ou por intuição de um internauta com certo desconfiômetro. Escrevi outro dia sobre isso: se nem alguns estudantes de comunicação se interessam pela produção de notícias com qualidade, por que um leigo o faria?

Agora, me diga: por que eu, internauta, enviaria conteúdo com algum valor jornalístico para esses grandes portais? Meu conteúdo será maltratado, ficará escondido e eu não vou ganhar nada com isso. O YouTube e até o meu blog, com audiência miudinha, de nicho, serão melhores aeroportos para essa produção. É isso o que sente o internauta que não é profissional de comunicação mas tem certo talento, formação e conhecimento para compartilhar.

A BBC sacou que maltratar a produção do jornalismo cidadão era uma forma errada de pensar e promoveu uma gigantesca reestruturação em suas equipes e na arquitetura de suas páginas para dar ao internauta um lugar mais relevante e que proporcione uma vivência mais interessante no momento em que ele se relaciona com a grife do jornalismo. Se tiver interesse, leia mais sobre o debate a respeito de um “novo jornalismo”, promovido pela BBC Brasil em São Paulo.

Mais sobre jornalismo cidadão

Rua dos Estudantes

Rua dos Estudantes Rua dos Estudantes

Sente-se o pulso da Liberdade na rua dos Estudantes porque o coração do bairro japonês de São Paulo fica ali, na esquina com a rua Galvão Bueno.

Yakisoba, shitake, bardana.
Banchá, carê, judô.
Origami, moti, hashi.
Haikai, mangá, animê.
Zen, nô, dô.

Ensina-se chinês, diz o anúncio.
Vá para o Japão, convida a agência.
Época de Sakura.
O pulso da Liberdade.

Números da internet no Brasil batem recorde

Somos malucos por internet e os números comprovam essa paixão dos brasileiros.O crescimento em fevereiro, um mês fraco, de Carnaval, foi 4,5% -56,7% mais do que em fevereiro de 2007. Copio o press release do Ibope//NetRatings, empresa que faz a medição da audiência residencial da internet em 10 países e traz uma análise comparativa:

Internet atinge seu maior patamar no Brasil

Endereços eletrônicos para relação institucional, com informações sobre a empresa e suas política, ganham atenção dos usuários

“O número de internautas residenciais ativos em fevereiro de 2008 cresceu 4,5%, atingindo 22 milhões de usuários, 56,7% mais do que em fevereiro de 2007. Também continuamos a ser o país com maior tempo médio mensal de navegação residencial por internauta entre os 10 países monitorados pela Nielsen/Netratings, com 22h24min, 48 minutos menos do que em janeiro de 2008 e 3 horas e 17 minutos acima do tempo de fevereiro de 2007. Completam a lista dos cinco países com maior tempo médio mensal por pessoa no domicílio os Estados Unidos (19h52min), a França (19h40min), o Japão (18h29min) e o Reino Unido (17h46min).

“A internet brasileira é tão impressionante que atingimos o maior número de usuários residenciais ativos em fevereiro, mês tradicionalmente fraco para a internet: 1) mês com menos dias, portanto, com menos possibilidade de navegação; 2) mês com o período de Carnaval, também com menor possibilidade de acesso residencial, pois muitos usuários viajam durante esse período. Além do recorde, vivemos o maior boom de crescimento desde o início das medições no País”, afirma Alexandre Sanches Magalhães, gerente de análise do IBOPE//NetRatings.

As categorias com melhor desempenho por número de usuários residenciais em fevereiro, comparando com janeiro, foram: “Educação e Carreira”, impulsionada tanto pelos sites de educação, quanto pelos endereços ligados à carreira profissional, com crescimento de 14,4%, atingindo 10,8 milhões de internautas, “Informações Corporativas”, que cresceu 10,3% e recebeu 8 milhões de visitantes únicos, “Notícias e Informações”, com 9,3% de aumento, com visitas de 14,4 milhões de pessoas, “Governo e Empresas sem Fins Lucrativos”, que cresceu 8,3% em número de usuários, atingindo 10,3 milhões de brasileiros, além de “Telecom e Serviços de Internet”, cujo crescimento no período atingiu 8%, recebendo a visita de 20,3 milhões de brasileiros.

Já no período de um ano, enquanto a internet residencial ativa cresceu 56,7% em número de usuários no período, algumas categorias cresceram muito mais: “Viagens e Turismo” (99,6%), “Informações Corporativas” (91,7%), “Casa e Moda” (86,1%), “Notícias e Informações” (66,7%) e “Governo e Empresas sem Fins Lucrativos” (66%).

