2007 September | anacarmen.com

Arquivo do mês: September, 2007

Das Park: um hotel que usa tubulões de cimento

Em Ottensheim, cidade austríaca às margens do Danúbio, prossegue até outubro uma experiência diferente de hospedagem, criada pelo designer Andreas Strauss. É dirigida a espíritos e bolsos despojados. O Das Park Hotel oferece lençóis, cobertor, cama de casal e uma tomada para recarregar eletrônicos e em troca pede aos hóspedes que paguem somente o que acharem que devem pagar, de acordo com o tempo de uso do hotel e de suas possibilidades.

Das Park

Como banheiro, chuveiro e lanchonete pertencem ao parque onde estão os quartos, tudo é muito minimalista. Segundo o criador do projeto, que funciona entre maio e outubro pelo terceiro ano, o Das Park Hotel é uma forma barata de hospedagem que oferece uma experiência de aconchego em um espaço público.

Depois de fazer a reserva, o interessado recebe or e-mail a senha para trancar o quarto e usar o local de armazenagem disponível dentro de um dos três tubulões.

Das Park Hotel

Tem gente experimentando coisas diferentes, comentam aqui em casa. É um experimento para outra cultura, outro hemisfério, penso com meus botões. Começa com um e-mail e termina com elegância. Acho que por aqui não daria muito certo, a começar pelo pagamento da hospedagem. O hóspede deixa a soma no quarto antes de sair.

Dica do Pan-Dan, via Luciana Terceiro.

Blogs selvagens x credibilidade

Muita gente pergunta sobre a credibilidade nos blogs: como é que fica? Dá para confiar na informação? De vez em quando eu paro, escrevo um pouquinho sobre o assunto e continuo a tocar o barco.

Esta semana finalmente consegui responder a uma entrevista, ou a parte dela, que me aguardava na lista de tarefas. Enviada pelo Blog do Luiz, ela passa por essas questões. “Credibilidade se constrói com o tempo e se destrói em um instantinho”, disse eu lá pelas tantas.

Chamo reforços. Ao escrever sobre o assunto, um decano da área de tecnologia me surpreendeu (para bem) com sua opinião sobre ética e mídia. John C. Dvorak, da PC Magazine, escreveu o seguinte:

“O público é a polícia. As coisas ficam ainda mais complexas ao passo que bloggers e a nova mídia chegam com um misto de notícias, farsas e opiniões singulares. Não há um padrão de ética para essas pessoas, e mesmo com a estúpida idéia de criar um código de ética entre os bloggers, é impossível forçar a sua utilização em cada publicação. Na nova mídia, a ética é imposta pelos leitores, e não pelos editores. Existem fóruns, comentários, mecanismos e estruturas vigiadas pelo público. A mídia tradicional não consegue entender esse conceito.”

Sobre o assunto, também encontrei um texto de Daniel Jelin que, com fina ironia, brinca com os que pretendem banir as bobagens da blogosfera:

“e ainda querem dizer como é que se bloga, como é que não se bloga. afe. a última que eu vi, sei lá onde, era assim: aplicam-se as seis propostas para o novo milênio à blogosfera, e, entre muitos corolários, extrai-se que não se deve usar o blog pra falar da sua própria vidinha (sic).

mas então como é que ficamos? além da vidinha, o que é que se tem? grandes idéias? grandes novidades? grandes revoluções? grandes propostas? tudo grande? vá lá, se todo blogueiro fosse um italo calvino…”

Adorei essa afinidade entre o decano e o meu mano.

Blogs são selvagens. A internet é praticamente indomável, como a cabeleira de crianças com cachinhos.

Credibilidade entra no rol dos bens intangíveis. Reputações podem ser destruídas em um instante.

A essa altura de uma conversa sobre credibilidade, costumo chegar à conclusão de de que ética e responsabilidade não se vendem por metro e estão sempre entre as grandes questões por resolver.

80% navegam em comunidades

Você quer avisar a galera pelo Twitter, concentrar tudo no Facebook ou ouvir música no MySpace? Suas fotos estão no Flickr? Você foi ao YouTube? Postou no Podomatic? Guardou no Delicious? Verificou na Wikipedia? Viu no Digg, Slashdot ou no Overmundo? Como eu, você ainda recebe novos convites para ser amigo de alguém em seu Orkut, apesar de não visitá-lo há algum tempo? Responda rápido: Quantas comunidades o ser é capaz de freqüentar? Nos grupos de discussão, quem lê tudo? Quantas senhas você já esqueceu?

