2007 May | anacarmen.com

Arquivo do mês: May, 2007

Não revisaram o nome da revisora

Passei o fim de 2006 às voltas com “bitácoras”, um sinônimo para blogs em espanhol. A pesquisa feita para escrever Conquiste a Rede trouxe um convite para que eu fizesse a revisão técnica de um livro espanhol sobre o tema – “Blogs: Revolucionando os Meios de Comunicação”, de Octavio I. Rojas Orduña, Julio Alonso, José Luis Antúnez, José Luis Orihuela e Juan Varela – que agora sai no Brasil.

Bitácoras, confidenciais e outras coisas que não fazem qualquer sentido em português me deram um trabalho louco, muito além do que inicialmente eu havia estimado. Procurei traduzir os conceitos, termos técnicos, idéias. De gaiata, entrei até na complicada senda da correção de estilo e gramática, que não era de minha conta. Quando o verbo não concorda com o sujeito, não resisto. Letrinhas são muito malandras.

Qual não foi minha decepção ao receber ontem ontem um exemplar do livro, lançamento da editora Thomson. Quem revisou o nome da revisora, escreveu tudo errado. Fiquei borocochô.

Estou lá na ficha da Câmara Brasileira do Livro como Ana Carmen Thereza Faschini. O correto é Ana Carmen Therezo Foschini. Sobrenomes têm licença poética para serem estranhos.

Ironia. Quem revisa o texto alheio, não revisa a ficha técnica do que fez. E agora? Vamos copidescar o mundo ou fazemos a fila andar?

Ah, quer saber o que eu acho do livro? É uma radiografia (pensante, sim) da blogosfera espanhola. É esse seu maior defeito e sua grande qualidade. Para os brasileiros, esse tom local muito forte pode ser algo distante, coisa para estudiosos de casos de comunicação.

Talvez por ter mergulhado em suas entranhas, não gostei do livro assim de paixão. Mas ele é muito bem-vindo como mais uma referência sobre o tema em português. Ainda são poucas, que bom que temos agora mais uma fonte.

Da luz

Conheço pelo menos duas pessoas que quiseram viver de luz. Não deu certo.

Lembrei delas quando encontrei essa receita de suco de luz do sol!(??!!)
Agora, descubro como iluminar com potes de luz. É simples, diz a Patrícia Kalil em seu blog. Você compra um pote para picles, instala um led e um sensor que capta a energia solar pela tampa. A explicação está no Instructables. Fica lindo:

Pote de luz

Como pude viver até agora sem um desses?

Palavras e hypes

Terça-feira, dia 29, começa a Casa Cor em São Paulo, que desta vez inventa um condomínio de luxo dentro do Jockey Clube. Escrevi sobre o assunto para o Publimetro e fiquei sabendo que o novo conceito em termos de estilo de morar são os estúdios.

É provável que fique bonito se você disser “es-tu-di-ô” quando se referir a grandes espaços multiuso que reduzem o número de paredes e cômodo nas plantas das moradias.

Segue vocabulário básico de sobreviência no mundo hype, se você decidir “investir” R$ 30 ou R$ 35, nos fins de semana, como se diz por aí na hora de dar o preço de cursos:

Wine bar – Para beber vinhos se sentindo… Caso queira variar, dirija-se ao Champagne Bar, pois uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Cozinha Club – Sucessora do “espaço gourmet”. Marcelo Rosenbaum propõe uma com 200 metros quadrados para as choupanas do “condo”.

Brinquedoteca – O território bem delimitado onde as crianças podem derrubar a casa.

Sustentabilidade – Esse termo que abrange tudo o que é digno em termos de salvar o planeta é o novo quebra-língua. Tão feinho quanto “disponibilizar” e “estar focado”.

Como diria o Zeca Baleiro, “venha tomar meu brunch/saiba que eu tenho approach”.

Heroes ou Lost?

Heroes ou Lost? Eu sou mais Heroes. Acho o roteiro de Lost abilolado, um novelinho no qual há muitas pontas soltas, balançando ao gosto da audiência. Apesar da preferência, achei o último episódio da primeira temporada (ou primeiro volume, como eles dizem) de Heroes um tanto quanto goiaboso.

Seriados são minhas novelinhas, o xampu para lavar as idéias depois de um dia cheio. Meu grau de exigência não é tão alto, mas gosto de bons roteiros.

O núcleo Mica-Niki, sempre dispensável, mostrou porque entrou no roteiro de Heroes. O menino Mica encarna o carinha que era preciso existir para controlar computadores. A loira violenta é a dose de mulher sexy necessária para estampar à frente dos cartazes publicitários.

Peter Petrelli Peter Petrelli, o mais poderoso dos Heroes. Se você quiser assistir aos episódios pela web, a partir de um computador no Brasil, use um Proxy e acesse o site da NBC

Hiro Nakamura e seu ingênuo entusiasmo salva Heroes de ser desinteressante. No meu ranking de personagens legais vêm em seguida Peter Petrelli, o irmão atormentado e cheio de boas intenções do político bonitón. Em terceiro lugar, a cheerleader. Adoro o slogan “Save the cheerleader, save the world”.

Sylar, o vilão, é chato de dar dó, tadinho. A gente só nota como ele é malvado quando ele tira a tampa do crânio e rouba o cérebro de algum superpoderoso. Digamos que ele aparece somente quando pendura uma melancia no pescoço, pisa em cima e suja o chão de vermelho.

