2007 August | anacarmen.com

Arquivo do mês: August, 2007

Blogday: 5 blogs que eu costumo visitar

Para entrar na ciranda do Blogday, escolhi os que surpreendem e informam. Não os melhores do mundo, mas os blogs que eu costumo visitar porque são interessantes. Meus 5 blogs são 4, mas são muito mais.

Seth Godin - Ele fala sobre circulação de idéias e leva isso para o marketing. Escreveu o best-seller “The Purple Cow” e, em seguida, o projeto colaborativo “The Big Moo”. “A Vaca Roxa” a que se refere o primeiro livro é uma coisa que chama a atenção. O grande Muuuu é um passo adiante da vaca roxa, uma grande sacada. Esse Moo surgiu a partir de discussões de um grupo de amigos sobre o que é ser notável (remarkable). Visito o blog de vez em quando porque traz novidades e boas reflexões.

Favoritos - O blog da Luiza Voll é cheio de links, uma espécie ticket to ride. Do Favoritos geralmente vou parar em sites estapafúrdios. E há listas, muitas listas.

Conversas Furtadas - Eu adoro esse blog coletivo porque sempre é inevitável rir das besteiras que as pessoas falam e que os autores colecionam. Por exemplo essa recente aqui, com o título “Leseira”: O cara era tão lesado, mas tão lesado, que eu acho que, se ele fosse doar sangue, certeza que iam querer doar os seus órgãos alegando morte cerebral! (enviado por Rafael Ramos).

Blog dos amigos - Blog dos amigos é muito legal e pronto. Serei injusta se disser que lembrei de todos os superbacanas. Só para mencionar alguns: Luciana, Daniel, Lúcia, Bob, Pat, Miki, , Bernardo e Camila, Sergio.

blogday

Manual ensina como adotar uma criança no Brasil

Estima-se que existam no Brasil 80 mil crianças em abrigos. Nem todas podem ser adotadas, porque têm situação jurídica indefinida, ou seja, a Justiça ainda não terminou de investigar as possibilidades de reinseri-la na própria família e ela permanece em um limbo. Muitas vezes o tempo passa e a criança cresce dentro da instituição. Triste assim.

Atentos a esse tempo de espera durante o qual a criança cresce institucionalizada, os próprios juízes, por meio da Associação dos Magistrados Brasileiros, resolveram lançar a campanha Mude um Destino, para incentivar as pessoas a receberem crianças que vivem em abrigos, seja para adoção, seja para um convívio de transição, junto a uma “família guardiã”.

Como adoção é antes de mais nada uma questão jurídica, uma verdadeira barafunda de questões, os juízes lançaram essa semana o Manual de Adoção, disponível para download, um documento bem elaborado e bem bacana.

Bruno, o macaco blogueiro do Estadão

É acupuntura entre diferentes mídias, pois o baixo impacto da agulhada está mais para acupuntura do que para polêmica. O jornal O Estado de S.Paulo lançou Bruno, o macaco blogueiro, em uma campanha publicitária. É um truque básico de marqueteiro, tocar bumbo em praça pública e chamar o Bruno, que assina um blog de economia, para cobrir. Logo mais, com a celebridade súbita, o macaco blogueiro pode vir a assinar uma coluna de jornal ou de revista, não é verdade?

O jornal preocupa-se com a credibilidade do que é publicado em blogs e até promoveu debate a respeito. Saudável preocupação, diga-se de passagem.

Tem blogueiro irritado com a campanha publicitária. Há um Pedro Dória, colunista do Estadão, decepcionado com a irrelevância da blogosfera brasileira. Há um Gilson Schwarz, da Cidade do Conhecimento da USP, mencionando “muita porcaria” na blogosfera, falta de qualidade e pleonasmos como “redes sociais”.

O debate reuniu gente que viu a internet nascer, ou seja, que não é da geração que acordou blogando e aprendeu a usar o joystick antes de ser alfabetizado. Essa geração, à qual pertenço, acordou no dia 29 de setembro com vontade de bater nos blogs e questionar como lucrar com esse movimento todo.

Fora esse mau humor ranzinza, fico contente com a ocasião. É começo de primavera, vamos começar a falar sobre blogs, isso aí. Muito saudável. A aproximação entre jornalismo e blogs não é mesmo macia. Tem seus atritos. Tem seus momentos muito bregas de “tapas e beijos”.

