2006 December | anacarmen.com

Arquivo do mês: December, 2006

Retrospectiva muito pessoal

Aves

Fuga

2006 foi o ano em que as maritacas, os papagaios e passarinhos de variadas espécies procuraram abrigo na casa da família no interior de São Paulo.

Como a cana de açúcar tornou-se monocultura na região, outrora famosa pelo café, sempre me lembro na fuga dos bichos quando se fala no álcool como “combustível verde”. Sem ter o que comer, pois canavial é lugar de cobras, ratos, insetos e olhe lá - eles fogem para as pequenas ilhas onde a natureza ainda aparece.

Será que o álcool como combustível é mesmo uma alternativa ecológica? Sua produção em larga escala perturba profundamente o ecossistema. Seqüestra, com desertos verdes, o futuro de vários animais.

Suor e alegria

2006 foi o ano em que roupas de tecido apropriado para a prática de esportes foram o principal presente do amigo secreto de Natal. Sinal dos tempos - um bom sinal.

Urso polar na Bolsa de Valores

2006 foi o ano em que o aquecimento global saiu das beiradas do noticiário. “Como não perder dinheiro com o derretimento da calota polar” e coisas parecidas apareceram nas editorias de negócios e economia.

We, Me, You Tube

2006 foi o ano do vídeo digital.

Novilíngua

Adicionei amigos.
Perdi minha coleção de emoticons.
Expliquei o que é trackback, RSS e agregador.

Michel Serres no olho do furacão

Michel Serres, com quem divido o dia de nascimento, apareceu pelas mãos de meu amigo Sergio com algo menos banal e trivial. No meio da correria do fim de ano, das compras de Natal, das encomendas de trabalho de última hora, das tentativas em massa de superar alguma meta que se perdeu ainda em 2006. No meio do olho do furacão…

“Com certeza, ninguém pode trabalhar e escrever a não ser sobre a solidez cristalina da terra bem diferenciada, jamais sobre a fluidez da água, sobre o ar caprichoso, nem sobre o fogo intocável cuja travessia é fatal. A terra plena e escura espera pelo branco para que a escrita possa ser lida ou pelos fluidos transparentes para que possa frutificar.

Não podemos apenas fincar os alicerces, é preciso iluminar nossas escarificações para que a leitura e a compreensão possam ocorrer; não podemos apenas fazer sulcos, é preciso regar as plantas e as sementes aeróbias para que delas irrompam as frutas e as colheitas.

A terra precisa da água e das lágrimas derramadas pelo mar e pelo vento, dos soluços intermitentes e das chamas ardentes do fogo, porque é muito grande o brilho e a fecundidade que se originam da alegria e da dor das paixões.”

Michel Serres, O Incandescente, Imanência e transcendência elementares, pag. 95

Momento bola de cristal: 100 milhões de blogs em 2007

Comparável ao brilho das supernovas, haverá em 2007 uma explosão no mundo dos blogs, que chegarão a 100 milhões de endereços!

A previsão é da empresa de consultoria Gartner. Segundo a empresa, esse momento será o ápice de do fenômeno, pois a curva de crescimento não se manterá. Quem no mundo poderia criar um blog, já terá criado. Ficariam de fora as pessoas sem perfil para a atividade.

Termômetro

Em novembro, o termômetro do Technorati já sinalizava para um crescimento significativo: 100 mil novos blogs a cada dia. A blogosfera possuía 57 milhões de endereços no mês passado, que publicavam 1,3 milhão de posts.

Quantas letrinhas, umas após as outras….

Pisca-pisca

Pela própria natureza dos blogs, enquanto uns nascem, muitos outros desaparecem. A estimativa do Technorati é de que 55% dos 57 milhões de blogs computados em novembro estão ativos e foram atualizados nos últimos três meses.

Cerca de 200 milhões de pessoas já desistiram da brincadeira e abandonaram seus blogs, calcula a Gartner.

Pressão

O relatório Gartner para 2007, divulgado na semana passada, apresenta 10 visões do futuro. A que contempla os blogs diz que o modelo de negócios da mídia tradicional foi desafiado pela distribuição digital e que traz várias oportunidades, assim como ameaças. Nostradamus seria mais bombástico, digamos. A previsão só confirma o que se sabia.

Web com filtro

O Rafael Slonik, que mantém o blog InformarE, escreveu um comentário sobre o post anterior e decidi responder com outro post, pois a conversa é boa.

Essa ‘democratização’ proporcionada pelo Lulu.com pode ser um desastre. Quando uma editora define parâmetros para publicar ou não um livro, é a seleção natural agindo. Então se qualquer um puder publicar vai acontecer como na Wikipédia: você tem só uma informação superficial sobre o assunto, e não tem a garantia de que aquela informação seja correta. Mas se o ditado reza: o que vale é a intenção. Lulu.com pode ser considerado um serviço nobre! =)

Como garantir a qualidade das informações nas web

Rafael, fico contente em ter um interlocutor, obrigada pela opinião. As questões que você aponta são exatamente as que citei quando escrevi sobre o Periodistas 21, não foi por acaso que reuni a Lulu.com e o blog espanhol.

