2007 December | anacarmen.com

Arquivo do mês: December, 2007

2008 com o olhar no que é bom

Hi Hi

Esse blog fica alguns dias a refletir sobre o que é construtivo.

Desejo a você nesse fim e começo de um ano inspiração, bons amigos e todos os queridos à volta, alegria, saúde.

Banho de mar, de rio, de cachoeira ou de piscina no verão. Suco de fruta, água de coco e vinho para quem gosta. Jazz, samba, rock, maracatu, chorinho e eletrônica de bom tom.

Meu desejo para 2008 é que a palavra colaboração não seja um guarda-chuva de brechó que tudo abriga, indiscriminadamente. Meu desejo é de que a palavra seja um chapéu usado para construir e para abrigar a colaboração propriamente dita. Temos muito o que fazer para melhorar como seres humanos. Com a ajuda dos amigos, fica mais fácil. “I can try with a little help from my friends”.

Aos amigos, peço que fiquem cada vez mais pertinho. A eles e aos novos amigos, agradeço a conversa boa que tivemos por meio do blog durante esse ano. Foi uma experiência intensa. Viajo por alguns dias.

Fechado para balanço (na rede). Até já.

Números da internet no Brasil

O press release do Ibope//Net Ratings divulgado hoje com os números de novembro mostra:

1- Malucos por internet: O Brasil continua a ser o país com maior tempo médio de navegação residencial por internauta . Isso entre os 10 países monitorados pela Nielsen/Netratings. Ele está à frente da França, EUA, Alemanha e Reino Unido.

2- Crescimento de 45,5% no acesso residencial à internet no ano

3- Crescimento de 11,5% do e-commerce e de 11,3% de viagens indicam níveis recordes de audiência para o Natal e as férias de verão

Copio o texto: “O total de pessoas com acesso residencial à internet em novembro de 2007 totalizou 32,1 milhões de indivíduos com dois anos ou mais, número 45,5% maior que o do mesmo período do ano anterior e 6,8% maior que o de outubro.

O número de internautas residenciais ativos em novembro de 2007 ficou em 21,5 milhões de indivíduos, 49,1% mais do que em novembro de 2006 e 8,3% mais que no mês de outubro. Também continuamos a ser o país com maior tempo médio de navegação residencial por internauta entre os 10 países monitorados pela Nielsen/Netratings, com 23h04min, 8 minutos menos que em outubro de 2007 e 3 horas e 1 minuto acima do tempo de novembro de 2006.

Completam a lista dos cinco países com maior tempo por pessoa no domicílio a França (21h14min), os Estados Unidos (19h35min), a Alemanha (18h48min) e o Reino Unido (18h35min).

As categorias com melhor desempenho por número de usuários residenciais em novembro, comparando com outubro, foram: “Comércio Eletrônico”, com crescimento de 11,5%, atingindo 11,9 milhões de internautas, “Viagens e Turismo”, que cresceu 11,3% e recebeu 5,6 milhões de visitantes únicos, “Telecom e Serviços de Internet”, com 8,6% de aumento, com visitas de 19,3 milhões de pessoas, “Entretenimento”, que cresceu 8,6% em número de usuários, atingindo 17 milhões de brasileiros, além de “Portais, Buscadores e Comunidades”, cujo crescimento no período atingiu 8,1%, recebendo a visita de 20 milhões de brasileiros.

“As duas categorias que mais cresceram no período são ligadas ao comércio”, afirma Alexandre Sanches Magalhães, gerente de análise de mercado do IBOPE. “Esse sinal às vésperas do Natal, principal momento do comércio varejista e às portas do verão, principal momento do setor de turismo interno, indicam que teremos os maiores níveis de uso da internet para transação em todos os tempos. E mais importante, esse novo patamar poderá ser superado nos próximos meses, quando teremos início das aulas, dias das mães, dos namorados, dos pais. Em resumo, novos recordes virão pela frente, frutos de uma internet dinâmica e em franco crescimento”, complementa Magalhães.

