Eu estava na redação da revista Veja, no 19º andar da Abril, quando ouvi um estrondo. Mais uma explosão do metrô, pensei. Acostumei-me com o calafrio que percorre a espinha cada vez que o Metrô de São Paulo implode o solo ali ao lado, às margens do rio Pinheiros. Desta vez, o tremor no prédio foi seguido por um corte de energia. Houve um acidente. Uma tragédia.
Em breve, toda a redação assistia, estarrecida, à cena dantesca: uma enorme cratera tragava tudo ao redor. A terra cedeu e soterrou operários. Peguei a câmera e fotografei. A mão tremia demais. Eu devia estar descendo as escadas, se fosse mais ajuizada, mas não consegui deixar de assistir a cena absurda da terra cedendo e um guindaste gigantesco balançando sem controle.
Vi um caminhão rodopiar no ar como um brinquedo. Era um desses caminhões de carregar terra. Lamentei muito pelos operários, pela tragédia. Coloquei uma notícia no ar sobre o fato antes de abandonar o edifício da Abril, quase duas horas depois do primeiro desabamento.
Mais tranqüila por estar a salvo, lamento a conta mal feita por técnicos, políticos, empreiteiros, lamento a falta de cuidado envolvendo um rio e muitas explosões.


sergio
January 14th, 2007 at 8:25 pm
Impressionante, um enorme e inesperado buraco de repente surge muito abaixo dos seus pés, caminhões e carros tragados para o fundo da terra, casas desmoronando, e você ali, noticiando novidades, quando ela surge tão próxima, tem que bater em retirada para não afundar ali também.
Nossas vidas estão sempre trafegando num fio de enredo de acontecimentos que imprimem para sempre o (des)continuar da existência.
Deve ter sido um baita sustão, espero que vocês já esteja se recuperando bem, para continuar assim, como sempre.