Desistir de vender jornal e distribuí-lo de graça é uma resposta às mudanças na comunicação, que exigem da grande imprensa novos caminhos, urgentemente. Em março São Paulo deve ganhar um novo jornal: Metro, ou Publimetro. A frase “Think local, act global”, ou pense local e aja globalmente, bem a gosto do jornalismo cidadão, norteia o projeto editorial da franquia, já presente na América Latina em versão chilena. O grupo já levou sua fórmula, sempre igual, a 19 países. O Brasil é o próximo.

A fórmula do Metro, implantada em uma centena de cidades, prevê sua distribuição em locais de grande circulação, como transporte público, shoppings centers e cruzamentos de avenidas movimentadas. O jornal quer se sustentar no Brasil por meio de anúncios dirigidos às classes A e B, para gente com até 35 anos. Trará textos curtos e tentará pescar o leitor pelos olhos.
New York Times em crise
Arthur Sulzberger, editor do jornal The New York Times, contou em entrevista ao jornal israelense Haaretz nesta semana que ele não garante que seu jornal tenha uma versão em papel daqui a cinco anos. Sulzberger lembra que a internet está engolindo os jornais e diz que há quatro anos o jornal Boston Globe, do mesmo grupo que o NYT, está no vermelho. Na semana passada, ele anunciou um prejuízo de US$ 570 milhões.
“Não sei realmente se daqui a cinco anos ainda vamos imprimir o Times e, na verdade, não importa muito”, afirma Sulzberger. Segundo ele, o xis da questão é como fazer a transição do papel para a web. “A internet é um lugar maravilhoso e nesse terreno estamos à frente de todos”, anuncia orgulhoso.
A edição on-line do New York Times tem 1,5 milhão de acessos por dia, enquanto o número de assinantes da edição impressa é de 1,1 milhão.
Transição
A transição da grande imprensa é uma uma corrida de obstáculos ou um jogo de xadrez, conforme a perspectiva, que envolve questões a respeito de:
- como atrair e manter anunciantes
- como contratar e pagar colaboradores
- como se relacionar com as informações publicadas por blogs
- como utilizar as novas ferramentas da web
- como ganhar dinheiro em um mundo que ignora o sistema de direitos autorais
- como manter a credibilidade
- como rejuvenescer sem não perder a identidade
- como ser jovem sem ser bobo e superficial
- como ser bobo e ainda valer a pena
- como ser significativo para a vida do leitor
Responder a essas questões dentro de um business plan não é tarefa simples.

Marcio Gaspar
February 9th, 2007 at 11:55 am
Ótimo post, minha amiga… e outro desafio que se aproxima diz respeito às grandes redes de TV. Com o sucesso dos YouTubes, o aperfeiçoamento tecnológico, o aumento de banda, será que dá pra imaginar o que acontecerá, por ex, na Copa de 2010 ou de 2014? Será que não vai ter um monte de gente com uma superwebcam transmitindo ao vivo e com toda a qualidade, as partidas direto das arquibancadas? E você na sua casa, jogando aquela imagem direto no hometheater e ainda interagindo com a transmissão e com o próprio transmissor? E daí, como ficam os megacontratos da FIFA com as redes de TV e com os patrocinadores, hein??
Andréa
February 15th, 2007 at 10:40 pm
Muito bom post Ana, mas acredito que este exista um exagero em achar que a internet tomará conta de nossas vidas desta maneira, inutilizando certas mídias que a tempos estão por aí. Vejo abrindo-se um leque de mídias que poderão auxiliar, com competência e planejamento, todos os campos de estudo. Sou professora, estou iniciando minha pós em Informática na Educação e gostei muito das suas publicações da coleção conquiste a rede. Fiz uma pequena apresentação em meu blog de um trecho sobre Podcast, colocando claro os devidos créditos, gostaria que visitasse o blog e comentasse.
Abraços Andréa