“Destaco os números da categoria “Informações Corporativas”, que foi a segunda em crescimento em número de usuários, mas a primeira em aumento de visitas por pessoa em ampliação do tempo gasto por usuário. Isso pode indicar que é cada vez maior a importância da internet na comunicação institucional, fornecimento de informações sobre a empresa, suas ações na comunidade, seu atendimento ao cliente on-line, ou seja, estamos observando a transferência do contato cliente/empresa para as páginas da internet”, afirma Magalhães. “Esse movimento amplia a importância do ambiente on-line para as empresas, passando de um ponto de exibição do portfolio da empresa para um canal de relacionamento”, complementa o gerente.

Para todos os ambientes (residência, trabalho, escola, cybercafé, bibliotecas, telecentros etc), o IBOPE//NetRatings atualizou o número do total de pessoas com acesso à internet, atingindo 40 milhões de pessoas, também o maior patamar desde setembro de 2000, início das medições no país. Esse número é relativo ao quarto trimestre de 2007, que inclui pessoas com 16 anos de idade ou mais. Também trimestral, o total de pessoas com acesso residencial à internet em fevereiro de 2008 atingiu 34,1 milhões de indivíduos com dois anos ou mais, número 54,1% maior que o do mesmo período do ano anterior.”

Rua Harmonia

Saúde/cheers Saúde/cheers

Rua Harmonia, Vila Madalena:
Tanta graça que um carro cabe na taça.

Imposto de renda e os macaquinhos

Três macaquinhos Três macaquinhos

Declarar o imposto de renda é algo que praticamente pertence ao mundo das fábulas. Experimente essa, dos três macaquinhos que encontraram na floresta o leão. Um macaquinho não falava, o outro não ouvia e o terceiro não via. Eles haviam criado um programa de e-gov, no que haviam sido muito inovadores. Sabiam que o ponto fraco da invenção era uma interface cinza-ratinho. Mas viviam felizes, até o dia em que apareceu o leão.

Exatamente no minuto em que o leão ia mostrar quem mandava naquela floresta, os três macaquinhos decidiram oferecer o sistema a ele. Enfileirados, revezaram-se para apresentar a ele o programa (foto). Um pouco desajeitados, os três conseguiram se expressar, com a ajuda de um projetor e uma apresentação em powerpoint.
O que não enxergava falou, o que não falava apertou as teclas do computador e o que não via encaminhou a negociação.

Satisfeito com o que viu, ouviu e conversou, o leão, que não era mané, adotou o sistema. Desse dia em dia em diante, a floresta ficou conhecida por ser pioneira na declaração de imposto de renda por internet.

Por que cinza-ratinho?

A moral dessa fábula é que falta usabilidade ao programa de declaração de renda, a começar pelo nome do arquivo. Usabi o quê? Usabilidade, esse atributo que torna a interação homem-máquina mais simples e fácil. Desde a época dessa fábula até hoje a interface segue cinza-ratinho, ignorando qualquer contribuição da linguagem visual. Seu menu é bem complicado para nós, os brasileirinhos que trabalhamos. Nem seria preciso enfeitar muito o programa, seria suficiente torná-lo menos alienígena para o brasileirinho que precisa computar o que havia em seu cofrinho (ou cofrão) no ano anterior.

Macaquinhos, hello! Desde o DOS, a interação homem-máquina criou novos códigos e conquistou alguns padrões. Vamos dar um tapa nesse programa, a começar pelos nomes dos arquivos?

Troquei de computador no segundo semestre do ano passado e tive de transferir uma cópia da declaração para o meu pen drive e dele para o novo computador. Depois, baixei o programa para abrir o arquivo. Na hora de instalar, pelamordedeus, que nome.

Não era algo facilmente localizável na minha lista de downloads, algo como “imposto_de_renda_2008”. É uma sopa de letrinhas que soma sigla a sistema operacional, ano e versionamento: “irpwin2008v1 etc e tal”. Vamos combinar que é um nome muito bonito para a máquina entender, mas não para o brasileirinho usar. Afinal, programa é para o usuário “usar”. Usabilidade, lembra?

A moral da história é que na hora do brasileiro juntar tudo o que tem a dizer e enviar para o governo, bem nessa hora em que a minha vontade seria de enviar ao governo também algumas sugestões sinceras a respeito do que é possível melhorar no país, seria melhor contar com uma interface amigável.

Enquanto a lógica do mercado ainda é de atrasar o pagamento de serviços e achar natural aquela frase “devo, não nego, pago quando der na lua”, seria tão legal ter uma experiência menos penosa na hora em que o brasileirinho paga impostos…

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