 

leao

Os números não negam a paixão dos brasileiros por comunidades e redes sociais. Dados do Ibope Net//Ratings relativos a agosto revelam: “Cerca de 15 milhões de usuários residenciais navegaram em comunidades (incluindo redes sociais, bate-papos, fóruns e blogs), o que equivale a cerca de 80% do total de internautas ativos domiciliares do mês. Desses, mais de 13 milhões (70% do total de usuários) entraram em redes sociais.”

As estatísticas mostram ainda que 46% dos internautas ativos em agosto leram blogs, o equivalmente a cerca de 9 milhões de brasileiros. É muita gente.

Amores em tempos virtuais

Dois - Due - Two Dois - Due - Two

A internet atingiu em cheio o amor. Modificou códigos e embaralhou as defesas, foi o que concluí nesse fim de semana, quando fui a uma festa de família. Os noivos estão de mudança para os Estados Unidos, onde será o casamento de fato.

Durante a festa, as gerações mais jovens mostraram os amores pós-ciberespaço. Um outro primo distante, que ainda vai se casar, conheceu a noiva pelo MSN há cinco meses. Tudo será muito rápido. Até o início do próximo ano a futura noiva mudará de estado civil, de cidade e de área de atuação no trabalho.

Outra prima namora um rapaz que conheceu pela internet. Pouco se sabe dele além de que não tem medo de pegar a estrada e rodar muitos quilômetros para encontrá-la.

Quanta coragem, pensei, diante das palavras de um desconhecido em uma janelinha aberta no computador. Romeu e Julieta adorariam tudo isso.

On the road

Viajarei para o interior de São Paulo, onde não chove há tanto tempo que a paisagem ficou mais amarelada, apesar do mar verde criado pelos canaviais. É o retrato do etanol brasileiro coberto de pó pela estiagem. Ainda é tempo de colheita de cana e há “treminhões” nas estradas - caminhões biarticulados, às vezes triarticulados, uma espécie de container sobre rodas que singra a terra seca e o asfalto esburacado das estradinhas municipais.

Esse papo bucólico todo é o que verei do dia sem carro em São Paulo. Perderei todo o movimento e estarei… na estrada. Para quem fica em São Paulo, é bom lembrar que é uma experiência: neste sábado, dia 20, deixar o carro na garagem e usar os pés, o transporte público ou a bicicleta para circular.

Veja a programação.

Sugestões que recebi e que eu toparia:

1- Fazer o circuito de ateliês da Vila Madalena. Sugestão de Beth Lima, que organiza o Arte na Vila.

Dia sem carro

2- Espiar a Casa da Xiclet, uma artista que transformou a própria casa em galeria e que depois dessa primeira sacada já fez muitas coisas. Ela inaugura às 20h do dia sem carro a mostra “Mercoseca”, que fica até 10 de outubro na rua Fradique Coutinho, 1.855. O preço é R$ 5 e R$ 10 ( “com direito ao cataloguim” , segundo a divulgação). Quem avisa é um amigo de Flickr, Felipe Fatarelli (FOTO). Participam os artistas:

Jeff Anderson e Eloir Santos , João Maciel, Felipe Luiz Fatarelli , Oriovaldo, Erik Thurm, Fabiana Arruda, Adriana Duarte, Cassiano Reis, Elisa Queiroz, Monika Jung, Monique Allain, Carlós Amorim, Adelaide Ivánova, Jailtão, Letícia Tonon, Rodger Savaris, Ricardo Guidara, Alexandre Matos, Luisa Dória, André Sztutman, Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos, Rafael Aboud Piovani, Jack Mugller, Tarik Klein , Maura Grimaldi, Victor Freitas, Luciano Cardoso, Caio Amaral Falcão, Breno Zylbersztajn, Jan Nehring, Henrique César, Deni L. Bill.

Felipe Mercoseca

Enquanto isso, meu papo é totalmente off-line com o menino da porteira…

Pangea Day pede seus vídeos

O YouTube convida a participar no dia 10 de maio de 2008 do Pangea Day:

“Em um mundo em que as pessoas estão freqüentemente dividas por fronteiras, diferenças e conflitos, é fácil perder de vista o que todos nós temos em comum. O Pangea Day procura superar isso - para ajudar as pessoas a enxergar a si próprias nos outros - por meio do poder das imagens.

Em 10 de Maio de 2008 - Dia da Pangéia - sites no Cairo, Dharansala, Jerusalém, Kigali, Londres, Nova York, Ramallah e Rio de Janeiro estarão unidos para produzir um programa de quatro horas com filmes poderosos, porta-vozes visionários e música. O programa será transmitido ao vivo para o mundo pela internet, televisão, cinemas digitais e celulares.”