Quem quiser saber o que acontece no episódio, é só perguntar. Não quero estragar a festa de ninguém. Mas adianto: a mocinha não morre no final.

Barraquinhas de idéias

A 20ª Feira da Pompéia foi um mercadão de tendências e diversidade que raramente afloram no tecido social e na trama da cidade. Achei muito saudável a venda de idéias em barraquinhas brancas, padronizadas, uma interessante forma de dispor conceitos.

A Arte em Pneus, que transforma pneus usados em mobiliário descolado e ecológico, fala em 5 erres: reeducação, repensar a adequação dos resíduos, redução do consumo, reutilização e reciclar quando não é possível reutilizar ou reduzir.

Arte em pneus

O movimento Defenda São Paulo divulga um abaixo-assinado contra o barulho dos helicópteros. Durante a feira, procurou mobilizar o bairro contra a verticalização de Vila Romana, lembrando em uma filipeta: “É a última chance de inteferir na elaboração do Plano Diretor”. Uma das propostas é mexer no zoneamento de forma a abrir ao público áreas verdes dos megacondomínios.

Defenda SP

Achei as caixinhas de marchetaria do Projeto Pinóchio tudo de bom. O projeto é desenvolvido pela Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, fone (11) 3918-8259, com o mote de inclusão social e reciclagem de madeira.

Quilombaque

Outra barraquinha que me chamou atenção foi a da ONG Vira-lata é dez, adote um.

Quantas boas idéias secando ao sol :D

Mandala de tatus

Fui pescar nesse domingo nas ruas de São Paulo e fisguei vários achados na 20ª Feira da Pompéia.

Adorei os desenhos mezzo rupestres, mezzo africanos, do ateliê Fuzuê, que fica em Campinas. Não resisti a uma toalha de mesa com uma mandala de tatus estampada no linho:

tatu

Achei muito divertidas as camisetas da anonymous:

dumbo

E ainda relaxei com a apresentação de uma dança do Rajastão:

rajastao

Condomínios fechados e sua tranqüilidade me perdoem, mas rua cheia de vida é outro papo.

Buster & eu

Chorei de saudades de meu cachorrinho Buster ao ler, em um único fôlego, “Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo“. O best-seller de John Grogan não é um livro sobre cão tão inspirado como é Timbuktu, de Paul Auster. Mas tem o dom de fazer gargalhar e comover, o que não é pouco.

Meu Buster, assim como o labrador Marley, fingia desconhecer o significado da palavra NÃO.

Outra semelhança entre Buster e Marley é gostar de ter gente em volta. Foi minha mãe quem descobriu que Buster era um cão de companhia. A gente precisava fazer companhia para ele o tempo todo.

buster2.jpg

Nas viagens, Buster gostava de se acomodar entre os dois bancos dianteiros do carro, como Marley, pegando carona no ventinho do ar-condicionado. Mas como era um cachorro de pele rosada e pêlo branco que morria de calor, ficar ao sol, no verão, nem pensar. Como um vampirinho com medo da luz, ele se esgueirava pelas sombras.

A lista de semelhanças é longa. Talvez todos os que têm cachorro digam o mesmo: “o meu também enfia a cara no meu rosto quando estou deitado” ou “ele adora usar o tapete da sala como guardanapo”.

Buster espalhava as almofadas do sofá quando voltava cheiroso de um banho. Odiava aquela camada pet shop sobre sua existência. Achei graça quando soube que Marley também praticava o esporte radical de lançar almofadas ao chão.

Em homenagem aos cães, suas idiossincrasias e fofuras, recomendo esse vídeo que ensina a postura do cachorro na yoga com a ajuda de… um legítimo Buster!

No hatha yoga, Adho Mukha Svanasana.

No site de vídeos 5min (dica da Lu3), sobre o que é possível fazer em cinco minutos, “Downward-facing dog posture. Buster helps me with peforming this transitional popular pose”:

Bollywood na cestinha

Menina ocupada vai às compras.

Na cestinha, ela coloca:

1- Uma fabriquinha de filmes de Bollywood com legendas em português.

Ainda refrescada, ela faz um filminho:

bombay_tv.jpg

2- Muito prática, escolhe um acessório para seu blog: Crazy Egg, que faz o tracking dos visitantes na home.

3- Exausta com tantas escolhas, junta as forças para os últimos cliques e escolhe um adesivo para a parede de seu ploft:

adesivo.jpg

24 horas de Flickr, Virada Cultural e Laurent Garnier

Dedos nervosos: neste sábado, dia 5, 24 horas de Flickr. A idéia é mostrar com fotografias o que acontece no mundo nessas em 24 horas. As melhores fotos viram livro etc. Mais informações no blog do Flickr.

Em São Paulo, não faltará assunto. Tanta coisa promete acontecer na Virada Cultural, que embola o sábado com eventos ininterruptos até que o domingo se instale. Gostei de saber que os museus vão estender os horários. Quem sabe terei tempo de ver Clarice Lispector no Museu da Língua Portuguesa?

Laurent Garnier toca lá para os lados do Sambódromo na hora em que o pão com manteiga começa a chegar no balcão das padarias no outro lado da cidade. O que acontece no mundo… Vamos ver.

24horas_blog.jpg

É dia 5, este sábado. O lembrete vale para mim, também, que posso esquecer de sair para a rua.