Zen Zen

A bolha imobiliária estourou, como já haviam previsto tantos. Eu, que não sou da área, já sabia que havia uma bolha no preço dos imóveis nos EUA prestes a explodir. Cheguei a imaginá-la sobre as casas, como um balão transparente cheio de ar que pressionava os telhados das residências com gramado e cachorro labrador dos subúrbios e dos condomínios da Flórida.

Em 2000, quando eu ainda segurava nas mãos capas de revistas semanais sobre fortunas instantâneas criadas pela internet, um consultor me disse que a bolha havia estourado. Ela arruinaria todas aquelas empresas das capas de revista. “Acabou”, disse ele. Incrédula com a onda que avançava em minha praia -  eu trabalhava na web – vi de camarote a bolha da internet estourar. Puf.

Lembrei dessa previsão certeira quando hoje o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que não era bem assim, que a bolha imobiliária não afetaria a ecomonia brasileira e tal e tal. Enfim… “O Brasil está sendo considerado próximo do investment grade. Ele está na alça de mira dos investimentos. Os investidores sabem que eles podem vir para cá para ganhar dinheiro com operações sólidas, com baixo risco. O risco é baixo, porque os fundamentos são sólidos, temos reservas, temos superávit comercial, superávit em transações correntes. As condições são muito favoráveis.”

Quem disse isso foi o ministro que falou que a crise aérea era sinal de abundância, que era uma coisa muito boa que acontecia no Brasil. Ao ouvi-lo, a pulga atrás de minha orelha fez uma exibição à altura do Pan, três saltos ornamentais seguidos de corrida de 100 metros. Lembrei do consultor, frio, personagem de quadrinhos.Terno escuro, pele azulada e olheiras cinzas. “Tudo isso vai para o brejo.”

E a bolha imobiliária, que tamanho tem?

O que todos querem saber é até que ponto as ondas sísmicas se espalharão. Dos EUA à América do Sul é um pulinho. A bolsa da União Européia torrou nesta sexta milhões de euros para instalar uma barreira de colchões a seu redor e amortecer o impacto.

PS: Na rua Pinheiros, São Paulo teve ainda outra bolha essa semana, de um líquido que é usado para facilitar a passagem do tatuzão pelo subsolo, uma espécie de lubrificante que vazou pelo asfalto da rua. Primeiro veio uma pocinha, depois o solo cedeu. Quem viu “A Coisa” um dos cinco filmes mais trash do ranking universal, pensou que estavam fazendo um remake ali em Pinheiros. Nessa produção das antigas, uma espécie de iogurte borbulha do solo e mata as pessoas de uma cidade.