Como criar quintais na alma

Amarelinha azulzinha Amarelinha azulzinha

Brincadeiras de quintal são experiências prazerosas e absorventes. A brincadeira é um estado de existir que liberta e transforma o ser enquanto ele ri, de maneira que ele nem percebe.

Quintais são território amigo, aberto a erros e experiências. Quintais são bolhas acolhedoras.

A pergunta que é difícil de formular:

Como criar quintais nas redes sociais? Como promover a troca por meio da colaboração e aproveitar os recursos de ferramentas de interação, comunicação e publicação na web para manter esse movimento vivo, mutante, criativo?

Criando quintais.

Perguntas:

O quintal é:
1- Um estado de espírito.
2- Um território a ser conquistado.
3- Um aprendizado.
4- Todas as anteriores.

Como criar quintais nas relações humanas?

As idéias de Conquiste a Rede na universidade

A coleção “Conquiste a Rede” comemora um ano de lançamento nesses dias. Nesse ano, ela teve uma intensa vida nas universidades, onde ela foi lida, citada e comentada. “Conquiste a Rede” virou lição de casa de muita gente: leia o livro, faça um blog, publique uma resenha, seja avaliado por esse aprendizado.

Pelo Technorati, acompanhei os posts escritos sob encomenda dos professores. Talentosos muitos, engraçados aqueles em que se encontra o tom de dever de casa que só um aluno com pressa consegue perpetuar. Lição de casa é lição de casa até na blogosfera…

Houve outro movimento bastante interessante em monografias acadêmicas. Aproveito o aniversário do lançamento dos livros para falar da monografia de mestrado de Rafael Savi, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele apresentou no primeiro semestre a dissertação “Utilização de ferramentas interativas em Jornalismo Participativo: uma análise de casos de blogs, wikis, fóruns e podcasts em meados da primeira década do século XXI”.

O autor colocou a tese para download, sob licença Creative Commons, muito bacana, podemos todos lê-la - eu nunca entendi por que a produção acadêmica mais fresquinha fica guardada em papel nas bibliotecas das universidades. Difícil esse acesso. Ninguém sabe o que foi pesquisado, o que foi escrito recentemente, quais são as novas idéias. Todas as teses deveriam estar disponíveis para download.

E é possível ler também na coluna de Alexandre Gonçalves, a Coluna Extra, a entrevista com Savi.

Orkut de cara nova

cara da Delfina cara da Delfina

Eu só não cometi orkuticídio por preguiça. Anos se passaram e o meu perfil ficou lá pendurado, em inglês, porque entrei na comunidade logo no início, quando ainda havia pessoas de outros países e quando ainda se falava inglês ali.

Ontem soube que a interface mudou - e para muito melhor. Ficou leve, web 2.0, rápida. Ninguém mais ganha donuts quando o sistema não funciona. “No donuts for you”, resmungava o malcriado do Orkut durante essa pré-história que eu freqüentei.

Para testar o novo sisteminha, rapidamente traduzi minhas informações, li uns recados fofos dos amigos do tipo “oiiiiii”, que sempre é ótimo ler, enfim… Será que o Orkut ganha fôlego e eu não estou sabendo?

Roubo do projetor do Blogcamp

Diagonal Diagonal

Devido a compromissos bem importantes, perdi toda a conversa do Blogcamp. Cheguei no fim da tarde de sábado ao encontro em um momento delicado, logo após o furto de um projetor. Um clima de “lamento muito” generalizado no ar, convite para um chopp, enfim, perdi a conversa mesmo.

Senti-me diante de uma amostra da sensação que permeia o dia-a-dia, a de que de vez em quando no meio das coisas legais a vida dura inesperadamente mostra os dentes. Pitombas.

Como a Lúcia me escreveu, blogueiros podem colaborar por aqui.

Twitter: o que você está fazendo?

Twitter se trata de responder à pergunta: o que você está fazendo? Twitter escreve poesia sobre a linha de tempo - digamos assim. Neste momento, por exemplo, quem abre os posts dessa comunidade escreve o seguinte:

- “Sali tardisimo, el karma ha de ser, llegando a casa y tragando como niño de hospicio.

Minha página diz:

- “Faxina no Blogroll”.

A página de amigos começa assim:

- “A caminho de vancouver/ca, voltamos domingao

As frases marcam a passagem do dia, das angústias e do tédio. Muito tédio ou ao menos algum tempinho para jogar em um hai-kai sobre o que você está fazendo? Dá para postar por celular, via SMS. O blog do próprio Twitter adverte: não poste enquanto dirigir. Isso, melhor não.