Já no período de um ano, enquanto a internet residencial ativa cresceu 49,1% em número de usuários no período, algumas categorias cresceram mais: “Viagem e Turismo” (68%), “Casa e Moda” (64%), “Notícias e Informação” (55%), “Computadores e Produtos Eletrônicos” (53%) e “Entretenimento” (52,3%).
Para todos os ambientes (residência, trabalho, escola, cybercafé, bibliotecas, telecentros etc) o IBOPE//NetRatings continua indicando a marca de 39 milhões de pessoas com acesso à internet, número relativo ao terceiro trimestre de 2007, que inclui pessoas com 16 anos de idade ou mais.”

Recarregar 1,2, 3

Pé na poça Pé na poça

Recebi um recado do céu hoje para ficar em paz comigo mesma.

Não me preocupar tanto e recarregar as energias.

Em vez de pular sete ondas, pular um oceano.

Eu vou.

Na foto, olha como a Gleice brinca na poça e desmancha um casarão de Paraty.

Tenha em mente o que é bom

Esquindô Esquindô

Vem chegando a madrugadaaaa e o sereno vem caindo. Cai, cai sereno devagar, que o meu amor está dormindo.

Fecho o ano aos pouquinhos. Um pouco agora, um pouco daqui a pouco. Mas já aviso que fico off-line por uns dias em um vilarejo onde a única conexão é uma lan-house instalada em um antigo casarão de tábuas largas no assoalho e lâmpadas que pendem por um longo fio do pé direito de cinco metros.

É bacana. Mesmo assim, é mais bacana ficar de bobeira. Planejar o menu que sai da panela wok para mais de 20 pessoas. Cair na piscina depois de passar pela cachoeira. Jogar baralho (ah, esse prazer de quem realmente está de bobeira), ler embaixo do pé de quaresmeira.

Vou embora para Passárgada, levo uns livros, uns amigos, protetor solar e macarrão tailandês. Já aviso que 2008 vem aí com tudo, ops, essa dezembrite passa. Amanhã tenho amigo secreto em um barzinho e uma reunião de amigos de todos os tempos em outro barzinho. Quem inventou dezembro, papai noel e luzinhas chinesas sabia que logo mais viria o ano-novo e as velinhas que flutuam à meia-noite no lago desse vilarejo.

Que 2008 nos inspire. O meme, o mote é manter as boas coisas em mente. Esquecer as tragédias e escolher o melhor, o sonho, o bonito, o bacana, o fofo, o engraçado e o construtivo.

OBS: O samba e choro desceram lá das gerações mais antigas para a moçadinha. Esquindô-lelê.

Tom Zé no Radar Cultura

Tom Zé Tom Zé

No lançamento do Radar Cultura, www.radarcultura.com.br, projeto colaborativo para a Rádio Cultura AM.

Adorei a interface do novo projeto, de visual limpo, fácil de usar.

O mais divertido foi votar em músicas. Fazer a programação é mesmo um barato. Acho que isso vai dar samba. Com licença para o trocadilho.

Pitaco

Minha sugestão é que a nuvem de tags (tag cloud) leve também para música.

Penso em bossa nova, clico ali na palavra e só encontro posts ou podcasts sobre o assunto. Gostaria de uma lista de músicas do gênero quando não lembro de nenhuma. Uma lista para inspirar.

Veja mais fotos.

Rádio Cultura agora é colaborativa

A partir desta segunda-feira, às 20h, a Rádio Cultura passa a ter um ambiente colaborativo para que os ouvintes possam sugerir pautas e interferir na programação, como explica o Juliano Spyer em seu Não Zero.

