Português é uma língua muito difícil. Todas as pessoas que trabalharam comigo já me ouviram dizer “não é bolinho, não.” É quase um mantra. Quem nunca escorregou na grafia ou na concordância desative o corretor ortográfico. São anos de edição de jornal, revista, livro, folheto, site e até gerador de caracteres de TV, sempre na peleja do diabo contra o dono do céu - o dicionário. Quem escreve conhece a invasão de neologismos, estrangeirismos e a vitória insensível do coloquial contra a norma culta. Quando digo que o português não é bolinho, sinto-me com a idade de um quelônio. Mas não é!

Inceticida

Inceticida?

O caso do “inceticida” que encontrei hoje na Revista da Folha é daqueles erros crassos e ardidos. Tem cara de ressaca do plantão de réveillon. Uma vez que inseto se escreve com “s”, “inceticida” deve ser uma mistura de incentivo com o nome do bicho. Uma coisa mais evoluída, menos destrutiva.

Por coincidência, pulverizei hoje minhas duas árvores – sim, cultivo duas árvores há uns 17 anos na varanda – com inseticida. Usei o veneno no português “clássico”, mata-pragas, sem qualquer espírito esportivo de incentivo a pulgões e mofos brancos.