
Eu caminhava pela rua Lisboa, em São Paulo, nesse fim de semana, quando encontrei um Buda na calçada enfeitado com flores. Homenagem bonita e singela.
Na mesma rua, em um café, espetaram cravos em meia laranja cortada e a deixaram sobre o balcão, um artifício para espantar abelhas que pegam carona nas latinhas de refrigerante dos fregueses. Providência singela, mas não muito eficiente. Cheirosa, ao menos.
Começou a semana e, a três dias da divulgação de um relatório mundial sobre o desastre climático no planeta, a ONU anunciou nesta terça-feira que era hora de convocar uma cúpula de emergência para discutir como restringir os danos do aquecimento global. O encontro deverá ser no Quênia, no segundo semestre. O relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, já se sabe, traz números medonhos: 3 bilhões sofrerão com a escassez de água até o final do século. As crianças verão outro mundo, muito diferente desse aqui.
Lembrei do adolescente totalmente chapado às 9 da manhã da segunda-feira. Para tomar um espresso, que alguém lhe pagou por gentileza ou pena, ele tremia tanto que precisou da ajuda das duas mãos para segurar a xícara.
Ele nem sabe o que o espera daqui a alguns anos e já providenciou uma neblina interna para brindar a semana. Visão turva, providência simplória. Mesmo que a anestesia seja tentadora, como bem sabe a ONU.

Lucia Freitas
February 3rd, 2007 at 12:48 pm
Ana
Teu post disparou um monte de coisas em mim: o futuro ameaçador à frente, a anestesia em que vivemos por conta disso e uma dúvida. Será que toda a discussão que tentamos promover ajuda? Espero que sim. Estou no projeto Faça a sua parte, criado pela minha xará Lucia Malla, também blogueira.