Encontrei uma aula sobre música brasileira e mercado brasileiro de música na CNN. Manaus é a boca dos piratas do Amazonas. Pirata do tipo que copia CDs e DVDs para vender nas calçadas. Extra. Extra. Belém também é a cena do mais “thriving” da cena pop: o tecnobrega. Thriving quer dizer florescente, próspero.
Em reportagem distribuída pela agência Associated Press (AP), a cantora Gabi Amarantos, que canta “Biba” -”Olha que tou louca!” - dá declarações esclarecedoras sobre a potência do fenômeno do tecnobrega.
Desconhecia Gabi Amarantos, Gabriela na verdade, subgênero Latina, na classificação da gravadora Trama Virtual. A prosperidade da música brega eu já conhecia há muito tempo. Amarantos é brega até onde alguém pode ser brega, correndo o risco de ser tão brega que é cult. Segundo ela, a pirataria ajuda a divulgar o nome dos artistas e sua música. Os músicos do tecnobrega vivem do que ganham nos shows. Seus CDs são entregues diretamente nas mãos dos vendedores de rua, que oferecem o produto ao preço que bem entenderem. Ficam com o que arrecadarem. E boa.
Um CD de tecnobrega chega a ser vendido por US$ 2 (cerca de 4 merréis), enquanto o disco “oficial” custa em torno de US$ 15 (cerca de 30 merréis). John Perry Barlow, que fazia letras para o Grateful Dead e que fundou a Eletronic Frontier Foundation, entidade que milita em favor do direitos digitais, dessas que balançam a bandeira política mesmo, foi ouvido pela reportagem. Barlow considera que o que o tecnobrega faz em relação com a pirataria é uma continuação do que os seguidores do Grateful Dread, os “dreads heads”, fizeram por muitos anos com fitas cassete, garantindo a divulgação da banda.
Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brazil, compara números. Enquanto os selos internacionais vão lançar este ano 40 álbuns, o tecnobrega lança 400. E que isso prova que pirataria não inibe inovação.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o tecnobrega movimento US$ 5 milhões, quase R$ 10 milhões de reais (nada de merréis nessa escala) por mês na economia de Manaus.
A Associação Anti-Pirataria considera o tecnobrega um fenômeno insignificante. A seu ver, a pirataria rouba 2 milhões de empregos e o Brasil perde com ela US$ 15 bilhões por ano em impostos. Só de ouvir falar em impostos o brasileiro sente um arrepio na espinha, certo?
A aula termina com uma afirmação de peso. O jabá não vigora na música que sai das aparelhagens (essas eu já vi bem de pertinho, um som de rua de potência titânica com muita gente dançando na frente). Se o artista é popular, o dono da aparelhagem tem de tocar suas músicas porque o público conhece o artista e exige.
Foi assim que o tecnobrega virou um case de uma complexa aula de economia… E olha que tou louca.

Patricia Kalil
October 22nd, 2007 at 2:26 pm
Estrelando os piratas do Amazonas e os privateers do Belém, meu bem. Bandeira verde e o tecnobrega vermelhô meu coração com “Biba, Olha que tou louca”. Eis quando aprendi que economia musical dava dinheiro.
Muito bom post, Aninha.
Diego
October 22nd, 2007 at 6:43 pm
porque será que a associação anti-pirataria finge que isso não tem a ver com eles, né…