Os livros da coleção “Conquiste a Rede” ganharam a atenção de alunos e professores interessados em comunicação. Êba: isso é interessante, é o “começo de conversa” com que nós, os autores, sonhamos: “A coleção quer ser um começo de conversa para facilitar o acesso a um mundo virtual necessário para a realização pessoal e profissional. Não pretende esgotar o assunto”, escrevemos na apresentação dos quatro livros da coleção.
Com interesse, acompanho o debate sobre jornalismo cidadão em blogs portugueses que fazem referência a “Conquiste a Rede”. A discussão foge do oba-oba e da adesão incondicional. Eles têm sérias dúvidas sobre a produção de notícias feita por pessoas que não são profissionais da comunicação. Acompanhe:
Nós, portugueses, ainda não estamos preparados para dar uma resposta concreta
Inês Figueiras: “A informação de fontes institucionais é, em princípio, mais fiável do que aquela que é publicada em blogues.”
“Curiosamente, tendo feito uma pesquisa exaustiva sobre o assunto, não encontrei nenhum autor em específico que se declarasse veemente contra o jornalismo do cidadão. Penso que isso terá acontecido por um motivo muito simples: quem não concorda minimamente com o trabalho desenvolvido pelos jornalistas cidadãos, com certeza que não vai publicar as suas ideias na Internet, pois considera isso jornalismo do cidadão. Uma vez que a minha pesquisa se restringiu a este meio, é essa a única resposta plausível que encontro.”
“Para terminar, numa análise geral, concluo que a questão do jornalismo do cidadão é muito complexa e nós, portugueses, ainda não estamos preparados para dar uma resposta concreta.”
A questão da comercialização ainda está longe de ficar resolvida
Liliana Lopes: “Mas se produzir e publicar deixou de ser problema, a questão da comercialização ainda está longe de ficar resolvida. O jornalista cidadão obtém remuneração? Até que ponto o factor remuneração deve ser levado em conta na classificação de um produto jornalístico como jornalismo cidadão/amador? Existe compatibilidade com a profissionalização plena? São perguntas suficientes para começar a discussão. Haverá alguém que tenha respostas?”
O cidadão nunca deixará de ser fonte
Cátia C. Vizela: “Quer isto dizer que no que toca à produção das notícias o cidadão deve permanecer inerte? Não! O que considero é que tem o dever de ajudar o jornalista mas que o papel final cabe sempre ao último. É ele que tem de trabalhar a informação. O cidadão ou aquilo que possa ter para oferecer nunca deixará de ser fonte.”
Se o jornalismo cidadão fosse mesmo jornalismo, os cursos de comunicação social não estavam a fazer nada nas universidades
Mariana: “O jornalismo é muito mais que escrever textos. O jornalismo cidadão até tem boas qualidades como recém-chegado: é novo, fresco, inocente, independente, com imensas ideias no jornalismo e na democracia e acima de tudo com um amor pela verdade. O problema é que isto não se aplica a toda a gente. Nem todos estão preparados para um jornalismo livre e nem todos têm boa fé para saber o que podem ou não revelar. Porque se o jornalismo cidadão fosse mesmo jornalismo, os cursos de comunicação social não estavam a fazer nada nas universidades.”
Complemento de informação
Ana Fonseca: “Todos nós podemos ter um blog , mas será que isto faz de nós jornalistas? Sinceramente, penso que não.”
“…Penso que não existe um ‘jornalismo cidadão’. O que existe é um importante trabalho de complemento de informação.”
Jornalismo interactivo
FJorge: “Concluindo, na minha opinião, o jornalismo do cidadão deveria ser denominado de ‘cidadão que participa na recolha, tratamento e divulgação da informação’. No entanto, esta seria uma denominação muito extensa, portanto defendo a designação de ‘jornalismo interactivo’ como a mais adequada, no sentido do cidadão e do jornalista desenvolverem uma relacção de interactividade um com o outro.”
O trabalho jornalístico não deve ser desenvolvido de forma autista
Sandra Silva: “O ideal seria fazer o jornalismo cidadão com MODERAÇÃO, tentando aproveitar o que de melhor ele pode acarretar e atenuar as suas lacunas.”

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November 18th, 2007 em 2:35 pm
[…] um dos volumes da coleção. Um apanhado geral do que foi escrito pode ser lido no blog da Ana Carmen, co-autora da coleção. […]