A Patrícia Kalil escreve sobre uma agência de aluguel de “extravagantes e inadequados”. Eles poderiam aparecer em eventos para dar um brilho, imagina ela. O dono da agência é Durandeau, personagem do escritor Emile Zola que imagina montar uma agência de complementos, especializada em “acompanhantes de contraste”. Patrícia transporta Durandeau para o século 21. O texto é divertido e brilhante. Reproduzo um trecho:
Até o mestre Durandeau enfrentou apuros para encontrar suas fealdades. Somente meninas razoavelmente jeitosas candidatavam-se espontaneamente. Um trabalhão para convencê-las do engano: veja bem, você não é suficientemente feia. No caso da agência de “extravagantes e inadequados” o problema seria outro: como atender um sujeito em fase de descoberta? Devemos estabelecer desde o princípio que não somos um consultório de psicanálise. Eu descartaria todo candidato voluntário na hora, sem dó. Se a pessoa já desconfia da própria falta de senso, isso é sinal de melhora, filosofia ou milagre.
Queremos pessoas categoricamente estúpidas, aquelas com o rei na barriga, certas de sua genialidade, missão, título e ética. Donos da solução para o mundo, para as gerações futuras e passadas, capazes de narrar qualquer caso em tom de sermão. Pessoas acima do bem e do mal, contra raios UV-A e UV-B, possíveis pastores evangélicos. O crème de la crème.


Patricia Kalil
August 15th, 2007 at 2:16 pm
Adorei a visita e comentário lá tb.
Muito linda.
Um beijo grande e saudade!!