Radar Cultura é o nome desse novo ambiente colaborativo. Para participar é preciso cadastrar-se e o conteúdo ganha destaque a partir do voto dos outros integrantes da comunidade, ou seja, ele é “moderado socialmente”. O conteúdo tem licença Creative Commons. Todas essas características são ótimas porque trazem o DNA da colaboração.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a promessa de que as pautas sugeridas pela equipe da redação terão o mesmo peso das pautas sugeridas pelo público, com as mesmas chances de serem produzidas e divulgadas. Ponto para a Cultura. E para o Juliano Spyer e André Avório, que trabalharam no projeto.

O contraste: fiquei estarrecida ao abrir o Guia da Folha desta semana com uma edição para os melhores de 2007. Pela primeira vez, o guia traz o voto dos leitores -12 mil almas - mas sua opinião tem um peso três vezes menor do que o voto dos críticos escolhidos pelo guia. Vexame completo, que falta de faro! Os críticos têm seu cabedal de conhecimento e experiências, certo. Mas o guia consegue que mais de 12 mil leitores se dêem ao trabalho de interagir com o veículo para depois espremer seu voto no rodapé da página? Três quartos de página para os críticos e um quarto para os leitores? Miopia editorial é um jeito bondoso de falar dessa opção.

De volta ao louvável: outro diferencial do Radar Cultura é a elegância do Spyer, que no mesmo Não Zero já citado acima, ressalta que a idéia de rádio colaborativa não brotou do solo esta semana, mas que a experiência em rádios públicas tem um histórico. Ele cita e ainda dá link.

Copio os links porque é um referencial importante para a terra de cegos:

  • Programa Open Source - O blog serve para a comunidade sugerir pautas, entrevistados e comentar o conteúdo que vai ao ar.
  • Rought Cuts da NPR - Espaço colaborativo onde a emissora apresenta aos ouvintes idéias programas novos para receber feedback da comunidade e iniciar a divulgação boca-a-boca.
  • Vocalo - Projeto de rádio produzida pela participação da comunidade.
  • Search Engine - A audiência é convidada a repercutir assuntos em suas comunidades e enviar de volta ao programa.”

É assim que se faz. Desejo sucesso ao Radar Cultura. E recomendo a leitura do post do texto sobre colaboração em rádios assinado por Mark Glaser que o Não Zero se deu ao trabalho de traduzir para o português. É muito claro ali um depoimento de Christopher Lydon, do programa Open Source, que diz : “Nós podemos treinar participantes e eles podem nos treinar. É um trabalho lento e humilde, mas toda a idéia de conteúdo criado pela audiência, onde ouvintes se tornam escritores, é uma boa idéia e funciona como um encanto.” Lento, humilde, construção e colaboração, uma rima.

Copio outro trecho da tradução, porque traz dicas de Greta Pemberton, a blogueira-chefe do programa Open Source, sobre o que funciona em jornalismo colaborativo: “No começo nós não instruíamos as pessoas em relação às sugestões e era realmente trabalhoso ler esse material. Desde que estamos dando mais feedback nas respostas, temos tido melhores resultados.”

Destruir é para iniciantes. Somar é uma arte.

Projetos novos

Penca Penca

Fim do ano não tem gosto de fim de festa, mas de começo da bagunça.

Ouço algumas pessoas dizerem que o ano só começa depois do carnaval, mas no meu pedaço fim de ano é sempre uma profusão de novidades. Este aqui tem novos projetos, trabalho, amigos que chegam do exterior só por alguns dias, algumas dúvidas existenciais, dias de folga e um tempo para refletir.

Meu blog já foi um pouco afetado por esses movimentos todos, mas isso passa. Há de passar. E afinal, durante o Natal, a gente consulta blogs?

Pesquisadora de Navarra fala sobre convergência

A pesquisadora da Universidade de Navarra Charo Sábada é uma simpatia. Em pleno lufa-lufa de dezembro, falou hoje sobre convergência na ECA/USP. Imagine: mídias digitais com gosto de lista de presentes de Natal. Valeu pela vivência de Sábada, que inicia uma pesquisa de campo ao lado de 25 pesquisadores espanhóis sobre a convergência nos meios de comunicação espanhóis.

