A novela do vídeo digital também tem ótimos capítulos. Quem roubou o controle remoto? Continua a saga.

1- Vice-presidente do Yahoo diz que está tudo errado

Garlinghouse, chefão do Yahoo, rodou a baiana ao ver que a empresa não tem uma estratégia unificada para reagir à movimentação que abala o mercado mundial de vídeo digital e serviços online. Segundo ele, o problema é de falta de foco: “Nós queremos fazer tudo e ser tudo para todo mundo.”

Essas melódicas observações foram publicadas no Wall Street Journal, cujos leitores não estão exatamente interessados em descobrir vantagens no novo e-mail, mas estão de olho nas ações da empresa que perderem neste ano, até novembro, 31,5% de seu valor.

No desabafo de Garlinghouse, chamado de “Manifesto da Pasta de Amendoim”, ele diz que a estratégia da empresa se iguala a passar uma camada muito fina da pasta sobre o pão. “Detesto pasta de amendoim”, diz Garlinghouse, anunciando corte de 15% a 20% dos empregados e prometendo pôr fim na duplicação de atividades dentro da empresa.

Acho que eu já vi isso: duas equipes desenvolverem o mesmo projeto dentro de uma empresa e lutarem uma contra a outra como verdadeiros rivais do mercado. Faz super mal à pele dos investidores, convenhamos. “Tem tanta gente na chefia (ou que pensa que está na chefia) que não fica claro se alguém está na chefia”, reclama o VP do Yahoo. Bacana esse manifesto.

Garlinghouse enumera vários grupos duplicados nos setores de música, fotos, busca, aplicativos, redes sociais, estratégia global e até na home page. Estilo aperte-os-cintos-que-piloto-sumiu, tem muita gente cuidando da home e ninguém é responsável pela home.

2- BNDES terá linha especial para a TV digital

Enquanto isso, no Brasil, também mexem-se os pauzinhos. Deu no Estadão: “O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) finaliza um grande programa de financiamento à cadeia da TV digital no Brasil.” Como o Brasil vai adotar o padrão japonês de vídeo digital, a indústria precisa adaptar-se a ele. Os incentivos irão para equipar o parque industrial, trocar transmissores e financiar os equipamentos das transmissoras e retransmissoras de televisão.

“Estima-se que a digitalização de toda a infra-estrutura de transmissão demandará investimentos da ordem de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões – é nesta parte da cadeia que serão necessários os maiores investimentos até 2016.”