As atrizers Cameron Diaz e Meg Ryan, o artista brasileiro Vik Muniz e o designer Phillippe Starck estão entre os organizadores. Os vídeos devem ter até 5 minutos de duranção e deverão ser enviados até 15 de janeiro.

Mais informações em: Pangea Org.

Dica do Schepop.

Interior vem a São Paulo: música e patas

No Memorial da América Latina e no Parque da Água Branca, samba no pé, bate-lata e uma cavalhada.

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Os vídeos feitos durante o evento de cultura popular “Revelando São Paulo”, nos dias 15 e 16 de setembro, marcam a estréia aqui do plugin WordTube, dica foi do professor Rogério da Costa. É complicado de instalar, mas o resultado é essa traquitana estilosa em flash.

Que tal?

O interior veio à capital

Com amigos que estudam fotografia, acompanhei sábado a chegada a São Paulo de bonecos gigantes, vindos de todo o estado.

lULA NO MEMORIAL

Eles chegaram no Memorial da América Latina e, dali, caminharam até o parque da Água Branca, onde se realizava um evento de cultura popular, o “Revelando São Paulo”. Dava gosto ver o rosto feliz das crianças, alvoroçadas com o passeio.

Menina e boi

Sob um calor infernal: o Memorial não tem uma sombra, uma árvore. É uma guerra perdida para o concreto. Os músicos improvisaram - como sempre - e acharam abrigo no bagageiro do ônibus:

Musicians

Foi bacana participar da “concentração” que, na verdade, era expansão. Esse pessoal que veio passear em São Paulo gosta de bonecos e de dançar. Trouxe junto um outro olhar, mais franco, para a vida.

Mais fotos no Flickr em Cultura Popular.

A dinâmica da rede no Flickr e no Yahoo 360

O texto Social Networks and Group Formation, de Shiv Singh, fala de uma pesquisa feita em 2006 por Kumar, Novak e Tomkins a respeito das relações dentro do Flickr e Yahoo 360.

Social Networks diagrams

Eles descobriram que essas redes seguem padrões de crescimento, principalmente - rápido no início, seguido por um período de declínio e depois de um período no qual o crescimento é pequeno e contínuo.

Os pesquisadores dividiram a atividade na rede em três tipos

  • Singletons: algo como “sozinhos”. Eles não tem conexões e são os menos centrais.
  • Giant component: “componente gigante” . O maior grupo de “nodes” fortemente conectados ao node central e uns com os outros.
  • Middle region: “região média”. Representa grupos isolados que interagem entre eles mesmos, mas não com o restante da rede, formando estrelas isoladas. Eles crescem um usuário a cada vez. Com o tempo, eles se fundem ao Componente Gigante.

A análise dessas comunidades mostrou que mais da metade dos indivíduos está fora do “Componente Gigante”. A pesquisa fala na prevalência de estrelas na região média, formando são mini-redes, geralmente lideradas por um cara bem dinâmico que serve de centro, sendo os outros satélites conectados ao líder, mas não entre si.

Segundo esta pesquisa, um terço dos usuários estão na Região Média no Flickr e cerca de 10% no Yahoo! 360.

 

 

Mapas de redes sociais

Como é difícil representar visualmente as redes sociais. Comentei isso ainda semana, depois de participar de uma aula onde o graus de comprometimento do indivíduo com uma comunidade foram organizados primeiro em forma de tabela e depois, de círculos concêntricos.

Uma dica da Lu Terceiro traz alternativas bem interessantes no Visual Complexity:

Visual Complexity

São alguns exemplos que fogem do lugar comum das bolinhas e fios para mostrar nós, nodes, hubs da rede.

Encontro uma variedade de mapas bonitos, onde se destaca o Fidg’t Visualizer, uma lista telefônica das redes sociais. Pelo Fidg’t, você encontra amigos em diferentes comunidades, como Flickr, LastFM, AIM and Yahoo Messenger em uma lista de “Meta Contatos”. É possível também colocar um “íma” em uma tag para mostrar quem está mais atraído por determinado assunto. O que mais gosto é dessa aparência orgânica, que cria flores e foge das famigeradas bolinhas no meio de um entrecruzado de fios.

fidg’t

 

 

Pelo Medium, você acompanha as pessoas que estão no mesmo site que você. Dica do Heinar, via Lu. É necessário instalar o programa. Ainda não sei pesar o quanto vale a pena deixar tão explícito nosso “rastro ” nas comunidades virtuais.

Além do mais, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que Medium é o nome do seriado da Patricia Arquette em que ela resolve crimes a partir das imagens que ela vê e dos sonhos que ela tem. Será  que o Medium é um festival de pistas para quem quiser seguir?

 

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