“Todo fenômeno passa por uma fase de exagero”, diz ela no vídeo abaixo. Ela se refere ao “buzz” do jornalismo participativo (citizen journalism) e das redes sociais (social media).

Quem não entender espanhol, pergunte, posso publicar algumas anotações. Hoje nicas. É um daqueles dias que precisavam se multiplicar em muitos. Vídeo e a foto da charge (que encerrou a palestra), espero, são auto-explicativos.

Technology changes, human don’t

E bom fim de ano, gente, que 2008 traga conexões ainda mais certas.

Leia mais sobre a palestra e o “culto do amador”, como preferiu o Francisco Madureira, no Clico, logo existo.

Azul para inspirar a semana

Azul para inspirar a semana Azul para inspirar a semana

Nem precisei equilibrar um ovo no muro para Santa Clara. Dizem que é uma simpatia infalível para que a chuva pare. Até pedi aos amigos sugestões de outras simpatias para afastar a chuva, mas o que valeu mesmo foi o combinado: sol no fim de semana na praia.

Fiz nada. Recebi cheia de sorrisos o nada. Deixei o vento passear pelo cérebro. Lavei as idéias no mar.

Fotografei flores, brinquei com os cachorros que são os donos da praia, ouvi sobre problemas das favelas do outro lado da estrada e da poluição dos rios.

Depois, reparei nas flores. Quantas flores estranhas nascem no meio da areia.

Vi um pássaro beatnik, o anu branco, guirá. Vi um tiê-sangue, passarinho bonito demais. E um outro chamado sete-cores, pelo menos assim disse o caiçara. De um verde-azul-celeste-sei-lá-como-descrever.

Ainda houve tempo para o pudor da maria-farinha que foge apressada e o furor do quero-quero, que não quer saber de gente perto dos ninhos feitos no chão.

Tudo isso em dezembro, bendita a minha idéia de comemorar um aniversário na praia.

Mastigando Rheingold em frases

Por que luchamos?

Auto-retrato na expo do Mobilefest.

Howard Rheingold fala sobre:

1-TV no celular

“Estamos vendo a emergência do celular, dos pdas e de outros aparelhos portáteis como plataforma para a TV. Isso deve ter consequências sociais e políticas. Parece ser, para mim, a emergência de uma nova mídia”. E compara o momento com o nascimento da TV, que trazia várias coisas do cinema mas não era cinema.

2- Crise do direito autoral

“Estamos em um momento em que os criadores de valores culturais precisam descobrir um novo jeito de ganhar dinheiro. Dois de meus livros estão disponíveis em www.rheingold.com. Estou competindo comigo mesmo ao fazer isso, mas desta forma eu tenho mais público para os meus próximos livros. Sou chamado para palestras. Isso não vai servir para todos. É preciso inovar. Veja o caso da banda Radiohead. As pessoas pagarão voluntariamente pelo trabalho cultural.”

3- Brasil

“O Brasil tem inovação em coisas que outros países não tem. Ele tem potencial para ser líder em inovação.”

4- Educação

“Todas essas inovações nos fizeram melhores? Essa pergunta eu ouço muitas vezes. Depende. Depende da educação, não apenas do acesso aos meios, mas entender o que eles significam. É preciso tratar os alunos não como vasos que precisam ser preenchidos, mas dar a eles o poder de inovar e criar.”

5- O paradoxo

“O grande poder da internet é que todo mundo pode publicar. O grande problema da internet é que todo mundo pode publicar.”

6- Pensamento crítico

“Como incentivar o pensamento crítico? Precisamos ouvir os estudantes e guiá-los para que criem o novo.”

Leia mais: Mastigando Rheingold

Debate Rheingold

Foto: Rogério da Costa (LinC), Renato Cruz (Estadão), Eduardo Bicudo (Wunderman) e Sérgio Pompeu.

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