Metais ardidos, acordeon, som de bandinha de coreto da praça. Opa opa! Um gole de aguardente entornado de uma vez só. Pula, pula, ô-pa. Mais um gole, metais ardidos, mais festa.
Quem viu um dos filmes de Emir Kusturica sabe mais ou menos como celebram os ciganos do leste europeu. A tradição dos Bálcãs é de esbórnia, é uma música aparentada com o trio elétrico baiano – pelo menos na inspiração dionisíaca.
Kusturica que, além de ser um dos meus diretores favoritos, é também músico. Em 2001, ele fez uma divertida turnê de trem com a banda No Smoking Orchestra, registrada no documentário Memórias em Super-8 (Super 8 Stories). Emir toca guitarra, o irmão, Stribor Kusturica, toca bateria. Os dois brigam bastante.
Goran Bregovic é outro da minha lista de luminares do gênero metais ardidos. A história do Bregovic é ótima: nascido em Sarajevo, filho de mãe sérvia e pai croata, foi celebridade do mundo pop com uma banda punk. Depois, tornou-se um respeitado na música erudita e fez a trilha sonora de vários dos filmes de Kusturica.
Assisti a Bregovic na Sala São Paulo. Única vez, provavelmente, em que rolou uma ciranda na platéia da elegante sala de concertos. Foi uma delícia dançar em círculo suas músicas “para casamentos e funerais”, como é o título de um de seus álbuns. Pula, pula.
Balkan Beats
Tom B , grafiteiro, ilustrador e DJ, chegou de Londres com um carregamento de Balkan Beats e colocou gentilmente as novidades na web para a gente ouvir. Sensacional.
Ele conta o seguinte: “Nos anos 90, com a queda do Muro e a guerra na Iugoslávia, toda uma geração emigrou do Leste Europeu - principalmente pra Alemanha - e amadureceu em contato com o fino da música eletrônica. Hoje em dia, DJs e produtores de lá estão retomando esse som de raiz; temperado com coisas tipo dancehall, hip-hop, miami bass e reggaeton”.
Borat, roteiro Didi Mocó estragado do extremo leste europeu
É a partir da base dos descendentes dos nômades do leste europeu que Borat avança até ultrapassar a linha Didi Mocó da falta de cabimento. Sem o refinamento de um Kusturica, Borat com seu bigodón e suas frases sobre “usar a irmã” enfia o pé na jaca mole e termina sem graça, na minha opinião. O roteiro para música cigana acima leva a melhores fontes. Não perca seu tempo.

Monique
April 7th, 2007 at 8:29 am
Nossa aprendo tanto lendo seu blog!
Fico toda boba com outras culturas, acho linda a maneira q cada povo
encontrou para expressar a alma na música, nas artes, na comida, nas roupas… me encanta.
Vc me fez lembrar uma noite de natal em Londres em q eu dancei “bellydance” com várias criancinhas árabes. Na época eu tinha um cabelo enooorme, e cada criança segurava uma mecha enquanto dançavam em ciranda e eu no meio inventava os passos que me vinham à mente. Foi inesquecível.