Quem garante a qualidade das informações? Como saber se o que leio é bobagem ou não? Quantidade de informações disponíveis na rede não significa qualidade. Quem lê tanta notícia? Quem responde pela mentira, blefe, calúnia, injúria, infração? Pelo crime?

São questões importantes, que acalentam ensaios, discussões acadêmicas, enfim, que dão muito pano para a manga, como se diz. Estão abertas e sabe-se lá quando e se haverá uma resposta para elas.

Acredito que a internet seja uma revolução em termos de difusão das informações e sou totalmente favorável a essa facilidade que ela proporciona. Esse acesso fácil de qualquer pessoa à publicação transformou a comunicação, é fato consumado. Escrevi uma coleção de livros, Conquiste a Rede, sobre o tema.

Com essa quantidade de vozes, opiniões e dados a necessidade que pululam na web, surgiu a necessidade de filtros que me digam o que é bom e o que é besteira. Preciso de referências para saber o que tem credibilidade e o que é embuste. Mas uma coisa não tira o mérito da outra.

Eu e o Rafael estamos de pleno acordo =)

Respiros na correria de fim de ano: Lulu.com e Periodistas 21

Lulu.com

Adorei a idéia da Lulu.com, uma editora virtual com um modelo de negócio bem diferente das outras. “Editores comuns querem 100 autores que vendam um milhão de livros cada. Nós queremos 1 milhão de autores que vendam 100 livros cada”, explica seu criador, o canadense Bob Young.

Em apenas três anos, ele saiu do zero para um faturamento de US$ 16 milhões. Publica 2.500 novos títulos por semana e tem mais de 100 mil títulos disponíveis para impressão ou download. Vende 90 mil livros por mês - e estima que venderá até 2 milhões no próximo ano. Publica principalmente em inglês, mas já trabalhou com obras de autores de 80 países e as vendeu para 60 países diferentes.

O autor tem completo controle sobre título, conteúdo, páginas e preço. Cobra o que quiser, desde que cubra o custo de cerca de US$ 8 por cópia da Lulu.com. Deduzida a quantia, o valor restante é dividido entre autor, que fica com 80%, e a editora.

É daquelas idéias perfeitas para a internet e tem um resultado muito interessante em termos criativos, permite que as idéias circulem, uma coisa tão saudável.

Periodistas 21

Um lugar interessante para quem gosta de assuntos ligados a jornalismo e comunicação: Periodistas 21. Juan Varela, criador desse blog, é um dos autores do livro espanhol Blogs, que será lançado no Brasil ano que vem. Fui convidada a fazer a revisão técnica do livro para a editora Thomson Learning e encontrei no terceiro capítulo, assinado por Varela, reflexões sobre alguns assuntos que assombram os debates sobre blogs.

Varela encara as dúvidas que todos os estudantes de jornalismo têm: blogs têm ética? Confiabilidade? Credibilidade? Eles vão acabar com o jornalismo tradicional? Adianto que ele acredita em uma nova simbiose, um novo equilíbrio em um “ecossistema mais interdependente”. Adoro essa conversa - que ninguém sabe onde vai dar.

O que é a diferença: um camarão abissal

O censo das espécies marinhas de 2006, um estudo que reúne informações coletadas por 200 pesquisadores em 80 países, inclui um ser que vive nas mais extremas condições. Trata-se de um pequeno crustáceo encontrado em um abismo de 3 km de profundidade no Atlântico. Ele vive ao lado de fontes que liberam água a uma temperatura de 407º C. Graus Celsius!

O tal camarãozinho fica à vontade em um calor que derreteria chumbo. Rodeado por águas geladas que por pouco não congelam, o corpo do bichinho suporta temperaturas de 80 ºC, próximas ao ponto de ebulição. Na saída das chaminés sulfurosas do fundo do mar vivem também moluscos.

Achei um mistério esses camarões e conchas que aproveitam a vida em meio a doses maciças de metais pesados. Tudo o que para nós seria o fim, para eles é saudável.

Esses camarões e conchas são uma metáfora das diferenças. Tudo o que é bom para mim, para eles não é.

Os 800 milhões que serão classe média e vão comprar marcas americanas

É conosco: no Top 50 das pessoas mais influentes do mundo feito pela revista Business 2.0 estão as 800 milhões de pessoas da China, Índia, Rússia e Brasil que na próxima década serão classificadas como “classe média”. Em sétimo lugar do ranking, voltado para o mundo da tecnologia e da web.

Sabe por que tanto destaque? Segundo a revista, essa gente “ambiciosa e culta” representa ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça para a América. Leia-se do Norte, Estados Unidos da América. Não sei desde quando eles tomam o nome do continente como apelido para o país, mas sei que eles são um pouco ruins de geografia.

Voltando à questão, essa gente bacana está provocando uma pressão enorme no custo dos produtos da “América”, graças à globalização. E essa multidão, que é igual à população dos Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão juntas, tem dinheiro para gastar – coisa de US$ 1 trilhão por ano, segundo estimativas.

Aí vem a parte da qual eu mais “gosto”:

O ranking da Business 2.0 olha do Hemisfério Norte com sua lente de microscópio para toda essa gente que vai tirar o rostinho para fora do buraco na próxima década e comenta: “Eles gostam das marcas americanas!” Eles vão comprar, eles vão gastar, eles estão no papo.

Você gosta de marcas americanas?