2007 April | anacarmen.com

Arquivo do mês: April, 2007

Trechos emprestados do Conversas Furtadas

Conversas Furtadas me fez chorar de rir das bobagens que as pessoas pensam e, não contentes, verbalizam.

É um achado esse blog, abre uma janela para a banalidade da vida e das pessoas. É ventilado, uma coleção de bobagens que sopram de todos os rincões do Brasil que fala “+ ou - portugueis”.

Trecho roubou de minha boca

“Hoje eu acordei com uma vontade de dormir.”

Trecho culinária filosófica

— Eu fiz bolo de banana, tá lá na cozinha.

— Mas… Cadê a banana?

— Na verdade, ele não tem banana em pessoa, tem banana em essência.

Trecho tiligente

— Mãe, traz um copo d’água pra mim! Mãe, traz um copo d’água pra mim! Mãe, traz um copo d’água pra mim!

— Se você não parar de gritar, eu vou aí te bater!

— Quando você vier me bater, traz um copo d’água pra mim?

Grátis + texto de blogs = BostonNow, de olho no futuro

Um jornal lançado este mês em Boston, EUA, reúne duas características que apontam para o futuro do jornalismo impresso:

1- Tem distribuição gratuita
2- Mescla jornalismo cidadão com jornalismo “tradicional”.

O BostonNow publica notícias dos blogs “lado a lado com as dos jornalistas de sua redação”, sem confiná-las no gueto das fotos dos leitores”, conforme post publicado em fevereiro: no blog do jornal.

“BostonNOW is a new free daily newspaper launching this year that will incorporate both traditional and citizen journalism. Your ideas about the Boston community (news, politics, sports, the arts, etc.) will appear side-by-side with the words of BostonNOW staffers and wire service journalists. We will promote your work prominently both in the paper and on the website, not in a “local blogs” or “reader photos” ghetto.”

Começa com 10%

John Wilpers, editor chefe, diz que no início 10% das notícias virão de blogs. A equipe do jornal, segundo ele, auxiliará os blogueiros a dar o formato apropriado ao papel a seus posts.

O plano é lançar mais nove jornais com essas características nos próximos três anos. Tá bom?

Como jogar energia em coisas inúteis

Como jogar energia em coisas inúteis: enfeitando a privada.

1- Por módicos 15 dólares, você pode adquirir esse primor:

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OBS: Detesto feira de filhotes em shoppings, supermercados e postos de gasolina na beira da estrada.

2- Coideloco, esse style Mondrian. Saiu na revista de design contemporâneo MocoLoco:

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Hubble, poeta avariado, disputa prêmio

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Olhar estrelas é coisa de poeta. Hubble, grande poeta, embora acometido por avarias permanentes, pensa em uma aposentadoria coroada por um Webby Award.

Prêmios de internet tem gosto de marmelada. Como o Oscar. Por que não levo muito a sério prêmios na internet? Por que são irrelevantes?

De qualquer forma, ver novas imagens da terra de Ziggy Stardust é um prazer. Além do Hubble, outro telescópio da Nasa, o Spitzer, tem feito a festa diariamente, já que o Hubble, tadinho, tem problemas nas lentes.

De vez em quando a Nasa anuncia que ele vai parar de funcionar definitivamente. Por enquanto, ele está ocupado em ganhar um prêmio. Se quiser, vote no poeta avariado para melhor site da categoria Ciência.

Colaboração emagrece

Colaboração emagrece. Usei esse slogan no MSN para ver se inspirava alguém. Sabe como é, para certas pessoas emagrecer é tão importante que vale a pena tentar.

Quem sabe se espalharmos o boato a febre do individualismo baixe.

Jornalismo colaborativo na revista Imprensa

A edição de abril da revista Imprensa traz uma reportagem sobre jornalismo colaborativo e a participação do público no produto final. O texto assinado por Alex Sander Alcântara, que me entrevistou, logo de início diz que não há retorno: “As seções colaborativas criadas nos veículos tradicionais, sob o rótulo de jornalismo cidadão, atestam que a inovação é uma questão de sobrevivência, e não de modismo.”

A reportagem reproduz alguns trechos de “Você faz a Notícia”, um dos livros da coleção Conquiste a Rede (disponível aqui para download). Da conversa que tivemos, o repórter guardou o essencial. O que mais prezo no jornalismo colaborativo é a possibilidade de abrir espaço para muitas vozes e opiniões.

Quanto à parte sobre o direito digital, as leis e crimes da web, tivemos, eu e Roberto Taddei, como autores, o cuidado de alertar o leitor de “Conquiste a Rede” sobre alguns riscos. Acredito que estamos no meio de um processo, com um pé em cada canoa. Temos leis antigas para novas situações. Tudo deve mudar, a web não é um território fácil de domar. Enquanto a mudança não vem, há riscos e pronto, melhor conhecê-los.

Via Flickr

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Um jornalista baseado em Londres me escreveu, via Flickr. Ele organiza um livro sobre o uso da imagem de Gandhi no mundo. Com olho de lince, encontrou o Mahatma grafitado em uma de minhas fotos e gentilmente, civilizadamente, pediu licença para utilizá-la. Dei a autorização e ainda fiz novas fotos para ele, como essa. Gandhi está no muro da Escola Estadual Miss Browne, na Pompéia.

