“Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos”, diz Clarice Lispector em “Água Viva”.
Clarice e Guimarães Rosa, dois de meus ídolos na língua portuguesa, formam uma seqüência de exposições no Museu da Língua Portuguesa. Mais uma vez Felipe Tassara e Daniela Thomas mataram a charada de como apresentar e representar no espaço expositivo a alma de alguém com olhos no lado de lá da existência.
Fui visitar a exposição de Clarice no sábado e me vi em momento de tietagem explícita. Vi minha musa angustiada, relatando em vídeo como o ato de escrever é sofrido. Se é sofrido para Clarice, quem sou eu para querer diferente…
Diz Clarice “quando escrevo, estou morta”. Ela tem de morrer quando escreve, para poder dar vida a outra realidade. “Por enquanto eu morri, vamos ver se eu renasço”, diz ela ao Julio Lerner, meio chatinho, da TV Cultura. O programa gravado em 1/2/1977 pode ser visto no You Tube.
Malucona, maravilhosa, toda ela transcendente. Abençoado o desvio da curva mediana que permite visões como as que ela transcreveu.
Renato Targa foi quem percebeu a semelhança entre Clarice jovem e Scarlett Johansson, considerada a mulher mais sexy do mundo:

Clarice é assim, a mais linda.

rafaela
July 10th, 2007 at 5:08 pm
A Clarice é muito linda!