Adoro quando a newsletter do telescópio Hubble chega. “Hubble Sees ‘Comet Galaxy’ Being Ripped Apart By Galaxy Cluster”. Imediatamente você passa para uma outra ordem de grandeza e confusão que coloca as dificuldades desta ordem em perspectiva. O resultado é um jogo de imagens como aquele de espelhos em parques de diversão, que amplificam o reflexo ad infinitum.

A manchete na caixa de mensagens destaca-se de todo o resto. O telescópio Hubble, da Nasa, em colaboração como vários outros telescópios baseados na terra e no espaço, capturou uma galáxia sendo destruída pelo campo gravitacional de um aglomerado de galáxias. Uma verdadeira guerra de Titãs. Mitológica. Cronos e Tanatos em confusão megablaster ultrasupergrandona.
Força da maré
A foto do Hubble mostra uma galáxia espiral mergulhando no aglomerado Abell 2667, em velocidade de 3,5 milhões de km/h. Atraída pela gravidade do aglomerado de estrelas, a galáxia capturada perde gás e estrelas, arrancados por forças de maré, assim chamadas por serem análogas às forças geradas pelo Sol e pela Lua, que produzem as marés na Terra. A destruição conta com a ajuda da pressão do gás quente que permeia o aglomerado, com temperaturas de milhões de graus.
Credibilidade
Como é refrescante voltar à nossa ordem de grandeza. Nela, vemos que a credibilidade é algo que importa muito, respondendo a perguntas que me fizeram nos últimos dias. Na minha caixa de mensagens, ao lado da newsletter do Hubble, encontro um e-mail que parece um truque. A mensagem inspira suspeita, não tem coração, parece ter sido criada por um algoritmo de robô para otimizar a audiência de um endereço na rede. Já a segunda, eu pedi para receber.
A primeira é suspeita. A segunda é importante, mesmo que seja para minha curiosidade, e não tenha aplicação prática. Chega a ser esdrúxula de tão diferente. E se você reparar no que ela traz, imediatamente chega a outra ordem de grandeza. É além de tudo, uma mensagem com passagem grátis.
Credibilidade é uma longa questão, fica para a próxima.