Bálcãs: janelas para a cultura cigana

Metais ardidos, acordeon, som de bandinha de coreto da praça. Opa opa! Um gole de aguardente entornado de uma vez só. Pula, pula, ô-pa. Mais um gole, metais ardidos, mais festa.

Quem viu um dos filmes de Emir Kusturica sabe mais ou menos como celebram os ciganos do leste europeu. A tradição dos Bálcãs é de esbórnia, é uma música aparentada com o trio elétrico baiano – pelo menos na inspiração dionisíaca.

Kusturica que, além de ser um dos meus diretores favoritos, é também músico. Em 2001, ele fez uma divertida turnê de trem com a banda No Smoking Orchestra, registrada no documentário Memórias em Super-8 (Super 8 Stories). Emir toca guitarra, o irmão, Stribor Kusturica, toca bateria. Os dois brigam bastante.

Goran Bregovic é outro da minha lista de luminares do gênero metais ardidos. A história do Bregovic é ótima: nascido em Sarajevo, filho de mãe sérvia e pai croata, foi celebridade do mundo pop com uma banda punk. Depois, tornou-se um respeitado na música erudita e fez a trilha sonora de vários dos filmes de Kusturica.

Assisti a Bregovic na Sala São Paulo. Única vez, provavelmente, em que rolou uma ciranda na platéia da elegante sala de concertos. Foi uma delícia dançar em círculo suas músicas “para casamentos e funerais”, como é o título de um de seus álbuns. Pula, pula.

Balkan Beats

Tom B , grafiteiro, ilustrador e DJ, chegou de Londres com um carregamento de Balkan Beats e colocou gentilmente as novidades na web para a gente ouvir. Sensacional.
Ele conta o seguinte: “Nos anos 90, com a queda do Muro e a guerra na Iugoslávia, toda uma geração emigrou do Leste Europeu - principalmente pra Alemanha - e amadureceu em contato com o fino da música eletrônica. Hoje em dia, DJs e produtores de lá estão retomando esse som de raiz; temperado com coisas tipo dancehall, hip-hop, miami bass e reggaeton”.

Borat, roteiro Didi Mocó estragado do extremo leste europeu

É a partir da base dos descendentes dos nômades do leste europeu que Borat avança até ultrapassar a linha Didi Mocó da falta de cabimento. Sem o refinamento de um Kusturica, Borat com seu bigodón e suas frases sobre “usar a irmã” enfia o pé na jaca mole e termina sem graça, na minha opinião. O roteiro para música cigana acima leva a melhores fontes. Não perca seu tempo.

Resiliência é eufemismo?

Saí do trabalho hoje com uma palavra na cabeça: resiliência. O termo é oriundo da física, refere-se à “propriedade de alguns materiais de acumular energia, quando exigidos e estressados, e voltar ao estado original sem qualquer deformação”. Segundo o Houaiss, “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”.

A convivência dentro de organizações, equipes e mesmo grupos informais engajados em atividade comum pede resiliência, ensinam os manuais fashion de gestão. Ganha quem tem resiliência. Perdem os que não têm.

Resiliência, pensava eu, seria eufemismo para ter saco? Seria um sinônimo elegante para adaptação instigada por instinto de sobrevivência? Ou existe isso mesmo de você aprender a lidar com o atrito e o confronto sem se deformar?

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Quando a gente sai com resiliência na ponta da língua, uma coisa é certa: o dia não foi fácil. Talvez eu não esteja entre esses materiais capazes de entortar sem guardar na memória a pressão. Não tenho certeza, já fui mais sensível, talvez tenha ganho em resiliência.

The Secret, aquele filme que eu recomendo para noites insones, porque tem sempre um objeto hipnoticamente girando em um canto da tela, o que me fez dormir em três tentativas diferentes de assisti-lo, resolve rapidamente essa questão toda sobre resiliência. Ele recomenda afastar essas palavras da ponta da língua e trocá-las por pensamentos sobre muito tempo livre para rir, navegar e brincar na areia da praia.

Os tamagochis estão voltando

Meu celular precisa ser carregado a cada cinco dias. Nada mal, mas só me lembro dele quando o marcador chega ao talo, próximo dos 8% de carga. Uma de minhas câmeras digitais usa pilhas recarregáveis, a outra tem bateria. Meu palm perde tudo se eu deixar a bateria acabar. E eu deixo.

Há uns anos, os japoneses lançaram, com muito sucesso, o tamagochi, um bichinho virtual que morria se você não o alimentasse. Digo que ele sumiu e voltou, incorporado aos eletrônicos, pets ingratos que roubam minha atenção e meu tempo. Tiranos, impõem tarefas que eu dispenso. Mal tenho tempo para mim, imagine para esse monte de bichinhos virtuais pidões que comem eletricidade.

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Esse papo aqui começa com a Trabalheira Digital descrita pela Luciana Terceiro.

Lu3 trocou o Word Press, que uso para publicar esse texto aqui, pelo Vox, uma ferramenta muito interessante para blogs. Tem suas limitações e tem seus encantos.

Gostei das nuvens de tags (tag cloud), do fato de agrupar no mesmo espaço vídeo, áudio, fotos, comentários, fotos dos amigos que comentam. Verdadeiro web-tricô.