ilusões/illusions ilusões/illusions

Brasil onde chove muito, Brasil onde faz calor. Brasil que agora tem Natal desde outubro. Não era assim. Quando foi que o Natal avançou semestre adentro?

Novembro, nem me fale. A cidade já está pronta, terminou o ensaio da coreografia de luzinhas made in China. É certeza que um pinheiro vai atravessar seu caminho.

No hall de meu prédio, por exemplo, há um pinheirão de plástico com luzes que dançam. O chão e a porta de vidro refletem a dança e então são quatro pinheiros a lembrar que estamos no fim do ano. O coração pode até apertar se você estiver meio despreparado para receber a notícia. A idéia era só pegar o elevador e lá vem uma sinfonia natalina.

Agora só o azul! Agora só o verde! E vamos lá com o amarelinho (tem algum maestro escondido por ali).

Assim. Todas juntas, brilhando forte.

Maravilha.

Agora mais suave. Piano, piano. Piscando. Mais rápido. Isso. Frenesi!

Chega o elevador. E o fim do ano.

Tem um urso polar de isopor na avenida Paulista. Tem vovó Noel no caminho da papelaria. E renas. E trânsito na cidade, só porque oficialmente estamos na época do amigo secreto, do amigo mais que secreto, do desafeto amigo.