As pessoas embarcaram no jogo em vários idiomas. Isso vem desde o ano passado. Agora que sobrou um tempinho, vou brincar de Twitter para ver que gosto tem ;D

Are You a Twitter Ninja?

Pensamento colaborativo e redes

Bernardo Schepop enviou da Holanda, muito chique, a indicação de um blog sobre “pensamento colaborativo”: Colaborative Thinking - Perception on collaboration and social software by Mike Gotta.

Já gostei do tema que o cara elegeu. De lá, já fui parar no site da ferramenta para criação de comunidades virtuais Groupsites. É uma ferramenta for free com interface bem bonitinha.

Falando em redes, mais um pouco sobre a palestra de Pierre Lévy. Ele tirou das ferramentas para comunidades virtuais e o peso da responsabilidade pelo sucesso de um projeto. Lévy mencionou como exemplo um projeto bem-sucedido que usa uma ferramenta extremamente simples.

“Você não “constrói” comunidades, como engenheiros constróem casas”, disse ele. “Comunidades crescem. Elas têm de se organizar em torno de uma memória coletiva. Comunidade depende de identidade e de uma memória comum e a estruturaçaõ desse conhecimento deve ser algo vivo”, acredita.

A Riqueza das Redes

Yochai Benkler, da Escola de Direito da Universidade Yale, fala sobre comunidades no livro “The Wealth of Networks — How Social Production Transforms Markets and Freedom”. A Riqueza das Redes — Como a Produção Social Transforma Mercados e a Liberdade, disponível para download em vários formatos.

O Instituto de Estudos Avançados da USP promove um ciclo de debates sobre a obra e nesta quinta-feira, dia 23, realiza um debate sobre produção social, que pode ser acompanhado pela web.

No wiki que o autor criou, o resumo da ópera é o seguinte:

“Production is shifting from physical products like blue jeans, to decentralized information goods, like articles on the Internet. This gives users more power (they can publish instead of just reading), creates more opportunities for democratic participation, lowers costs for developing countries, and democratizes the creation of our culture.

This book will analyze these changes by looking at what new technologies make easy, applying an individualist economic model, and examining the effects on human beings. As the state’s role has largely been to support big companies, this book will largely ignore it, even though it could be used as a force for good.”

Um novo jeito de ensinar

Pierre Lévy Pierre Lévy

“Inteligência Coletiva, Interdependência e Projetos Sociais - Os desafios da atuação colaborativa em rede: um encontro com Pierre Lévy”.

Títulos tão compridos são sinal de que é difícil explicar aquilo sobre o que vai se falar em seguida.

Foi um “encontro-laboratório” entre:
1- O teórico Pierre Lévy,  autor de “Cibercultura” e “A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço”

2- Rogério da Costa, professor da PUC e coordenador do Linc

3- Sergio Mindlin, do Portal EducaRede

4- Rogério Amato, do Portal Rede Social, Secretário Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo

5- Gregório Bouer, presidente da Fundação Vanzolini

Falaram sobre educação. Fizeram perguntas. Falaram por quase três horas.

Pergunta do Educarede: “Como lidar com as dificuldades de professores que estão acostumados a dar aulas presenciais?”

Resposta de Pierre Lévy: “É só com os professores? Somente eles não são tão fluentes no ambiente virtual? Depois, existem as regras das instituições. Você não pode dar notas coletivas.

As regras das instituições impedem um novo jeito da educação funcionar. Acho que não devíamos opor presencial e on-line, porque é possível que estejamos todos em uma sala e juntos façamos uma atividade on-line. O que é novo é que tanto alunos quanto professores têm muito a aprender um com o outro. Quando eu falava nessa nova relação, ninguém parecia interessado. Hoje todo mundo fala em gestão do conhecimento.

As comunidades virtuais parecem ser um fenômeno muito recente. Na verdade, ele cresceu muito rápido, mas as primeiras comunidades virtuais surgiram há 30 anos. Leva tempo.

Pergunta do EducaRede: Por que comunidades espontâneas como Orkut e Second Life fazem mais sucesso do que comunidades dirigidas e com mediador? O mesmo ocorre em outros países?

Resposta de Pierre Lévy: Sim, acontece em outros países. É um fenômeno vivo. Existem muitas comunidades. Poucas sobrevivem e se tornam enormes. Comunidades são coisas vivas. O papel do moderador é muito importante. Não acredito que sozinha a rede se desenvolva. O motor das comunidades espontâneas é divertimento. Em ambientes educacionais, não pode ser completamente espontâneo.

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